Crise não afetará obras da Eletrobras, diz diretor
07/11/2008 - 10:36
O diretor de Engenharia da Eletrobras, Valter Luiz Cardeal de Souza, afirmou que os investimentos da estatal não serão afetados pela crise financeira internacional. "A crise não vai afetar nenhuma obra da empresa, a gente não teme essa crise", afirmou. Segundo ele, a economia do país está sólida e os investimentos no setor, inclusive aqueles que têm participação de capital estrangeiro, estão com o cronograma normal.
A declaração foi feita durante o "2º Simpósio Amazônia: O Desafio do Modelo de Desenvolvimento", promovido pela Comissão da Amazônia, Integração Nacional e Desenvolvimento Regional. No evento, encerrado nesta quinta-feira, representantes de vários setores cobraram uma ação integrada do Estado na região. "Há muito que se avançar, especialmente na descentralização dos recursos para a saúde, nos investimentos em saneamento básico e na qualificação da comunidade indígena", afirmou a deputada Dalva Figueiredo (PT-AP).
Ações para indígenas
A situação dos indígenas foi um dos focos dos debates. A deputada Janete Capiberibe (PSB-AP) sugeriu, por exemplo, que o Congresso Nacional regulamente a profissão de parteiras, pois elas constituem a úncia forma de atendimento a populações isoladas, como indígenas e ribeirinhos. Ela é autora do Projeto de Lei 2145/07, que regulamenta a profissão de parteira tradicional e prevê que essa profissional exercerá a sua atividade no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), mediante vínculo direto ou indireto.
"Algumas pessoas criaram um falso dilema nesse assunto, divulgando que as parteiras vão concorrer com os médicos. Isso não é verdade, porque as parteiras atuam onde não há um atendimento médico regular", argumentou a deputada do PSB. Ela sugeriu ainda que a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) desenvolva e distribua um kit com instrumentos básicos para que os partos feitos por parteiras sejam realizados de maneira mais segura. O diretor do Departamento de Saúde Indígena da Funasa, Wanderley Guenka, também participou do seminário e informou que as parteiras de algumas regiões do país já receberam kits com instrumentos básicos.
Valorização das tradições
O líder indígena da região da Cabeça do Cachorro (AM) Álvaro Tucano também se manifestou favorável à regulamentação da profissão de parteira, entre outros motivos, porque sua região sofre com a falta de atendimento médico. Ele reivindicou maior valorização dos conhecimentos tradicionais por parte do Estado, especialmente quando esse conhecimento gera valor econômico, sem desrespeito à cultura dos povos que detêm esses conhecimentos.
"Nós conhecemos as ervas medicinais, os insetos, a riqueza da floresta e não podemos ser tratados como objeto de estudo de pesquisadores. Queremos participar ativamente do desenvolvimento do País, mas não vamos aceitar pacote pronto do governo ou da igreja sobre como devemos viver", declarou. Reportagem – Rodrigo Bittar
Edição – Paulo Cesar Santos
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