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Ministério: analfabetismo diminui, mas derruba qualidade

26/06/2007 - 22:35  

O secretário da Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação, André Lázaro, declarou nesta terça-feira que o número de crianças analfabetas no Brasil diminuiu, porém essa diminuição provocou uma queda na qualidade de ensino. Segundo o secretário, isso é comum no processo de universalização da educação, pois são mais crianças nas salas de aula.

Lázaro, que participou de audiência pública promovida pela Comissão de Educação e Cultura para discutir formas de superar o analfabetismo infanto-juvenil, informou que, segundo dados do Censo de 2000, 1,2 milhão de crianças de 10 a 14 anos eram analfabetas. Em 2005, o número caiu para 578 mil. De acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 1993 a 2003, o número de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos fora da escola diminuiu de 21% para 8%.

Entretanto, a inclusão das crianças na escola não foi acompanhada pela qualidade no ensino, uma vez que, segundo o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), 55% dos alunos das quartas séries do ensino fundamental não conseguem ler ou escrever.

Estoque de analfabetos
O deputado Rogério Marinho (PSB-RN), autor do requerimento para realização do debate, declarou que, em média, mais de 50% das crianças do Brasil têm dificuldade de ler e entender um texto, de soletrar e de fazer as quatro operações matemáticas (adição, subtração, divisão e multiplicação). Esse número sobe para 70% entre as crianças do Nordeste, afirma. "Estamos formando esse estoque de analfabetos", lamenta.

Para reverter esse quadro, o parlamentar sugere a realização de pesquisas para diagnosticar quais as metodologias pedagógicas estão dando certo no Brasil, a fim de que se tornem "uma prática universalizada".

Falta de estrutura
Para a conselheira do Conselho Nacional de Educação Regina Vinhais, o que distancia o Brasil dos demais países em termos de educação é a falta de uma estrutura adequada desde a capacitação dos professores, passando pela má remuneração e formação desses profissionais, até a falta de participação dos pais na escola. Ela informou que existem no Brasil, atualmente, 16 milhões de analfabetos com mais de 15 anos.

Segundo Regina Vinhais, para que esse número não aumente ainda mais, é preciso investir num conceito de alfabetização mais amplo - o letramento. "O letramento envolve uma visão social e uma construção histórica muito maior que a simples alfabetização", explicou. "Alfabetização é você codificar e decodificar símbolos, ser capaz de juntar as letrinhas e formar palavras e, da mesma forma, não só escrever, como ler. O letramento é o uso dessa capacidade adquirida na escola para a sua vida", destacou.

Educação inadequada
A secretária de Educação do Rio Grande do Norte, Ana Cristina Cabral, informou que 76% dos alunos da 4ª série do estado não sabem ler nem escrever. Em sua opinião, está sendo negado a elas o direito ao conhecimento. Ela também destacou que essa educação inadequada provoca gastos sem retorno para o governo e afasta os alunos da escola, gerando evasão escolar.

Por sua vez, a secretária de Educação de Recife, Maria Luiza Alessio, afirmou que 2/3 da população do município estão abaixo da linha da pobreza - são eles os alunos das escolas públicas municipais. Segundo ela, a situação de exclusão desses alunos é acentuada pelo analfabetismo.

Pesquisa da Unesco
O representante-adjunto da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil, Vincent Defourny, leu as conclusões da pesquisa realizada pela Unesco em 10 capitais, onde foram entrevistadas 20 mil pessoas, entre pais, alunos, diretores de escolas e professores. Uma das conclusões é que 4/5 das crianças vão à escola com entusiasmo, mas esse número cai pela metade entre os alunos que foram reprovados. Ele informou que 20% dos alunos matriculados atualmente são repetentes, e 25% dos alunos das quartas séries têm muita dificuldade para ler e escrever - o que dificulta todo o processo educativo.

Segundo os debatedores, outro problema que precisa ser combatido é a correção do fluxo curricular, porque, segundo eles, quase 17% dos jovens entre 15 e 24 anos têm uma escolaridade defasada e ainda estão cursando o ensino fundamental. Além disso, apesar do amplo acesso ao ensino fundamental, o sistema ainda apresenta um grande índice de evasão que faz com que, de cada 100 alunos matriculados na primeira série do ensino fundamental, apenas 11 cheguem à universidade.

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Reportagem - Karla Alessa/Rádio Câmara
Edição - Renata Tôrres

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