Chile ainda adota sistema criado por Pinochet

13/08/2007 - 20:32  

O pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets) no Brasil, Simon Schwartzmann, explicou que o Chile, apesar de ser governado há 16 anos pela Concertación (coalizão formada por socialistas e democratas cristãos), ainda adota, com pequenas alterações, o modelo educacional criado no final dos anos 80 pelo ditador falecido Augusto Pinochet.

Esse modelo é baseado no sistema de voucher, pelo qual o governo libera o dinheiro individualmente para o aluno, que escolhe a escola privada onde deseja estudar. Atualmente, cerca de 50% das escolas chilenas de nível fundamental e médio são municipais, e entre 30% e 40% são privadas e subsidiadas. O pequeno grupo restante é formado por escolas pagas e corporativas.

Segundo o expositor - que também participou do seminário "Educação no século 21: modelos de sucesso", promovido pela Comissão de Educação e Cultura -, com as mudanças promovidas pelo governo da Concertación, houve aumento de investimentos em educação e do tempo de permanência dos alunos nas escolas, que hoje é de seis horas. As alterações permitiram ao Chile atingir a universalização do ensino nos níveis fundamental e médio.

Desempenho ruim
Apesar disso, os estudantes do país foram muito mal avaliados no Programa Internacional de Avaliação Comparada (Pisa, na sigla em inglês), o que levou à uma crise no sistema e à exigência de reformulação. Entre as principais demandas, está a maior participação do setor público - com a renacionalização das escolas e a eliminação dos subsídios - e maiores benefícios para os estudantes.

Assim como na Irlanda no passado, o Chile também conta com um sistema de ensino dividido, que direciona os estudantes para a formação acadêmica ou técnica. "Isso cria um problema sério, porque o ensino técnico acaba atendendo à população mais pobre e é considerado de segunda classe", informou.

Para o presidente do Instituto Alfa e Beto (AIB), João Batista Araújo e Oliveira, o caso chileno é um bom exemplo de como uma reforma não deve ser conduzida. Até o início da década de 70, o ensino no país era todo público e considerado de boa qualidade, apesar de elitista. "As mudanças empreendidas por Pinochet nos anos 80 levaram em consideração as expectativas do mercado, mas não consideram o papel do Estado", disse Oliveira.

Reportagem - Maria Neves
Edição - Renata Tôrres

(Reprodução autorizada desde que contenha a assinatura `Agência Câmara`)

Agência Câmara
Tel. (61) 3216.1851/3216.1852
Fax. (61) 3216.1856
E-mail:agencia@camara.gov.br
SR

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias'.