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20 de novembro de 2003


Seminário debate alternativas energéticas para a Amazônia


Com a presença do vice-presidente da República, José Alencar, a Subcomissão de Energia da Comissão da Amazônia em conjunto com a Comissão de Minas e Energia realiza hoje (20), das 9h às 17h, no Auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputados, o seminário "Potencialidade e Alternativas Energéticas para região Amazônica". O evento fecha o ciclo de debates promovidos pela subcomissão em Brasília (DF), Belém (PA), Porto Velho (RO), Manaus (AM) e Rio Branco (AC).

O seminário debaterá os projetos energéticos da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, Usina Hidrelétrica do rio Madeira, gasodutos Coari-Manaus e Urucu-Porto Velho, Linhão Tucuruí-Manaus e Interligação do sistema Acre, Rondônia e Mato Grosso. São obras que estão sendo discutidas pelo governo como solução para os sistemas isolados da região e algumas constam no Plano
Plurianual (PPA) de 2004 a 2007.

A presidente da subcomissão, deputada federal Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), explicou que além dos financiamentos para os investimentos, o seminário debaterá as implicações ambientais sobre cada projeto. Diagnosticar os problemas de geração e distribuição de energia e apresentar sugestões para a definição de políticas para um novo modelo energético para o país e a Amazônia são os principais objetivos do seminário.

Até o final do ano, o relator da subcomissão, deputado Miguel de Souza (PL-RO) vai apresentar um relatório para ser votado na Comissão da Amazônia.

Aprovado, o documento apresentará ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva as propostas do parlamento sobre a questão energética na região.

Projetos

A maioria dos projetos é questionado por ambientalistas ora por inundar áreas onde vivem comunidades tradicionais e indígenas ora pelos desmatamento a ser provocado pelos empreendimentos. Uma liminar impetrada contra a Eletronorte, por exemplo, paralisou os estudos ambientais da Usina de Belo Monte. Localizada no rio Xingú nas proximidades da cidade de Altamira (PA), o empreendimento orçado em US$ 3,7 bilhões pretende inundar uma área de 400 km² para gerar 11.000 MW.

No caso da consolidação do empreendimento, a Eletronorte tem planos de construir um trecho de linha de transmissão que ligasse a outro trecho que viria de Tucuruí até Manaus. Com isso, toda a margem esquerda do Amazonas ficaria interligada. A Usina também forneceria energia para todo o
país, uma vez que estaria interligada a Tucuruí que faz parte do sistema nacional.

Outros empreendimentos, ainda em fase de elaboração de custos, são as Usinas Hidrelétricas de Jirau e Cachoeira de Santo Antônio. Localizadas entre as cidades de Porto Velho e Abunã, as usinas estão sendo projetadas para gerar 7.480 MW. São projetos sob a responsabilidade de Furnas e da construtora Norberto Odebrecht.

Com as obras previstas para o início do próximo ano, o gasoduto Coari-Manaus é um dos empreendimentos em vias de ser viabilizado. Contratada pela Petrobras, a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) já concluiu o Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA). Após sua conclusão, o gasoduto vai transportar 10,5 milhões de m³/dia do gás natural extraído da província de Urucu até Manaus. O custo da obra está orçado em US$ 393 milhões.

Estudos apontam que a substituição do diesel pelo gás natural vai baratear em pelo menos 40% o preço da tarifa de energia elétrica na capital amazonense. A perspectiva é que na cidade seja implantado um pólo petroquímico.

O empreendimento tem extensão de 417 km. O primeiro trecho de 210 km, com 22 polegadas de diâmetro, ligará o Terminal Solimões, em Coari, a uma estação intermediária, em Anori. O segundo trecho, com 20 polegadas, terá 207 km e vai até Manaus. O gasoduto executará a travessia do rio Badajós, dos Cuamã e Caapiranga até alcançar as margens do rio Negro, onde iniciará a travessia até os limites da Refinaria de Manaus (Reman).

O Estado também receberá um combustível ambientalmente melhor e com um custo três vezes inferior ao do diesel. Segundo o projeto, o combustível líquido colocado hoje no mercado amazonense tem um custo de US$ 7,00 por milhão de BTU, enquanto o gás custa entre US$ 2,5 a US$ 3,00 por milhão de BTU.

Já o gasoduto Urucu-Porto Velho, uma obra orçada em US$ 350 milhões e com uma extensão de 550 km, enfrenta problemas no Ministério Público Federal que proibiu o Ibama de emitir a licença de instalação antes que fosse cumprindo uma lista de recomendações. Entre elas, a elaboração de plano básico ambiental e posicionamento da Funai sobre os impactos nas comunidades indígenas.

Outra solução apresentada no ciclo de debate é a construção da linha de transmissão da UHE de Tucuruí-Manaus. Trata-se da conexão dos sistemas Manaus e Amapá ao sistema interligado nacional num total de 1.882 km em extensão.

Os estudos apontam que a região tem grande potencial gerador de energia, mas sofre com problema de distribuição. As dificuldades são muitas em razão das distâncias entre os grandes centros urbanos. Para subsidiar a geração de energia nos sistemas isolados, por exemplo, o governo destina por ano à região R$ 2,7 bilhões oriundos do fundo setorial Conta Custo de Combustível (CCC), custeada pelos brasileiros no ato do pagamento da conta de luz.


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