Debatedores criticam ocupação do Complexo do Alemão

29/04/2008 - 21:23  

A ocupação policial do Complexo do Alemão, quando foram mortas 19 pessoas, está completando um ano. Na opinião do deputado estadual Marcelo Freixo (Psol), a ação não deixou qualquer resultado positivo. Em uma comunidade de 150 mil pessoas, há apenas uma escola estadual, e os postos de saúde não funcionam, afirma.

Freixo contou que esteve lá no dia seguinte à ocupação, e o tráfico já estava atuando de novo. "Os policiais saquearam o comércio, inutilizaram os telefones, que até hoje não funcionam, e o tráfico continua igualzinho desde o dia seguinte.

A representante da ONG carioca Rede contra Violência, Patrícia da Silva, denunciou que recentemente foi ameaçada de morte pelo coronel da PM Edivaldo Camilo e registrou a queixa. "Esse coronel disse que ia me quebrar, porque eu estava participando de uma manifestação no morro da Providência", contou ela. Segundo Patrícia, foi difícil registrar a queixa, porque o investigador de plantão não queria, foi pedir autorização. Mas ela conseguiu. "As pessoas dizem que eu sou maluca, que o cara é coronel, mas eu não podia deixar de me defender; o caso é sério, um coronel não pode comportar-se assim, inclusive porque os soldados fazem o que eles mandam", comentou. Mas na primeira audiência, lamentou ela, o militar não compareceu, alegando estar de férias em Fortaleza.

O tenente-coronel Duarte deu razão a Patrícia: "você tem o direito de investir contra quem investiu contra você".

Armamentismo
O deputado Chico Alencar cobrou do governador Sérgio Cabral uma resposta sobre os resultados da ocupação do Complexo do Alemão. "Pedi no ano passado e ainda estou esperando", disse, acrescentando que no Rio ocorrem 17 mortes por dia, enquanto o armamentismo cresce com a conivência de autoridades policiais.

Alencar criticou também o uso da bandeira da caveira pelo Bope, nos locais que eles ocupam. "É a negação do Estado de Direito", disse o deputado.

O deputado Veloso (PMDB-BA) lamentou o quadro de violência em que se encontra o País, e defendeu, como solução, a adoção da prisão perpétua. "Bandido tem é que morrer na cadeia", recomendou.

O deputado Sebastião Bala Rocha (PDT-AP) criticou a "política do enfrentamento". Para ele, é um equivoco achar que o crime é coisa dos pobres — e citou casos de crimes de extrema violência praticados por pessoas da elite. Para Rocha, só tem chances de sucesso no combate ao crime uma política que leve a presença efetiva do Estado às comunidades. "Nossa esperança é que o presidente Lula consiga de fato implantar o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci)", afirmou.

O deputado Pastor Manoel Ferreira (PTB-RJ) defendeu que os policiais só matem em legítima defesa, "e nunca disparando dos helicópteros". Para Ferreira, na realidade vigente, a existência das facções criminosas chega a ser uma sorte: "imagine os bandidos todos unidos, nós estaríamos perdidos".

Reportagem - Luiz Claudio Pinheiro
Edição - Patricia Roedel

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