Relator diz que só o airbag não resolverá problemas de trânsito

20/03/2009 - 16:24  

Relator na Câmara do projeto que obriga o uso de airbag nos veículos brasileiros, o deputado Hugo Leal (PSC-RJ) está tão convencido da importância do airbag que chegou a defender um prazo menor para a entrada em vigor da medida. Prevaleceu, no entanto, o texto original, do Senado, que previa um período de cinco anos, após a regulamentação da norma pelo Contran.

Por outro lado, Hugo Leal reconhece que o airbag sozinho não resolverá os problemas de trânsito no Brasil. Segundo ele, para evitar acidentes e, consequentemente, mortes, é preciso não só aperfeiçoar a segurança dos veículos, mas melhorar as condições das vias e educar a população.

Agência Câmara - Qual a importância da nova lei?
Hugo Leal - A importância é que você vai reduzir o número de lesões graves nos acidentes de trânsito. O airbag deveria há muito ser um equipamento obrigatório, e não opcional. Nós defendemos na Câmara um prazo menor, a aplicação já imediata do airbag. Porém, o Plenário manteve o texto do Senado e nós tivemos que deixar o prazo de um ano para os veículos zero quilômetro e de cinco anos para os veículos que já estão no mercado. Ou seja, nós teremos efetivamente todos os veículos fabricados com airbag na praça somente a partir de 2014, após a regulamentação pelo Contran.

AC - O Brasil está preparado para adotar a medida? O custo extra vai influenciar na compra de carros novos?
Hugo Leal - Pelo contrário. Hoje uma parcela muito pequena dos veículos tem esse instrumento [airbag]. No momento em que você populariza, a tendência é o custo cair. Nós tivemos reuniões com a cadeia produtiva de airbag e todos foram unânimes em dizer que o custo cairia em torno de 60%.

AC - Airbag não evita acidente. Como prevenir acidentes?
Hugo Leal - Nós temos três linhas de ação. A primeira é a melhoria das condições de segurança do veículo. Nós temos, ainda nesta legislatura, que trabalhar para aprovar a obrigatoriedade também do freio ABS, que é um sistema de antitravamento das rodas. Depois, é preciso aumentar a segurança das estradas, a visibilidade, a sinalização, as marcações. O terceiro elemento é o humano, a mudança comportamental. As regras básicas de trânsito são regras básicas também de cidadania. No momento que a pessoa não for educada, tem que haver punição.

AC - O que mais pode ser feito por meio de mudanças na legislação?
Hugo Leal - A legislação brasileira é avançada. O que nós precisamos hoje é de uma fiscalização boa. A modificação na legislação hoje é periférica.

Reportagem – Noéli Nobre
Edição - Regina Céli Assumpção

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