Paulo Bernardo considera saques com cartões uma anomalia

19/03/2008 - 17:04  

No encerramento da reunião da CPMI, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, declarou que considera o saque em dinheiro com o cartão corporativo uma anomalia. "Isso acaba igualando o cartão às contas de fundos tipo B", comentou, reconhecendo que os saques são usados de forma "extensiva demais".

Para o ministro, o saque deve ser utilizado excepcionalmente, como no caso de pesquisadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que fazem gastos em localidades no interior do País onde o cartão não é aceito. Mesmo assim, ele afirmou que os saques serão reduzidos à medida que os cartões sejam mais aceitos.

Paulo Bernardo exortou a CPMI a discutir uma nova legislação para acabar com as contas tipo B, que aponta como um "resquício dos anos 40". Para ele, o sistema só não terminou até agora por uma questão de cultura. A definição de um novo marco legal para a divulgação dos gastos com cartões também foi defendida pelo ministro.

Gastos sigilosos
O deputado Maurício Quintella Lessa (PR-AL) acusou a oposição de criar um "factóide" com a defesa de abertura de dados sobre gastos sigilosos. O deputado também criticou a divulgação de gastos com "miudezas", que, segundo ele, desvirtuam a CPMI.

A presidente da comissão, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), retrucou que a CPMI também tem um papel político e, se fosse permanecer limitada apenas aos gastos já divulgados pelo Portal Transparência, poderia ter seu trabalho feito por um técnico. A senadora ameaçou hoje deixar o cargo se as investigações não avançarem.

O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) disse que entrou com 37 requerimentos para abrir os gastos de ministérios, além de pedir as contas durante sua gestão como ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, entre 2001 e 2002. Ele sugeriu que todos os outros parlamentares que já ocuparam ministérios fizessem o mesmo. Paulo Bernardo observou que o governo já está levantando os gastos dos ministérios.

Reportagem - Roberto Seabra
Edição - Francisco Brandão

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