Ministro alerta para ameaça de vírus mais letal da dengue

06/05/2008 - 20:31  

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou em audiência pública da Comissão de Seguridade Social e Família, que o vírus da dengue do tipo 4, o mais letal, está presente na Venezuela, país fronteiriço ao Brasil. "A população brasileira não tem imunidade a esse novo vírus", alertou. Os outros três tipos iniciais do vírus já são encontrados no Brasil. Uma vez contaminada por um deles, a pessoa fica imune àquele tipo.

Temporão chamou a atenção para o fluxo crescente de pessoas entre os dois países. Segundo ele, todo mês cerca de 35 mil pessoas cruzam as fronteiras da Venezuela com o Brasil. "Estamos fazendo um monitoramento permanente, fazendo o trabalho laboratorial e existe sim um risco potencial", disse. Para ele, as implicações da possível entrada desse tipo do vírus vão depender por onde se der a entrada no País e qual vai ser a taxa de infestação do vetor, o mosquito Aedes aegypti. "Em princípio, a população inteira estaria suscetível à doença, o que seria uma situação preocupante. Mas até o momento não existe nenhum relato da circulação do vírus no Brasil."

Segundo o ministro, houve 440 casos de dengue nos Estados Unidos no ano passado, onde a doença teve início no século 18. No entanto, como as situações climáticas e sanitárias são diferentes, não há epidemias naquele país. O ministro defendeu um plano integrado de combate ao mosquito nas Américas. Temporão informou que 86% dos casos da doença concentram-se entre janeiro e maio, e que as crianças são mais suscetíveis de adoecerem devido ao contato com os tipos mais recentes do vírus. "As mudanças climáticas, devido ao aquecimento global, podem piorar o quadro", acrescentou o ministro.

O deputado Chico D`Angelo (PT-RJ) manifestou sua preocupação com a questão orçamentária e financeira das prefeituras. Segundo explicou, os municípios já enfrentam uma série de dificuldades para gerir o orçamento da saúde e quando surgem problemas como a dengue, seu planejamento fica profundamente alterado.
"Não teremos uma vacina nos próximos cinco anos, pelo menos. Só nos resta o combate ao mosquito", ressaltou o ministro. "É preciso ação intersetorial coordenada para combater o mosquito, de forma ininterrupta, o ano todo", reforçou Temporão.

O deputado Armando Abílio (PTB-PB) ressaltou mobilização feita em seu estado, no mês passado, para conscientizar a população e combater o mosquito transmissor. Já a deputada Rita Camata (PMDB-ES) chamou a atenção para o fato de que a mobilização não se restrinja ao período de crise, como agora. "Depois que passa a crise, a questão cai no esquecimento. Espero que isso não ocorra mais uma vez", alertou a parlamentar.

Vacina
Apesar das dificuldades, o ministro crê que se possa chegar a uma vacina. "Nós temos vários grupos no Brasil tentando pesquisar uma vacina. A vacina é complexa porque tem de proteger dos quatro sorotipos do vírus ao mesmo tempo. Ou seja, numa única vacina tem de haver quatro antígenos, que têm de se integrar e dar uma resposta imunológica", destacou Temporão. "O que estamos tentando identificar são os grupos de pesquisadores mais avançados nesse desenvolvimento e apoiar financeiramente e institucionalmente para, quem sabe, o próprio Brasil consiga chegar a uma vacina", disse.

Situação no Rio
Segundo o ministro, a situação do Rio de Janeiro, onde ocorrem mais casos da doença, é resultado da má estruturação do sistema de saúde do estado. "O Rio não fez o dever de casa", disse Temporão, referindo-se à desestruturação das equipes de Saúde da Família naquele estado.

Para o deputado Chico D`Angelo, enquanto o país como um todo trabalhou para expandir a atenção primária à saúde, o município do Rio de Janeiro ficou na contramão, trabalhando com uma visão hospitalar. "A cidade do Rio é uma vitrine negativa no cenário de saúde pública, apesar de ter uma instituição como a Fiocruz, centros universitários de pesquisa e a maior rede de hospitais públicos do país", completou o deputado.

O deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) fez críticas generalizadas à atuação governamental e defendeu a regulamentação da Emenda 29, mas o presidente da Comissão de Seguridade Social e Família, deputado Jofran Frejat (PR-DF), alertou para a necessidade de não politizar a audiência pública e se restringir à discussão de combate à dengue.

Reportagem - Newton Araújo Jr.
Edição – Wilson Silveira

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