Para antropóloga, Estado é incapaz de proteger a vida
05/09/2007 - 17:52
A antropóloga e professora Rita Segato afirmou há pouco que o centro do debate sobre o infanticídio de indígenas não é o direito à vida, nem a moral, nem a ética, mas o papel do Estado. Para ela, a existência de organizações não-governamentais que se ocupam do assunto revela a incapacidade do Estado de defender a vida. "No Brasil, diariamente, policiais matam crianças, adolescentes e adultos", afirmou.
Rita Segato destacou que a polícia é um órgão do Estado que deveria proteger o cidadão, e não matá-lo. "Que autoridade e que legitimidade tem o Estado brasileiro para legislar sobre a morte de crianças indígenas?", questionou.
Estado infrator
Para a antropóloga, quem deve ser criminalizado é o próprio Estado, por ser "omisso, infrator e assassino". "O Estado mata e deixa matar dezenas de cidadãos brasileiros diariamente. No Brasil, não existe um Estado capaz de cuidar da população, mas um Estado que só entra em ação de forma reativa, para castigar e punir. Esse não é um Estado democrático, mas um Estado inimigo do cidadão", avaliou.
Rita Segato participa da audiência pública promovida pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias para discutir a prática de infanticídio nas áreas indígenas. Segundo o autor do requerimento para a realização da audiência, deputado Henrique Afonso (PT-AC), há centenas de casos de crianças indígenas sacrificadas, envenenadas ou enterradas vivas, por terem nascido com algum defeito físico ou algum problema neuro-motor, por serem meninas quando a família esperava um menino, gêmeas, ou ainda por serem filhas de mães solteiras.
A comissão continua reunida no plenário 9. Reportagem - Antonio Barros
Edição - Renata Tôrres
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