Ocupação de camping abandonado é solução para 30 famílias

09/03/2009 - 20:17  

Depois de quase três meses alojadas nas moradias provisórias construídas pela prefeitura de Blumenau, 30 famílias decidiram ocupar um terreno público no dia 20 de fevereiro. O local era usado, antes da tragédia, como um camping municipal, mas recebeu boa parte do entulho retirado da cidade depois da enchente. Montes de terra e lixo, pedras e árvores espalham-se pelo local. A proximidade de um riacho, no meio da mata, amplia a quantidade de insetos.

Para afastar os mosquitos, que castigam as crianças no calor de 38° do verão catarinense, os moradores acendem fogueiras em pleno dia. Algumas famílias, que ainda não conseguiram comprar a madeira para construção das casas, amontoam todos os móveis, roupas e utensílios que conseguiram salvar da enchente no meio do terreno, em barracas improvisadas, cobertas com lona e plástico.

Medo de desabamento
Durante o dia, aqueles que não trabalham ou estão de folga perambulam pelo local. Bancos improvisados em tocos de madeira ficam bem no meio do acampamento, mas não são suficientes para todos. Enquanto as mães preparam as refeições em regime de mutirão, as crianças menores brincam com os cachorros no meio do barro. As maiores seguem juntas para a escola municipal do bairro, onde os pais conseguiram a matrícula.

A sede da associação de moradores de Ribeirão Fresco, localizada dentro do terreno do antigo camping, fornece dois banheiros coletivos e uma cozinha, compartilhada pelas famílias. Quatro casas já foram levantadas – duas com madeira aproveitada de outras construções – e os lotes para as demais famílias já foram divididos. Nem todas as famílias tiveram as casas interditadas pela defesa civil, mas o medo de mais desabamentos impede o retorno para o lar.

Reação e dignidade
Os moradores tentam obter, com ajuda de deputados e vereadores, a doação do terreno para que as famílias possam permanecer no local. Caso não seja possível, eles não descartam a mudança para outros lotes designados pela administração do município, mas afirmam que não retornam mais para os abrigos provisórios.

Coordenador do Movimento dos Atingidos pelo Desastre (MAD), que congrega as famílias de Ribeirão Fresco, o vigilante Lucas Teixeira explica que a invasão foi a solução encontrada para escapar do ambiente dos alojamentos. "Estamos, individualmente, comprando as nossas madeiras e reconstruindo as nossas casas. Estamos tentando reaver a dignidade que tanto buscamos", resumiu.

Reportagem - Cristiane Bernardes
Edição – Rosalva Nunes

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