CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Reunião: 0258T/15 Hora: 14h0
  Data: 8/4/2015

DEPARTAMENTO DE TAQUIGRAFIA, REVISÃO E REDAÇÃO

NÚCLEO DE REDAÇÃO FINAL EM COMISSÕES

TEXTO COM REDAÇÃO FINAL

Versão para registro histórico

Não passível de alteração


COMISSÃO DO ESPORTEEVENTO: Audiência Pública e Reunião ordinária REUNIÃO Nº: 0258T/15DATA: 08/04/2015LOCAL: Plenário 4 das ComissõesINÍCIO: 14h33minTÉRMINO: 16h31minPÁGINAS: 38

DEPOENTE/CONVIDADO - QUALIFICAÇÃO

ALEJANDRO BLANCO BRAVO - Presidente do Comitê Olímpico Espanhol e membro da Confederação Espanhola de Federações Desportivas - COFEDE.
SUMÁRIO
Deliberação de matéria constante da pauta e exposição sobre o Projeto Olímpico Espanhol.
OBSERVAÇÕES
Houve exposição em espanhol com tradução simultânea. Há orador não identificado em breve intervenção.


O SR. PRESIDENTE (Deputado Márcio Marinho) - Boa tarde a todos e a todas!
Havendo número regimental, declaro abertos os trabalhos.
Tendo em vista que os trabalhos da reunião deliberativa ordinária realizada em 31 de março de 2015 e da audiência pública realizada em 7 de abril de 2015 foram gravados e seus registros constarão dos Anais da Comissão, consulto o Plenário da possibilidade de dispensa de leitura das atas.
O SR. DEPUTADO DAMIÃO FELICIANO - Sr. Presidente, solicito a dispensa da leitura das atas.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Márcio Marinho) - Solicitada a dispensa da leitura das atas pelo Deputado Damião Feliciano.
Aqueles que aprovam a dispensa de leitura das atas permaneçam como se encontram. (Pausa.)
Aprovada a dispensa de leitura das atas.
Em votação as atas.
Aqueles que as aprovam permaneçam como se encontram. (Pausa.)
Aprovadas.
O SR. DEPUTADO FÁBIO SOUSA - Questão de ordem, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Márcio Marinho) - Tem a palavra para uma questão de ordem o Deputado Fábio Sousa.
O SR. DEPUTADO FÁBIO SOUSA - Sr. Presidente, eu quero apenas me apresentar a V.Exa. e aos demais membros desta Comissão. Eu estou aqui na condição de suplente do PSDB, mas, na ausência dos meus colegas de partido, acho que acabo me tornando titular neste momento. Quero apenas me apresentar, porque é a primeira sessão da qual participo.
Eu era da Comissão de Agricultura e pedi a transferência para a Comissão do Esporte, porque tenho interesse no assunto. Eu assumi a Presidência da Comissão de Ciência e Tecnologia, que funciona no mesmo horário da Comissão de Agricultura, e isso dava problema para que eu participasse das reuniões. Então, eu vim para a Comissão do Esporte e quero me colocar à inteira disposição dos demais colegas e de V.Exa., pois estou aqui para trabalhar.
Queria apenas para me apresentar, Sr. Presidente. Agradeço a V.Exa.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Márcio Marinho) - Deputado Fábio Sousa, é uma honra recebê-lo aqui nesta Comissão. Quero dizer que, com a experiência que V.Exa. tem, certamente dará uma contribuição muito propositiva e importante para esta Comissão. Seja bem-vindo!
O SR. DEPUTADO TENENTE LÚCIO - Sr. Presidente, como Relator do Projeto de Lei nº 1.548, de 2011, eu gostaria de retirá-lo de pauta e de pedir a V.Exa. que o colocasse em pauta na semana que vem, como primeiro item, por gentileza.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Márcio Marinho) - V.Exa. será atendido.
Reitero a todos que esta Comissão realizará uma visita técnica à cidade do Rio de Janeiro, no dia 13 de abril de 2015, para acompanhar e fiscalizar as obras e os preparativos que envolvem a realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2106, atendendo aos Requerimentos nº 4 e nº 12, de 2015, de autoria dos Deputados João Derly e Valadares Filho, aprovados em reunião ordinária realizada no dia 12 de março de 2015.
A visita contará com a presença do Prefeito Eduardo Paes e do Presidente do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman.
A agenda prévia, ainda sujeita a alterações, será a seguinte - gostaria que V.Exas. prestassem atenção na agenda da próxima segunda-feira: às 9 horas, visita à Vila dos Atletas e apresentação do projeto olímpico e paralímpico; às 10 horas, visita ao Parque Olímpico; às 15 horas, visita a Deodoro. Esta é a informação que nós gostaríamos de passar para a Comissão.
Após a visita a Deodoro, a comitiva irá para o Aeroporto do Galeão, de onde os Parlamentares poderão retornar a Brasília.
Os nobres colegas que queiram integrar a comitiva, por favor, informem à Secretaria da Comissão ainda hoje, pelo e-mail cespo.decom@camara.leg.br. Repito o e-mail: cespo.decom@camara.leg.br. Caso queiram levar algum assessor, por favor, também nos informem.
Comunico a todos que a Secretaria da Comissão encaminhou ao Presidente da Casa, Deputado Eduardo Cunha, nota de repúdio à FIFA, conforme aprovado por este Plenário.
Informo a todos que realizaremos amanhã, às 14 horas, neste plenário, reunião de instalação e eleição da Subcomissão do Plano Nacional do Desporto. A indicação desta Presidência é o Deputado Danrlei de Deus Hinterholz para Presidente, tendo em vista S.Exa. ter sido o autor do requerimento de criação desta Subcomissão.
Passemos, então, à Ordem do Dia, à apreciação dos procedimentos internos da Comissão.
Após a discussão, na última reunião deliberativa, dos procedimentos internos a serem a adotados por esta Comissão do Esporte, conforme prevê o art. 51 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, farei a leitura do item 2.4, que ficou pendente de alteração de redação - a pedido também do Deputado Danrlei.
Item 2.4 dos procedimentos:
As retiradas de projeto da Ordem do Dia, de ofício, pelo Presidente devido à ausência do Relator serão limitadas a três reuniões na Comissão. Na quarta vez em que constarem da Ordem do Dia, e persistindo a ausência do Relator, será designado novo Relator, que observará os prazos estabelecidos no art. 52, § 3º, do Regimento Interno.
Com a palavra o Deputado Danrlei de Deus Hinterholz.
O SR. DEPUTADO DANRLEI DE DEUS HINTERHOLZ - Eu lhe agradeço por essa mudança. Acho que ficou um pouco mais claro. Obrigado, Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Márcio Marinho) - Eu é que lhe agradeço. É importante essa interatividade dos Parlamentares com as ações desta Mesa. Certamente, seremos sempre flexíveis no sentido de acatar as sugestões de V.Exas.
Os Srs. Deputados que aprovam este regulamento permaneçam como se acham. (Pausa.)
Aprovado.
Vamos, então, à apreciação do primeiro item da pauta.
Item 1. Requerimento nº 24, de 2015, do Sr. Hélio Leite, que "requer a realização de mesa-redonda com a Coordenação de Gestão do Departamento de Incentivo e Fomento ao Esporte do Ministério do Esporte, para debater a Lei nº 11.438, de 2006, e demais programas do Ministério que possam atender a sociedade do Estado do Pará".
Com a palavra o autor do requerimento, Deputado Hélio Leite, para encaminhá-lo.
O SR. DEPUTADO HÉLIO LEITE - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Srs. Assessores, com certeza, a vinda do Ministro do Esporte à esta Comissão, na última reunião, nos deixou muito felizes, pelas colocações, pela explicação dada a mim e aos demais Deputados acerca do que representa essa lei.
Chamou-me a atenção o fato de que, no Norte do nosso País, no Estado do Pará, de onde eu sou oriundo, as liberações serem poucas. Isso me chamou a atenção. E eu estou requerendo aos meus nobres Parlamentares, neste momento, a ida desta Comissão ao Ministério, para que nós possamos fazer um debate mais amplo, chamando pessoas dos clubes de futebol, do esporte amador, do boxe, do atletismo, do ciclismo, da associação de contadores do Estado do Pará, da OAB, da associação comercial e industrial do Pará, da FIEPA - Federação das Indústrias do Estado do Pará, dos órgãos que tenham conhecimento dessa lei, que tenham conhecimento do que ela representa para o crescimento do esporte, de modo geral, no Brasil.
Quero dizer, Sr. Presidente, que o Pará vai ficar honrado com a aprovação deste requerimento pelos nobres pares e, principalmente, com o debate que vai ser realizado no Estado, buscando esclarecer a lei e, acima de tudo, principalmente, demonstrar ao esporte amador como se pode formatar um projeto, como se pode buscar a consonância, cada vez mais, a fim de podermos contar com essa lei para o crescimento em benefício do esporte.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Márcio Marinho) - Em discussão o requerimento do nobre Deputado Hélio Leite.
Alguém mais deseja fazer uso da palavra? (Pausa.) Não.
Deputado, Hélio Leite, V.Exa. tem razão. O Sr. Ministro de Estado George Hilton, Deputado que no momento é Ministro, e sua equipe têm se mostrado muito compreensível em relação aos requerimentos aprovados nesta Comissão e se colocado à disposição para tirar as dúvidas dos nobres pares.
Quanto à exposição sobre a Lei de Incentivo ao Esporte, V.Exa. tem razão, foi uma explanação importante, tirou várias dúvidas de cada um de nós. Eu tenho certeza de que V.Exa. ficou muito preocupado em relação ao baixo nível de incentivo para o Norte, praticamente, e também o Nordeste; o meu Estado da Bahia também está nessa relação. V.Exa. tem demonstrado essa preocupação em querer realmente fazer com que a Região receba esse incentivo ao esporte.
Após essa aprovação, o próprio Ministério será informado por esta Comissão, e nós faremos essa mesa-redonda lá em seu Estado, para fomentar, além do esporte, o incentivo no seu Estado.
Com a palavra o Deputado Fábio Mitidieri. E eu sei que é de Pernambuco.
O SR. DEPUTADO FÁBIO MITIDIERI - Sergipe.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Márcio Marinho) - Errei o Estado, mas não passei longe, não.
O SR. DEPUTADO FÁBIO MITIDIERI - Baiano com espírito de sergipano.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Márcio Marinho) - Sergipe é o quintal da Bahia.
O SR. DEPUTADO FÁBIO MITIDIERI - Mas é onde fica a sede, na verdade. (Risos.)
O SR. PRESIDENTE (Deputado Márcio Marinho) - Com a palavra V.Exa.
O SR. DEPUTADO FÁBIO MITIDIERI - Sr. Presidente, no último dia 18 de março, foi aprovada por esta Comissão a realização de uma audiência pública convidando o Presidente da Confederação Brasileira de Desporto Escolar, o Sr. Antônio Hora, para falar sobre o desporto escolar. Eu queria aproveitar essa oportunidade para convidar também - solicitar de V.Exas. o apoio - mais três pessoas para participarem dessa audiência pública: a Sra. Mariléia dos Santos, conhecida Michael Jackson, que foi a nossa grande atleta do futebol e hoje é Coordenadora-Geral de Futebol Profissional do Ministério do Esporte; também o Sr. Éverson Ciccarini, que é Presidente da Federação Escolar de Minas Gerais; e o Sr. Clésio Prado, que é Presidente da Federação Escolar do Paraná, para que a gente possa enriquecer o debate e falar da realidade de outros Estados e também da realidade do desporto escolar do ponto de vista do Ministério. Como eu disse em outro momento, a maioria dos atletas começa a despontar no desporto escolar.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Márcio Marinho) - A Mesa acata, e certamente estaremos estendendo o convite a essas pessoas.
O SR. DEPUTADO FÁBIO MITIDIERI - Eu que agradeço.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Márcio Marinho) - Em votação o requerimento do nobre Deputado Hélio Leite.
Aqueles que o aprovam permaneçam como se encontram. (Pausa.)
Aprovado.
Item 2. Requerimento do Deputado Valadares Filho, que requer a realização de audiência pública com o objetivo de debater a subutilização dos estádios construídos para a Copa do Mundo FIFA 2014, e que são chamados pela mídia especializada de 'elefantes brancos'.
Ele não está presente e pediu que nós retirássemos de pauta esse requerimento, por conta de ter falecido ontem a sua avó e ele ter ido para Sergipe. E ele gostaria de, na próxima reunião, debater e defender o seu requerimento.
Por falar em Sergipe, eu quero dar boas-vindas também ao Deputado Adelson Barreto, do PTB de Sergipe, que é o novo membro da Comissão do Esporte. Seja bem-vindo! Que bom que V.Exa. está aqui aumentando a cota de negros nesta Comissão, porque só havia eu e o Deputado Damião Feliciano, mas V.Exa. vem aumentar essa cota aqui também. Seja bem-vindo, Deputado!
Nós vamos, então, à tramitação ordinária.
Projeto de Lei nº 1.548, de 2011, do Sr. Alexandre Leite, que "altera a Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003 - Estatuto do Desarmamento. Explicação da ementa: Para dispor sobre armas de fogo e demais produtos controlados de colecionadores, caçadores e atiradores desportistas, como os Marcadores de Paintball. Relator: Deputado Tenente Lúcio.
O SR. DEPUTADO HÉLIO LEITE - Pela ordem, foi pedida a retirada de pauta.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Márcio Marinho) - Eu ia completar que o Deputado Tenente Lúcio pediu a retirada de pauta desse projeto de lei.
Retirada de pauta, então, pelo Relator do projeto de lei.
V.Exa. aqui manda. Deputado Silvio Torres, é sempre uma honra tê-lo aqui na nossa Comissão.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES - Sr. Presidente, eu até queria aproveitar a oportunidade para justificar a minha ausência na próxima segunda-feira, a fim de acompanhar a nossa Representação que vai fazer visita a uma parte do Centro Olímpico, às instalações do Centro Olímpico. Tenho compromissos em São Paulo que não posso desmarcar, mas já me comprometo, e na próxima que está sendo marcada estarei junto.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Márcio Marinho) - Muito obrigado. Nós contamos com sua presença mesmo. E sei que V.Exa., sempre comprometido com a questão do esporte, se não tivesse esse compromisso inadiável, certamente nos acompanharia nessa visita ao Estado do Rio de Janeiro.
Não havendo mais nada a tratar, vou encerrar a primeira parte da reunião. Antes, entretanto, convoco todos para a audiência pública a ser realizada logo a seguir, com o Sr. Alejandro Blanco Bravo, Presidente do Comitê Olímpico Espanhol.
O nobre Alejandro está a caminho.
(Pausa prolongada.)
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES - O painel continua aberto?
O SR. PRESIDENTE (Deputado Márcio Marinho) - Enquanto nosso convidado está a caminho, eu quero fazer um comunicado.
Informo a todos os presentes que esta audiência pública fará uso dos serviços de tradução simultânea, que se efetivará através da distribuição de aparelhos receptores às senhoras e aos senhores. Solicito daqueles que receberem esse equipamento a gentileza de terem o devido cuidado no seu uso e, principalmente, de o devolverem aos servidores identificados desta Comissão, que estão ao meu lado direito.
(Pausa prolongada.)
O SR. PRESIDENTE (Deputado Márcio Marinho) - Informo, ainda, que a audiência pública está marcada para 15 horas. Então, o nosso convidado ainda está dentro do horário.
(Pausa prolongada.)
O SR. PRESIDENTE (Deputado Márcio Marinho) -
Vou repetir o nosso comunicado.
Informo a todos os presentes que esta audiência pública fará uso dos serviços de tradução simultânea, que se efetivará através da distribuição de aparelhos receptores às senhoras e aos senhores. Solicito daqueles que receberem esse equipamento a gentileza de terem o devido cuidado no seu uso e, principalmente, de o devolverem aos servidores identificados desta Comissão, que estão ao meu lado direito.
Mais uma vez, boa tarde a todos.
Esta reunião de audiência pública da Comissão do Esporte está sendo realizada em razão da aprovação do Requerimento nº 21, de 2015, de iniciativa do Deputado João Derly, e tem como objetivo conhecer o projeto olímpico espanhol.
Vamos agora à composição da Mesa.
Para dar início às apresentações, convido para tomar assento à mesa o Sr. Alejandro Blanco Bravo, Presidente do Comitê Olímpico Espanhol e membro da Confederação Espanhola de Federações Desportivas.
Convido V.Sa. para sentar-se à mesa. (Palmas.)
Convido para conduzir os trabalhos desta reunião de audiência pública o nobre Deputado João Derly, autor do requerimento que tornou possível a sua realização.
Convido V.Exa. para assumir os trabalhos desta tarde e desta audiência pública.
O SR. PRESIDENTE (Deputado João Derly) - Antes de passar às exposições, desejo informar as regras de condução dos trabalhos desta audiência pública.
O convidado deverá limitar-se ao tema em debate e disporá de 20 minutos para suas preleções, não podendo ser aparteado.
Após as exposições, serão abertos os debates.
Os Deputados interessados em interpelar o palestrante deverão inscrever-se previamente e poderão fazê-lo estritamente sobre o assunto da exposição, pelo prazo de 3 minutos.
Será permitida a réplica de qualquer participante que seja citado durante os debates.
Neste momento passo, a palavra ao Sr. Alejandro Blanco Bravo.
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO
(Exposição em espanhol. Tradução simultânea.) - Boa tarde.
Muito obrigado.
Para mim é uma honra ter sido convidado para estar aqui. Eu espero que nestes 20 minutos eu possa explicar um pouco do que é o sonho olímpico para Madri, para a Espanha, depois de ter vivido jogos maravilhosos em Barcelona.
Talvez o mais importante a ser destacado seja que a Espanha de 1992, com os Jogos Olímpicos de 1992, em Barcelona, não tem nada a ver com aquilo a que nós aspiramos agora. Converter Madri em uma cidade olímpica, primeiramente, foi uma ideia; depois essa ideia se transformou em um sonho. Quando acordamos do sonho, nós propusemos um projeto, que seria para conseguir concretizar esse sonho, que se converteu, então, em nossa obsessão.
As condições econômicas que a velha Europa atravessava, e no caso concreto, o mundo, mas especificamente a Espanha, aliadas à ideia do sonho, do projeto, e a essa obsessão, agora se convertiam em uma necessidade.
Realmente, nós organizarmos os jogos, frente ao que significavam, seria uma grande ajuda para recuperar a economia do nosso País. Quando começamos esta última candidatura, a do ano 2020, a situação social na Espanha não era a mais apropriada, e a situação econômica, tampouco, e nós tivemos que fazer um trabalho diário para buscar que a sociedade entendesse que organizar jogos em Madri seria a grande oportunidade que a Capital da Espanha teria e que o nosso país teria para acelerar a recuperação.
Evidentemente, isso nos deu um impulso extraordinário. Fizemos certas pesquisas, enquetes, reuniões com os representantes e grupos sociais, trabalhadores, empresários, com todos os estamentos sociais em meu gabinete para explicar que esse seria o grande projeto de Madri e o grande projeto da Espanha. E nós tínhamos tentado duas vezes - em 2012, quando ganhou Londres, e em 2016, quando venceu o Rio. Além disso, nós pensávamos que seria muito importante para nós. Tínhamos uma ilusão e, além disso, tínhamos uma necessidade.
Entre as tentativas anteriores, de 2012, 2016 e 2020, há muitas diferenças - fundamentalmente, diferenças econômicas e sociais.
Para 2012, a sociedade aceitava tranquilamente, e o que aceitava tranquilamente naquela época já questionava para 2020. Reclamávamos e pedíamos os jogos por vários motivos. Nos últimos anos, todos sabem que a projeção da Espanha... Em termos de esporte, no ano de 2012, fomos considerados o primeiro país do mundo, e nos últimos anos Madri tinha sido o país com maior número de acontecimentos desportivos do mundo, de Fórmula 1, de motos, etc., porque era um país que havia organizado o maior número de atividades desse tipo. E nós tínhamos a oportunidade de unir o âmbito desportivo e o organizacional, frente à oferta que nós pensamos que tínhamos e que temos ao movimento olímpico.
Mas uma grande pergunta que nos fizemos, quando começamos essa última candidatura, a do ano 2020, eu acredito que seja uma pergunta muito importante. Nós começamos nos anos de 2010, 2011, 2012 e agora estamos falando de 2020. Como será Madri em 2020? Evidentemente, vivemos em um mundo que muda muito. Vimos candidaturas que ganharam e, quando foram apresentadas, viviam um momento brilhante economicamente, com outros parâmetros, mas, quando vieram os jogos, a situação econômica tinha mudado totalmente. Então, nós pensávamos que, se ganhássemos os jogos em 2012, 2013, não seria para a Europa e para muitos países do mundo. Nós pensávamos que, para 2020, poderíamos fazer algumas mudanças ou que teríamos mudanças que beneficiariam nossa candidatura
E pensamos como seria Madri em 7 anos e qual seria a melhor cidade do mundo para organizar jogos. O estudo chama-se A oportunidade das cidades, e foram medidos vários parâmetros - 37 exatamente -, entre os quais qualidade de vida, saúde, sustentabilidade, meio ambiente, transporte, meios de comunicação, catástrofes, nível de cultura, inovação, facilidade para a realização de eventos e organização de negócios, segurança jurídica. Ou seja, foi um estudo verdadeiramente importante.
Não comparávamos Madri com nenhuma outra cidade; o que fazíamos era pensar em como chegaríamos a 2020. E, dos 37 parâmetros, o estudo indicava que Madrid melhorava em vários, ou seja, em 12 deles ela se manteria igual e somente em 2 estaria pior do que em 2013. Evidentemente, nós não poderíamos controlar esses parâmetros, porque estão relacionados ao tema térmico, e isso tem a ver com o aquecimento global, que nós não podemos controlar. Nos outros, nós melhorávamos, em 24. E o estudo nos dava uma posição com benefícios poderosos para aspirar aos jogos.
Os Jogos Olímpicos e Paralímpicos são as maiores coisas que podem acontecer para uma cidade ou um país. Não há nenhum evento que gere tanto prestígio e difunda tanto a cidade, e vocês podem imaginar que isso acontece tanto no nível individual como no nível coletivo, como sociedade e também como país.
Uma pergunta que nos fizemos e certamente o Rio também deve se fazer... E aproveito para mandar um abraço forte ao Presidente, que me enviou uma carta no dia em que perdemos a final para o Rio. Eu disse, à época, as mesmas palavras que eu digo hoje: Eu acredito que o Rio fará excelentes jogos. Eu conheço a equipe, conheço o Presidente, e todo o pessoal do Rio está trabalhando, e eu acredito que, assim como os Jogos de Barcelona, os Jogos do Rio serão inesquecíveis.
Uma pergunta que fizemos é: como deve ser feito esse investimento? Não pode tudo cair nas costas públicas, porque seria muito complicado. Deve haver uma parceria público-privada. Devemos exigir excelência organizativa e desportiva. É necessário haver uma unidade institucional, é necessário também haver uma transformação urbanística e também é necessário considerar a capacidade de renovação urbana.
Nós tínhamos dados que, certamente, depois dos Jogos do Rio no próximo ano, também serão de estudo para todas as candidaturas. Mas a candidatura de Barcelona do ano de 1992: 61,5% do investimento foi em obra civil, foi investimento público; e 36% foi de investimento privado. Em instalações desportivas, 9,1% foi investido do total, e 38,5% foi realizado nas cidades do entorno, que não eram considerados na capital. E tudo isso foi necessário para a realização dos jogos.
O segundo dado que, para nós, era importante observar era a repercussão. Sempre falamos de investimento e nunca medimos a repercussão. O que ela traz? O estudo que tínhamos preparado mostrava que o impacto no PIB seria de 3.900 milhões de euros e que o evento atrairia, em 1 ano, 800 mil turistas, mais do que os que já visitam o nosso país atualmente - na Espanha, calculamos que 70 milhões de turistas nos visitam; Madri, 11 milhões . O aumento da arrecadação fiscal seria de 1.170 milhões de euros. E algo que não pode ser medido em termos quantitativos, mas qualitativamente, seria a geração de um gasto de 500 milhões de euros.
Logo, ao melhorar o posicionamento das marcas Madri e Espanha, que estavam avaliadas em 700 milhões de euros. A atração desses 800 mil turistas, além dos que já vinham, se elevava a 720 mil euros, e atração de novos investimentos, que, para nós, é um capítulo muito importante, seria de 625 milhões de euros.
E agora o mais importante: à margem do tema econômico, tendo em vista a situação de pessoas que não trabalhavam na Espanha, nós preparamos um estudo com a Pricewaterhouse para ver o número de postos de trabalho que os Jogos Olímpicos gerariam, e o estudo nos mostrou que em 1984 foram gerados 73 mil postos de trabalho. Em Seul, em 1988, 336 mil. Em Barcelona, 1992, 296 mil. Em Atlanta; 77 mil. Em Sydney, 95 mil. Em Atenas, 440 mil, e, na China, a bandeira era mais larga, mais ampla. Falava-se entre 600 mil e 1 milhão e 200 mil postos de trabalho, e por último, em Londres, o estudo constatou a abertura de 353 mil postos de trabalho.
Então, quando indicávamos às empresas e ao empresariado, através dos meios de comunicação, falávamos de um projeto que, primeiramente, trazia investimentos positivos ao nosso país; segundo, melhorava a imagem do país e, em terceiro lugar, mantinha ou permitia aumentar o nível de poder organizacional em nosso país, que, naquele momento, para nós, seria gerar 300 mil postos de trabalho.
Os problemas sociais ou problemas com manifestações não chegaram a mais de 50 pessoas, porque as pessoas realmente entenderam que era um grande projeto para nós como país. Então, é importante lembrar sempre as palavras de Sebastian Cohen de que o impacto econômico dos jogos é vital para qualquer país. Há uma estrutura desportiva, uma organização desportiva, a imagem é maravilhosa, mas não podemos concluir os Jogos e deixar o país com uma dívida que não é possível ser assumida, como aconteceu nos Jogos recentes do continente europeu.
Nós mostrávamos em dados anteriores que os Jogos provocariam um status de otimismo que atrairia mais investimentos, mais turistas, mais consumo, maior oferta e demanda e maior caudal econômico-financeiro. Isso, para nós, foi o que nos deu, digamos, um respaldo e um apoio de toda a sociedade.
Nós tínhamos que avaliar, não só pelo Comitê Olímpico Internacional, pelas exigências do comitê, mas também pelas nossas próprias exigências, qual era o apoio real. Nós sabíamos que a sociedade nos apoiava, mas não tínhamos um estudo. Nós fizemos estudos. O Comitê Olímpico Internacional fez dois estudos que deram resultados, mas não sabemos quem fez, a empresa que fez. Mas os estudos indicam que 80% dos cidadãos espanhóis apoiavam os Jogos, e nós encontrávamos um ponto de diferença entre Madri e as outras regiões espanholas, que dava entre 80% e 81%. As pessoas que apoiavam os Jogos eram os menores de 25 anos e os maiores de 64. Os menores de 25 e maiores de 64 eram os que mais apoiavam os Jogos.
Além disso, propusemos algo que, logo no ano passado, em dezembro de 2014, o Comitê Olímpico apoiava: primeiramente, adaptar os Jogos para uma cidade não seria estarmos loucos por investimentos, mas adaptarmos, e nós fizemos uma candidatura inteligente. Inteligente quer dizer austeridade. Inteligente quer dizer controle de investimento. Não quer dizer nem pobreza, nem... Optamos por uma candidatura com otimização racional dos recursos e propusemos uma candidatura com orçamentos justos e não fantasiosos. Na realidade, nós acordamos mais do sonho, mas, no ano de 2014, estamos felizes porque todas as proposições que Madri apresentou para a candidatura de 2020 foram acatadas pelo comitê internacional.
Para concluir - como são apenas 20 minutos, eu estou resumindo tudo o que posso -, fico com a última parte dos Jogos, que eu acredito que é a mais importante, porque nós vivemos dentro de nossas próprias carnes.
Para mim o menos importante são os dias dos Jogos. Esse é o esplendor, essa é a festa. O período desde que os Jogos são autorizados até a sua realização, que é de 7 anos, é muito importante para o país. O país e a cidade são o foco da atração desportiva do mundo todo.
Mas logo chega o dia seguinte. E o dia seguinte dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos é o que nós chamamos de legado. O legado é o importante, é o que vai ficar para as futuras gerações. Há um legado tangível, que são as instalações, o que temos à vista. E há um legado também intangível, um legado de valores, um legado social de campanhas de integração e coesão social. Há o legado da alimentação, de hábitos saudáveis. Nós temos visto que a mentalidade da sociedade muda depois dos Jogos, não apenas pela prática desportiva, mas pela prática da alimentação. Há o legado de adaptar os Jogos Olímpicos aos tempos atuais, ao que a sociedade pede atualmente. Em muitos países do mundo, não em um ou dois, mas em muitos países do mundo a sociedade busca que se seja realista antes e depois dos Jogos.
Depois dos Jogos, nós encontramos, em nossa cidade, em nosso país - encontraremos no Rio, no Brasil -, um aumento grande de qualificação profissional em gestores desportivos, em técnicos para a organização de coisas que são especificamente desportivas. Não apenas na praia, nos parques, mas também nas ruas, nós vamos encontrar pessoas. O Brasil é um país maravilhoso, e eu dizia que saí às 4 e meia da manhã do Rio, e já havia uma grande quantidade de pessoas correndo nas ruas. O Brasil é um país e o Rio é uma cidade onde o esporte faz parte da prática habitual das pessoas. Mas o legado dos Jogos não fica apenas nas cidades, vai para todo o país. Nós conhecemos estudos que dizem que a prática desportiva se multiplica depois dos Jogos. É importante levar os valores do que significarão os Jogos Olímpicos.
A campanha de educação dos jovens em idade escolar, a campanha para que as crianças entendam a importância do esforço, do sacrifício, do trabalho em equipe, do respeito às normas, do respeito ao adversário, tudo isso é uma assinatura tão importante quanto a Matemática das Ciências. É importante que as crianças entendam, através de seus professores, de campanhas e do trabalho que os políticos podem fazer, mas também da mensagem que os desportistas passam, o que são os valores. Sem valores, nada pode ser levado adiante.
Quando um desportista não acompanha os valores, a própria sociedade o rejeita. Eu acredito que esse é um legado para as próximas gerações de jovens, para o futuro do nosso país. É um legado que vai àquelas pessoas que, no dia de amanhã, vão conduzir o país.
Isso e muito mais coisas eu poderia detalhar durante horas. O período dos Jogos, o sonhar com os Jogos, organizar os Jogos é o melhor que um país pode fazer, porque, ao final, o esporte afeta todos os Ministérios. A sua prática, o seu hábito, os seus valores são a melhor forma para construir uma sociedade melhor. Eu acredito que nisso todos estamos de acordo.
Para mim, repito, é uma grande honra estar com todos os senhores que dedicam seus serviços à vida da sociedade. E todos nós que fazemos isso propomos um futuro melhor. E nesse futuro melhor, sem nenhuma dúvida, nada como o esporte e seus valores.
Muito obrigado a todos. Reitero que, para mim, é uma grande honra estar com os senhores e poder falar nesses minutos. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Deputado João Derly) - Obrigado pela explanação, Sr. Alejandro Blanco.
Vamos abrir espaço para debates.
Concedo a palavra ao Deputado Silvio Torres.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES - Boa tarde, Sr. Alejandro. Seja bem-vindo ao nosso Congresso Nacional. É um prazer recebê-lo aqui na Comissão do Esporte.
Eu queria fazer algumas perguntas. Acho que compreendi o que é mais importante, mas eu gostaria de confirmar alguns números.
Já que o senhor não teve a oportunidade de se apresentar, há quanto tempo o senhor é membro do Comitê Olímpico? O senhor é o Presidente do Comitê Olímpico Espanhol? Foi no seu período que Madri foi escolhida como sede dos Jogos Olímpicos?
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - Muito obrigado por sua pergunta. Sou membro do Comitê Olímpico Espanhol desde 1991. Em 1993, fui eleito Presidente da Federação Espanhola para ficar até 2005. Em 2005, fui eleito Presidente do Comitê Olímpico Espanhol.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES - Então, quando Barcelona sediou os Jogos Olímpicos, o senhor já era membro do Comitê?
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - Sim, eu era membro do Comitê e, naquele momento, fomos responsáveis, na competição de judô, pelo tema mais complicado, que é o credenciamento.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES - O senhor falou sobre a repartição dos recursos investidos em Barcelona, em 2002. Se eu entendi bem, 9% vieram do setor privado apenas.
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - Não. Foram 61% do setor público, 36% do setor privado e 9,5% foram dedicados às instalações esportivas. Em Barcelona, a transformação da cidade foi o que requereu maior investimento.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES - Eu tive a oportunidade de conhecer as instalações olímpicas de Barcelona, e realmente foi um legado muito importante.
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - Em 2 anos, o número de turistas em Barcelona triplicou. Em 2015, Barcelona continua sendo um centro para muitas empresas internacionais para realização de eventos. Tudo isso aconteceu a partir de Barcelona 1992.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES - Aliás, ficou conhecida no mundo todo como um dos melhores resultados de sede de Jogos Olímpicos. Agora, comparativamente, há expectativas com relação a 2020. E como o senhor mesmo afirmou, a situação é diferente diante de uma crise que a Espanha ainda não conseguiu superar. Há um grande número de desempregados, principalmente entre os jovens, que é o número maior. E qual é o legado esperado comparando com 2002?
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - Bom, o problema que temos é que para 2020 Tóquio ganhou. Agora, nós fizemos várias reuniões e pensamos que, depois de três vezes seguidas, agora seja o momento de parar. Madri tem 80% das instalações já construídas para essa candidatura. Há 80% finalizado. Agora é o momento de parar e ver qual será o resultado da agenda 2020. O Comitê Olímpico Internacional fez mudanças, então, eu acredito que, para anos futuros, Madri possa apresentar-se, mas eu não estarei mais como Presidente do Comitê Olímpico. Será preciso falar com o Prefeito da cidade. A imagem que a Espanha tem perante o mundo melhorou muito.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES - Sr. Presidente do Comitê, a Espanha tem metas olímpicas de competição e de resultados já previstas para atingir em 2020?
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - Bom, eu acredito que o milagre do esporte é o planejamento. Antes de Barcelona, não tínhamos planejamento e não tínhamos resultado. Quando organizamos os jogos de Barcelona, os melhores técnicos do mundo vieram nos ensinar a fazer o planejamento a curto, médio e longo prazo, e foi o que nós fizemos. E aí estão os projetos das próprias federações. Então, é preciso ir passo a passo. Mas nós temos alto nível de talento, e esse mesmo talento está trabalhando para 2020.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES - E quais foram os resultados de medalhas em Londres?
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - Em Londres, tivemos 18 medalhas.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES - Quantas?
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - Dezoito.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES - Dezoito?
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - Sim. Há um estudo importantíssimo que diz o seguinte: quando um país organiza os jogos, o seu nível de resultado é muito superior ao normal. Mas, para ver se um país realmente tem certo nível desportivo, verifica-se, depois dos jogos que organizou, se a faixa de resultado foi superior entre 10% de 20%. Antes de Barcelona, tivemos 6 medalhas; em Barcelona, 23 medalhas, superando Atlanta, Sidney, Pequim e Londres, jogos em que obtivemos, respectivamente: 19, 11, 17 e 18.
Nos jogos de Sidney, onde tivemos 11 medalhas, fizemos 40 quartos lugares. O efeito disso é que tivemos uma melhora no resultado de 20% em média.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES - Nós sabemos que é comum que os países que vão sediar realmente se programem para ter resultados melhores - já aconteceu isso em Londres, com os ingleses - e investem especialmente em algumas categorias de disputa, aquelas que podem render mais medalhas.
A Espanha é conhecida pela qualidade do esporte praticado, mas, efetivamente, ela conta com muita gente que vem de fora da Espanha. É o caso do futebol, do basquete, do vôlei, que são esportes coletivos em que a Espanha tem uma grande expressão.
Ela teria condições de disputar efetivamente esses esportes coletivos - não o futebol, em que ela já foi campeã, não havendo necessidade mais de provar -, de uma forma geral, com possibilidade de aumentar esse número de medalhas? A ideia é passar para 20, 25, 30 medalhas?
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - Bom, essa pergunta eu vou responder totalmente em espanhol, porque realmente é uma pergunta muito difícil.
Quando falamos do resultado do esporte espanhol, temos que levar em conta que estamos falando de um país de 40 milhões de habitantes - só 40 milhões. Quando um país fala quantas medalhas tem, eu acredito que o estudo real que nós temos que fazer é no sentido de verificar quanto foi investido e quantas medalhas ele tem.
Na Espanha, a nossa disputa é com os países no entorno. Por exemplo, a Itália investe no esporte 8 vezes mais que a Espanha, e a França, 12 vezes mais - falo de dinheiro público. Então, qual é a força da Espanha no esporte a que o senhor se referia? Os clubes.
Há um investimento muito forte em clubes privados na Espanha. Não são clubes grandes, mas se dedicam a muitas especialidades. Nós não investimos, por exemplo... Vou dar um exemplo claro para entenderem: nos Jogos Olímpicos de Londres, no tae-kwon-do tivemos três desportistas e três medalhas. Passaram-se os jogos, e não fazemos investimento, não multiplicamos o investimento nem por um, nem por dois, nem por três. Não, porque nós pensamos que o mais importante é ter investimentos em muitos esportes, e não em um só.
Nós conhecemos países que investem tudo em oito esportes específicos. Nós, não. A canoagem tem medalhas em todos os jogos, o remo não tem medalhas, mas nós também investimos em remo, porque, em médio e longo prazo, esperamos obter resultados.
A Espanha é um país multidisciplinar. A melhor prova de que os clubes... Assim como no Brasil, em que o futebol é o primeiro esporte, nós, se tirarmos o futebol, temos: no basquete, meninos e meninas; no paintball, meninos e meninas; no water polo, meninos e meninas; na natação sincronizada, medalhas de meninos e meninas; no hóquei, meninos e meninas.
Em Pequim e Londres, exceto o país organizador, que leva todas as equipes, no primeiro nível sempre estão a Espanha e os Estados Unidos. Nós investimos praticamente em todos os esportes, e nos de equipe principalmente. E aí vai, fundamentalmente, o investimento privado.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES - A última pergunta que eu gostaria de fazer é: quanto o Comitê Olímpico Espanhol, nas diversas confederações setoriais, recebe de recursos públicos do Governo Federal?
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - Na Espanha, a responsabilidade da alta competição é do Governo.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES - Totalmente bancada pelo Governo?
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - Na Europa há vários sistemas. No modelo italiano, por exemplo, praticamente todo o dinheiro vai ao comitê, que o distribui. No modelo alemão, não: a distribuição é do comitê olímpico, e o dinheiro vai do Governo para as federações. Na Espanha nós estamos com essa luta, mas a responsabilidade do Governo é com as federações.
Nós nos dedicamos ao trabalho de ajudar os atletas. Temos um programa... Conheço a importância que isso tem para o Deputado João, e gostaria de dizer que nós estamos preocupados com a formação dos atletas. Nós nos encontramos com muitos problemas quando um atleta deixa a sua carreira desportiva com 33 ou 34 anos e não tem mais nada para fazer no esporte. Então, nós estamos preocupados em informar e formar o atleta dando estudos. O atleta compete e está treinando em um período. Então, no ano seguinte ou depois de 4 ou 5 anos, ele volta aos estudos. Não importa que ele leve 7 anos, porque, para nós, é muito importante que ele também tenha uma formação.
Na estatística, não mais que 50%, ou seja, 48%, especificamente, continuam no esporte, como treinadores ou como dirigentes; 52% se dedicam a outra coisa. Para dedicar-se ao esporte ou a outra coisa, é preciso ter uma formação. Nós formamos os dirigentes, formamos os treinadores, e a responsabilidade da alta competição é o Governo espanhol que tem.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES - Muito obrigado, Sr. Presidente. Muito obrigado, Sr. Alejandro.
O SR. PRESIDENTE (Deputado João Derly) - Obrigado, Deputado Silvio Torres.
Passo a palavra ao Deputado Deley.
O SR. DEPUTADO DELEY - Obrigado.
Eu queria agradecer muito o Sr. Alejandro. É um prazer recebê-lo aqui, na nossa Casa. Queria mesmo agradecer muito a sua contribuição. É muito importante para nós termos a sua visita, até porque, como já disse o Deputado Silvio, de todas as Olimpíadas de que nós escutamos falar - não é, Deputado Silvio? -,o que nós escutamos é que a de Barcelona, realmente, foi a que alcançou o melhor resultado.
Há, aqui, algumas perguntas. A primeira pergunta que eu faria ao senhor, Sr. Alejandro, é: quanto tempo de mandato tem cada Presidente? Quantos mandatos pode ter cada Presidente do Comitê Olímpico Espanhol?
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - É ilimitado.
O SR. DEPUTADO DELEY - Ilimitado.
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - Os mandatos são de 4 anos, e as eleições, nos primeiros 5 meses do ano depois do ano olímpico.
O SR. DEPUTADO DELEY - A segunda pergunta: o senhor falou que, hoje, o esporte, vamos dizer assim, olímpico é todo bancado pelo Governo, e há esses repasses para as federações e para o Comitê Olímpico. Eu perguntaria: mais ou menos, de quanto seria esse repasse feito anualmente pelo Governo às federações e ao Comitê Olímpico? Você teria esses números?
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - Sim, mais ou menos. O Comitê Olímpico não recebe dinheiro do Governo. O Comitê Olímpico Espanhol não recebe dinheiro do Governo.
O SR. DEPUTADO DELEY - Ah, não recebe?
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO - (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - Não.
O SR. DEPUTADO DELEY - Ele sobrevive...
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - Quando vamos aos jogos olímpicos, o Comitê Olímpico paga tudo, e, então, o Governo restitui esse dinheiro. Mas para as atividades do Comitê Olímpico não vem nenhum dólar, nenhum dinheiro.
A alta competição, que vai acontecer neste ano, 2015, vai ser de 40 milhões de euros. Na Espanha, as diferentes regiões dão dinheiro para a federação, para a alta competição. Há mais ou menos 40 milhões de euros - diríamos - apenas para essa categoria.
Há algo muito importante que eu gostaria de explicar, porque é responsável pelos êxitos do esporte espanhol.
Em Barcelona, as autoridades, naquele momento, consideraram impossível manter o esporte apenas com dinheiro público. Então, criaram um programa chamado ADO. Vários países da América já o têm também. ADO significa Ajuda ao Esporte Olímpico. Pede-se dinheiro a empresas privadas. Criou-se um programa, que tinha três sócios - e isso é muito importante que eu explique, porque pode servir para vocês -: um é o Comitê Olímpico, o outro é o Ministério do Esporte e o terceiro é a televisão. Pede-se dinheiro às empresas para ajudar os atletas. Todo o dinheiro que se recebe vai para os atletas.
Então, para que as empresas viessem, criou-se um programa de vantagens fiscais. A primeira vantagem fiscal foi a seguinte - não era o Governo que dava, mas a televisão espanhola -: se você investia 100 dólares nesse programa, a televisão espanhola te dava espaços publicitários de 90 dólares. Então, o investimento, na verdade, era só de 10 dólares. Esse formato durou por três períodos, três jogos olímpicos. O problema é que as empresas que entraram eram grandes empresas - Telefônica, Coca-Cola. E, do prime time da televisão, 90% eram dados. Então, negociaram com o Governo e foi feita agora a mesma coisa em desoneração fiscal. Então, se você investe no programa, tem vantagens fiscais que te permitem desonerar até 80% daquilo que você investe. Nisso as empresas, então, se interessam.
O SR. DEPUTADO DELEY - Mas são TVs públicas, privadas...
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - A televisão é pública. Isso permite essa dedução.
Em cada ano, há uma prova de máximo nível. Se há um campeonato do mundo, se há um campeonato da Europa, então, do campeão até o oitavo recebem pontuação. Se você é o campeão, no ano seguinte, você tem 60 mil euros de bolsa, e o seu treinador, 30 mil euros de bolsa.
O SR. DEPUTADO DELEY - Outra pergunta que eu faria ao senhor é... Eu já estou no meu quarto mandato e eu sempre discuto, reclamo que aqui, no Brasil, até pelo potencial... O senhor falou da Espanha, com 40 milhões de habitantes. Nós temos um País continental, e eu entendo que há vários atletas, de várias modalidades, com potencial. O nosso Brasil nos mostra que tem essa possibilidade. Só que, infelizmente, eu entendo que hoje aqui no nosso País nós ainda não encontramos um modelo para formação desses atletas. Uma hora se fala que se vai investir nas escolas, quando a maioria das nossas escolas não tem sequer uma quadra. Outra hora se fala que se vai investir por intermédio dos clubes.
A pergunta que eu faço ao senhor: qual é o modelo existente? Como surge esse atleta na Espanha? Por onde ele começa? Qual o caminho que ele deve seguir para se tornar um atleta olímpico?
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - Bom, eu dou a minha opinião. A chave na Espanha foram os treinadores. Quando propusemos Barcelona, trouxemos os melhores treinadores do mundo em todas as especialidades. Foram comparadas as formas de trabalho. Mudou-se toda a mentalidade do treinador espanhol. Começou-se a pensar que o atleta nasce, mas é preciso formá-lo desde as categorias inferiores. É preciso potencializar e formar o talento, não buscar medalhas aos 12, 14 ou 16 anos, a exemplo da Ginástica, em que os melhores têm 20, 22 anos, para levá-los a uma final. Planejar a curto, a médio e a longo prazos é o que tem feito o esporte espanhol.
Hoje, eu acredito em que na Espanha, pela situação econômica, como eu já disse, os jogadores estão saindo e mais ainda os treinadores de todas as modalidades. Os treinadores espanhóis de todas as áreas estão demandando, e essa é a chave.
Quando eu era Presidente da Federação de Judô, ao estar ao lado de João, é como ganhar na loteria, porque o campeão é um privilegiado. É muito interessante ver como ele treina, ver como ele faz, e aprender, porque senão nunca poderíamos progredir.
Tem que se fazer um intercâmbio de experiências. Eu conheço sistemas de treinamento que fracassaram drasticamente na Espanha. No entanto, outros, pela própria idiossincrasia do País, precisaram fazer um experimento de acertos e erros. Esse é o segredo do esporte espanhol.
O SR. DEPUTADO DELEY - Desculpe-me insistir, apesar de ter entendido o que o senhor disse sobre a contratação de treinadores, o João Derly, assim como outros medalhistas, principalmente de esportes individuais no Brasil, é um talento que, muitas vezes, acontece muito mais pelo esforço dele próprio do que pelo trabalho coletivo.
Eu estive em Cuba, em 2003, Sr. Alexandro, que, como todos sabem, sofreu o embargo econômico, já foi uma potência olímpica. Quando o esporte começou a avançar muito na questão física e tecnológica, Cuba foi perdendo espaço. Mas lá, em Cuba, nós vimos o modelo: buscava-se o garoto na escola. Ali, já se começava a definir se ele ia crescer, se não ia, qual era o seu talento, se a sua fibra era de velocidade ou não.
Enfim, eu gostaria de saber do senhor como é que começa esse trabalho de base na Espanha. É na escola? É nos clubes? Como é que começa esse trabalho?
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - Nas duas partes. Na escola é fundamental, mas também nos clubes.
Eu conheço o sistema cubano. Cuba tem grandes treinadores. Cuba se dedicou, em todos os esportes, a formar grandes treinadores. Então, eles vão às escolas e identificam os talentos, que, daí, são levados à seleção. E como eles fazem para ter tantos triunfos? Estão constantemente no estrangeiro. Desde a época em que eu trabalhava no judô, os cubanos estavam sempre na Espanha, Alemanha, Itália, Romênia.
Então, a ideia é mais ou menos a mesma: buscar treinadores, buscar talentos. Joãos não são criados; eles nascem. E falando do João, se me permite, eu o estudei por outras circunstâncias. O sistema de treinamento permite que saiam grandes resultados, porque grandes treinadores em uma boa estrutura e um planejamento de curto, médio e longo prazo são necessários. Dos últimos jogos saem grandes medalhistas. Então, só buscar resultados não funciona. É preciso planejar, em curto, médio e longo prazo e em infraestrutura.
E se me permite, sobre os dados que me perguntava o nobre Deputado, as escolas investem mais do que o setor público no esporte.
O SR. DEPUTADO DELEY - Já foi dito aqui e é conhecimento do mundo que Barcelona é um case de sucesso, mas na Grécia não foi, na China não sei se houve uma continuidade, não quero ser leviano de dizer que também não foi. A Copa do Mundo eu descobri que não é um bom negócio - eu que sou um ex-atleta de futebol. Infelizmente, descobri isso depois e fui um que defendi a realização da Copa do Mundo no Brasil. Hoje, se fosse para ter o meu apoio, não teriam de jeito nenhum. Eu pergunto: a Olimpíada é realmente um bom negócio?
Vamos esquecer Barcelona, que foi de uma sabedoria e de um proveito espetacular. Dos outros escutamos algumas controvérsias na questão da realização de Olimpíada, até porque o nível de exigência hoje realmente é altíssimo. São pouquíssimos países que têm a capacidade de realizar a Copa do Mundo ou a Olimpíada.
Realizar uma Olimpíada realmente é algo lucrativo, é um bom negócio para o país?
O SR.
ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - Os estudos publicados dizem que os benefícios em Los Angeles, em 1984, foram de 250 milhões de dólares; em Seul, 288 ou 300 milhões de dólares; em Barcelona, em 1992, 50 milhões de dólares; em Atlanta, em 1996, 100 milhões de dólares, e em Sydney, em 2000, 75 milhões de dólares. Em Atenas, em 2004, as perdas foram de 325 milhões de dólares. Ou seja, se os jogos são bem organizados há uma recuperação econômica superpositiva em dinheiro e se são mal organizados fica com uma dívida que não tem como ser paga, como aconteceu com Atenas. Então, todo investimento, no nosso caso, é totalmente positivo.
Há algo que não é medido em dinheiro: a melhora da imagem do país. Eu não sei como quantificar isso, mas nós vivemos isso, Barcelona continua vivendo isso depois dos jogos e de 1992 para cá, já são 23 anos, continua mantendo a auréola de Barcelona 1992.
Então, ninguém pode ter dúvida de que o melhor investimento que um país pode fazer em recuperação econômica, no balanço econômico e em imagem e balanço social são os jogos. Por isso há tanto interesse nos jogos e por isso vêm países com tanta força pedir que os Jogos Olímpicos se realizem neles.
(Não identificado) - A pergunta é: qual é o retorno para cada euro investido?
O SR.
ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - Sim, eu entendi: para cada euro, qual é o retorno. Eu não tenho esse dado, porque não tenho o que foi investido em Los Angeles e Barcelona. Com o investimento que Barcelona fez de 7 bilhões de euros, se colocarmos ao par, seria um para quatro. Em Barcelona, foram quase 200 mil empregos.
Eu posso repetir isso. Eu já falei antes, mas em Barcelona foram 296 mil empregos. Ninguém que está no mundo olímpico questiona o tema econômico do emprego, da geração de empregos. Por isso, os jogos em 2012 estavam Paris, Londres, Tóquio, Madri e Moscou. Nos jogos seguintes, foi agregada Istambul, e Istambul caiu no corte. Eu falo na final. Sim, Rio estava também, mas estão as capitais mais importantes do mundo. Agora vêm os países árabes com toda a força. Doha se apresentou por duas vezes e vem com a maior força do mundo. Os jogos europeus vão acontecer no mesmo nível dos jogos de Pequim.
Cada vez mais países e capitais, com muita força econômica e muita importância no mundo, querem organizar os jogos, porque, uma vez mais eu digo, o nível de investimento e a repercussão em geração de empregos é indiscutível. Isso não tem a ver com o tipo do esporte.
O SR. DEPUTADO DELEY - A última pergunta. Não sei se o senhor tem acompanhado a preparação do Rio de Janeiro. A pergunta que eu faço é qual seria a expectativa, se o senhor está acompanhando, em relação aos jogos no Rio de Janeiro. Eu gostaria de ouvir a opinião de alguém que está acompanhando de fora.
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - Olha, eu disse, no dia que perdemos a votação, em 7 de setembro: Rio fará grandes jogos. Sempre antes de jogos há movimentação e inquietação no mundo: Falta isso, falta aquilo. Estamos atrasados. Todo mundo que organiza jogos vai atrasar, mas, no momento dos jogos, todas as instalações estarão prontas. Eu acredito que tudo está em andamento. Pela infraestrutura que tem e pela capacidade da equipe será inesquecível. Não tenho nenhuma dúvida disso. Tenho tranquilidade de que os jogos que serão organizados no Brasil se sairão bem.
O SR. PRESIDENTE (Deputado João Derly) - Obrigado, Deputado Deley.
Passo a palavra agora ao Sr. Deputado Hiran Gonçalves.
O SR. DEPUTADO HIRAN GONÇALVES - Dr. Alejandro, boa tarde. Boa tarde a todos. Boa tarde, Deputados. Boa tarde, assessores.
Não resta dúvida, como os Deputados Silvio e Deley comentaram, do legado positivo que a Olimpíada deixou em Barcelona, principalmente naquela área degradada do porto, que era uma área muito feia de Barcelona. Barcelona virou um modelo e atrai muitos turistas para lá.
Mesmo com o exemplo de sucesso de Barcelona, nós temos lá alguns exemplos de legados e instalações físicas que não são utilizadas plenamente. É como o Deley falou aqui, que gastamos muito em grandes arenas subutilizadas, que quase não são utilizadas. Daria o exemplo daqui de Brasília mesmo e do Amazonas, que é meu Estado vizinho.
Lá em Barcelona nós temos os exemplos do parque aquático que ficou muito tempo sem ser utilizado, o parque de Montjuic, se não me engano, e também o Estádio Olímpico, que foi usado pelo clube espanhol muito tempo, e não sei se ele está sendo utilizado agora. Eu queria que o senhor comentasse em relação a como fazermos para aproveitar toda essa estrutura física grandiosa que construímos para os jogos. No Brasil fizemos arenas de futebol fantásticas que, infelizmente, passam muito tempo sem ser utilizadas e terminam sendo um fracasso em termos de legado para o nosso País.
São essas as perguntas. Eu agradeço sua presença aqui, nos honra muito. Falo em nome da nossa Comissão e do Parlamento brasileiro.
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - Bom, essa pergunta é realmente muito importante, que forma parte do legado tangível.
Ao finalizar os jogos, como a maior parte dessas instalações dependia da organização municipal, da prefeitura, eles queriam administrar as instalações, e isso foi um erro. Eles perceberam que foi um erro. Para que as instalações funcionem bem, é preciso entregá-las a entidades privadas.
Em primeiro lugar, o Estádio Olímpico é um edifício emblemático para Barcelona. Em segundo, porque o campeonato espanhol se realizava em um e em outro. Essa instalação é o emblema, é o símbolo de Barcelona para campeonatos mundiais, para eventos muito pontuais, e está aí, é utilizada, mas não é dada a utilidade privada que poderia ser dada. E todos os demais estão em pleno funcionamento, em pleno funcionamento. O uso que as entidades privadas dão faz com que sejam os maiores do mundo.
O mesmo aconteceu em Madri. Madri tinha uma quantidade de instalações desportivas que a prefeitura tinha feito e que estavam administrando e foram entregues a entidades privadas e voltaram a funcionar. Repito: no nosso país, este é o caminho, porque os êxitos saem dos clubes. As entidades privadas são as que administram.
O SR. DEPUTADO HIRAN GONÇALVES - O senhor fala de parcerias público-privadas?
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - A instalação se fez com parte de dinheiro público e parte de dinheiro privado naquele momento, mas logo a gestão é transferida a uma entidade privada. A prefeitura cobra uma participação pela instalação. Então, eles já se encarregam de que ela seja rentável. Assim tem funcionado.
Na Espanha, para grandes instalações desportivas, clubes multifuncionais de 20 mil e 30 mil metros, a prefeitura entrega o terreno, a iniciativa privada investe para a construção, e em 20, em 30, em 40, no máximo em 50 anos, que está sendo dado, todo o investimento é feito pela entidade privada. A prefeitura recebe uma participação anual, e a gestão fica com a iniciativa privada. A prefeitura somente entrega o terreno. Todo o restante parte da iniciativa privada, e as pessoas vão ali praticar esporte. Terreno público, investimento privado. Eles perceberam que dava perdas à cidade deixar que o Município gerisse esses espaços.
O SR. DEPUTADO HIRAN GONÇALVES - Obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Deputado João Derly) - Obrigado, Deputado.
Passo a palavra ao Deputado Edinho Bez. (Pausa.) Ausente.
Com a palavra a Sra. Deputada Flávia Morais.
A SRA. DEPUTADA FLÁVIA MORAIS - Obrigada, Sr. Presidente. Quero cumprimentar o Sr. Alejandro e agradecer-lhe a presença. Para nós desta Comissão, que estamos aí acompanhando de perto a organização desse grande evento aqui no Brasil, é muito importante a vinda do senhor, que traz a experiência desse evento realizado na Espanha.
Queremos fazer algumas perguntas para complementar. A primeira delas é em relação à composição do próprio Comitê Olímpico Espanhol. Existe dentro dessa composição a participação do governo, governamental, ou ela é totalmente privada?
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - O Comitê Olímpico Espanhol tem uma assembleia de 115 pessoas, com direito a voto. Nós somos 127 porque há 12 membros honorários que não votam. Sessenta federações olímpicas. Há um grupo de 28 pessoas com reconhecido prestígio. Nele estão atletas olímpicos do grupo de elite, treinadores, dirigentes. Bom, um coletivo de alto nível: todas as pessoas que estão em esportes olímpicos; a executiva de federações internacionais em esportes não olímpicos; presidentes internacionais e dois representantes do Ministério do Esporte, que são o secretário de esporte e o diretor de esporte; um representante do Ministério de Relações Exteriores. Então, são três representações governamentais.
A SRA. DEPUTADA FLÁVIA MORAIS - E os desportistas votam? Têm direito a voto?
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - Todo mundo tem direito a voto, todo mundo tem um voto. A única diferença está em que para os presidentes das federações olímpicas, para que tenham a maioria dos votos, 51% dos votos, que é o que a Carta Olímpica diz, os 29 presidentes - são 30, neste momento - têm quatro votos cada um.
A SRA. DEPUTADA FLÁVIA MORAIS - O Comitê Espanhol não recebe recurso público, o recurso vai direto para a federação. O Comitê Olímpico Espanhol fiscaliza os recursos das federações. O papel de fiscalização é do Comitê Olímpico Espanhol?
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - Não, não. A fiscalização das federações é do governo.
A SRA. DEPUTADA FLÁVIA MORAIS - É do governo também. O Comitê Olímpico não fiscaliza?
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - Não. O Comitê Olímpico, não. É o governo.
A SRA. DEPUTADA FLÁVIA MORAIS - Os membros do Comitê Olímpico Espanhol são remunerados ou não remunerados?
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - Os trabalhadores, sim; os membros do Comitê não são remunerados.
A SRA. DEPUTADA FLÁVIA MORAIS - Em relação a... É para complementar a pergunta do Deputado Deley, que ainda não foi bem respondida. Em relação à formação dos atletas, hoje existe na Espanha o esporte de rendimento nas escolas. O senhor falou da importância para a formação de atletas na contratação de bons treinadores, não é?
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - Sim.
A SRA. DEPUTADA FLÁVIA MORAIS - Treinadores de nome. Esses treinadores são contratados só pelos clubes ou são contratados também pelas escolas?
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - Normalmente, na escola. Nós pensamos que a escola precisa de formadores.
A SRA. DEPUTADA FLÁVIA MORAIS - Não treinadores.
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - Não treinadores. O esporte, na Espanha... Na escola, eles jogam... O esporte é canalizado via federações, e aí estão os treinadores. Eles fazem as próprias federações espanholas com suas competições, e nessas competições começam a identificar os talentos.
A SRA. DEPUTADA FLÁVIA MORAIS - Qual a idade do jovem atleta, a idade mínima para que ele seja um atleta já profissional. Qual a idade mínima permitida de contratação pelos clubes, pelas federações do atleta como profissional, do jovem atleta?
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - Bom, os jovens atletas... Não falamos de profissionais com os jovens. Um clube o contrata, um contrato privado: de basquetebol - que nesses momentos... -, um clube de ciclismo, são os únicos que podem contratar profissionais. Mas os outros estão sem bolsa. Muitos pagam os estudos, recebem uma ajuda para os estudos, mas os profissionais estão em categorias absolutas, exceto na ginástica, em que aos 14, 15, 16 anos já estão numa equipe internacional. Mas nos demais não existem contratação de jovens.
A SRA. DEPUTADA FLÁVIA MORAIS - Não existe contrato de jovens. E a idade mínima para a contratação?
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - Nós falamos de esportes, 98% dos esportes. Se V.Exa. me fala de futebol, que o Real Madrid começa a identificar talentos... O futebol na Espanha é outra coisa. Nas quadras, o valor humano dá uma retribuição econômica de crianças.
A SRA. DEPUTADA FLÁVIA MORAIS - Não há retribuição para os atletas? É só na escola? E como retribuição da escola?
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - Apenas a escola, e, como retribuição, bolsas de formação. E o formador que tem a Espanha... Não só o formador, mas o licenciado em Educação Física, o graduado começa a trabalhar para identificar as características de cada estudante: se é para o salto, ou para um atleta em tal ou qual esporte. É um trabalho muito importante porque nós não podemos saber os resultados.
A SRA. DEPUTADA FLÁVIA MORAIS - Esse atleta não recebe; então, ele não pode ser contratado, não pode ter um salário e não recebe também nenhuma ajuda para a alimentação.
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - Aquele que recebe é um privilegiado. Graças a Deus, nessas categorias não existem profissionalização - graças a Deus!
Uma pergunta muito importante que eu faço: depende dos colégios. Normalmente, os colégios se especializam em três ou quatro especialidades. Por exemplo: há colégios que se especializam no futebol, outros têm atletismo. Mas o formador que está ali, que identifica uma criança muito boa para o futebol, ele vai indicá-lo para que integre uma equipe que trabalhe com futebol. Ou seja, é um trabalho combinado, porque nas federações espanholas, nas competições nacionais e em cada região - competições regionais -, para se fazer um bom trabalho e criar uma boa infraestrutura é preciso haver um planejamento, senão se faz impossível. Porque com 10 anos isso, 12 isso, 13 isso, esse trabalho precisa ir desde baixo, em nossa opinião, e sem pressa. Não é preciso, não é necessário fazer um campeão com 15 anos. Não, não é preciso acelerar o processo de formação. Essa é a teoria na Espanha.
A SRA. DEPUTADA FLÁVIA MORAIS - Existe algum programa governamental de incentivo, alguma bolsa que ajude esse atleta?
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - As federações fazem isso.
A SRA. DEPUTADA FLÁVIA MORAIS - Muito obrigada.
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - Na Espanha, as regiões que são chamadas de comunidades autônomas têm suas próprias leis com o mesmo status da legislação espanhola. Então, é competência das regiões.
O tema do esporte de base, a formação e o talento dependem dos governos das regiões, dos governos estaduais. Então, para que haja um planejamento espanhol, se uma região como a Catalunha trabalha de uma forma, e a Andaluzia, de outra, quem organiza o talento com a mesma linha de trabalho é a Federação Espanhola.
É difícil entender a Espanha pelas suas particularidades, mas parece que o resultado não está ruim.
A SRA. DEPUTADA FLÁVIA MORAIS - Muito obrigada pela boa vontade.
O SR. PRESIDENTE (Deputado João Derly) - Obrigado, Deputada.
Passo a palavra ao Deputado Roberto Goés.
O SR. DEPUTADO ROBERTO GOÉS - Sr. Presidente João Derly, quero parabenizar V.Exa. e agradecer a presença ao Sr. Alejandro, que explanou muito bem a questão do Comitê Espanhol. Ficou claro aqui que são importantes os investimentos no Brasil, como foram importantes os investimentos feitos em outros países. Com a explanação, ficou claro que, para cada 1 real, 1 dólar ou 1 euro investido, há geração de emprego. Isso volta para o Estado, volta para o país. Eu fico feliz com isso.
Nós sabemos que os Jogos de 2016 vão ser uma competição muito importante. Eu participei ativamente da discussão sobre a realização da Copa do Mundo. Sou Presidente de federação, uma federação pequena do Estado do Amapá. Foi feito um investimento alto pelo Governo para a Copa chegar ao Brasil. O Brasil sempre quis fazer a Copa das Copas. Por isso é que houve uma decisão política da própria Presidência para que se fizesse um grande espetáculo. Felizmente, foi isso o que aconteceu.
Nós tivemos bastantes melhorias nas questões dos hotéis, dos aeroportos, das estradas, das cidades. Isso gerou muita renda e emprego para a população. Para os Estados pequenos, como o Estado do Amapá, em que não houve nenhuma compensação com a Copa do Mundo, há um legado, pois vai ser feito um investimento de mais de 10 milhões de reais pela FIFA, pela CBF, nesses Estados pequenos que não tiveram participação nenhuma.
Esse é o legado que nós queremos. Temos que aprender com quem já fez e reconhecer os erros cometidos pelo Brasil. O Brasil tem que reconhecer os seus erros. Às vezes, a gente investe mal os recursos. Os investimentos têm que melhorar, mas, acima de tudo, fica a história. Além da questão das medalhas, além da questão da formação dos atletas, fica, acima de tudo, a questão de geração de emprego e renda, como a da integração das comunidades, dos povos, dos países. Fica um legado para um país tão grande quanto o nosso.
Então, eu queria parabenizar a nossa Comissão, que está bastante atuante, queria parabenizar o nosso Presidente, e queria parabenizar V.Exa. por ter vindo aqui explanar um pouco para a gente. A gente acompanha pela mídia toda essa questão. Está muito em jogo essa questão do recurso público e do recurso privado. Eu acho que tem que haver uma explicação sobre isso, principalmente aqui no Brasil. Eu sou presidente de uma federação que não recebe recurso público; o recurso que recebe é da Confederação Brasileira de Futebol. Esse recurso é oriundo de patrocinadores, e não há recurso público nenhum. Vejo de forma muito salutar o poder público, o Estado, o próprio Ministério Público acompanhando o investimento desses recursos.
Então, Sr. Presidente, quero agradecer ao Sr. Alejandro pela presença e pela explanação. Entendendo um pouco de portunhol, e a gente vai levando, vai entendendo algumas palavras, outras não. Mas o importante é essa integração. Eu acho que o dia de hoje foi muito saudável, e a gente ganha com a presença de V.Exa. e a explanação que foi colocada para todos os Deputados e Deputadas aqui nesta Comissão.
Obrigado, Sr. Presidente.
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - Muito obrigado por sua intervenção.
O campeonato do Brasil só teve uma falha: não foi a Espanha a campeã! (Risos) Nós deveríamos corrigir isso. Mas foi um grande campeonato.
O SR. PRESIDENTE (Deputado João Derly) - O último inscrito é o Deputado Afonso Hamm. Depois ele passa a palavra à Deputada.
O SR. DEPUTADO AFONSO HAMM - Eu queria também dizer da importância da sua presença, embora eu não tenha conseguido acompanhar toda a sua explanação; mas acompanhei boa parte das perguntas e respostas. Quero cumprimentar também o Deputado João Derly pela iniciativa. E até faço a pergunta: eu não sei se ele veio especificamente para a nossa audiência ou se também ele tem uma agenda aqui no Brasil.
E aí eu queria já fazer uma pergunta em relação ao nosso Comitê Olímpico Brasileiro e ao próprio Comitê Olímpico Espanhol, Dr. Alejandro. Quero lhe perguntar se nós podemos potencialmente interagir mais, até porque muito aqui foi falado, por exemplo, de um intercâmbio por parte desses treinadores qualificados, uma interação de potencialidade de esportes nos quais o Brasil desponta, e, por outro lado, de atividades desportivas, modalidades desportivas em que a Espanha se destaca, que conhece, que tem conhecimento, know-how e propriamente formadores.
Quero lhe dizer que aqui nós estamos fazendo um esforço grande. O próprio Governo vem fazendo, e a nossa Comissão, em especial os membros desta Comissão e outros que também se somam às iniciativas. O senhor conhece um pouco ou até bastante a realidade do Brasil. Nós temos um país de muitas desigualdades sociais, e o esporte para nós é um fator de inclusão social muito grande. Nós não conseguimos ainda desenvolver um modelo em que a escola, em especial a escola pública, possa ter infraestrutura para a prática esportiva. Nós temos escolas muitas vezes sem uma quadra coberta para fazer a prática da iniciação esportiva.
Nós estamos num esforço também de que, assim como a Copa - aqui foi dito que ela deixa um legado -, as Olimpíadas também deixem um legado, não só por serem realizadas com eficiência, transmitindo boas imagens, mostrando o País como um todo, mas por potencialmente ajudarem nas políticas de organização em relação ao esporte associado à educação e com inclusão, o que para nós é muito importante.
Então, nós temos ainda uma carência grande para podermos trabalhar melhor e potencializar esses jovens ou essas crianças, no caso, lá na iniciação - alguns até mesmo já estão na fase de adolescência -, onde temos a maior carência de infraestrutura e também de formação.
Eu presencio alguma coisa em termos de escolas, e, muitas vezes, até a aula de educação física precisa de um aprofundamento de formação. Ela serve mais como entretenimento. Há uma escola bem próxima da minha residência no Município de Bajé, no Estado do Rio Grande do Sul, e a gente vê quando está sendo feito um trabalho com as crianças usando uma bola de vôlei: se há realmente uma formação, uma educação, uma orientação no sentido dos fundamentos. Isso vale para todos os esportes.
Então, a minha pergunta, já que nos estamos organizando as Olimpíadas, é se há essa boa interação com o nosso Comitê Olímpico, e, do ponto de vista desses esforços que nós fazemos, aproveitando a sua vinda, se nós podemos, quem sabe num primeiro momento, numa relação dos dois países, intensificar experiências e principalmente conhecimento.
Podemos aproveitar que temos aqui muitos ex-atletas e, logicamente, também professores de Educação Física. Mas nós precisamos aprofundar a formação daquele que vai ser o professor, o orientador, em todos os aspectos, não só do conhecimento técnico da atividade, da modalidade esportiva, mas também do ponto de vista psicológico, do ponto de vista da orientação, do ponto de vista da concepção de conceitos que são importantes. Então, a pergunta é nesse sentido. Nós, potencialmente, podemos também ajudar a criar essa proximidade? Quem sabe, a gente vê a viabilidade de um intercâmbio mais efetivo.
A Espanha já tem alguma experiência com outros países, nesse sentido?
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - Muito obrigado por sua pergunta.
Quanto à primeira parte, o intercâmbio entre os Comitês Olímpicos, a relação, não que seja boa, mas seja extraordinária. Para os Jogos Olímpicos, vários treinadores da Espanha vieram. Com relação a esses treinadores, para não falar de todos, o treinador mais laureado está treinando a equipe brasileira. Então, eu acredito que a Espanha pode contribuir muito com o Brasil, e o Brasil com a Espanha, em muitos esportes. Há benefício para as duas partes.
Por parte do Comitê Olímpico Espanhol, nós estamos totalmente dispostos, e falamos com o Presidente Carlos, com quem tenho grande amizade, através da intervenção do Deputado João e da Câmara, que acredito que podemos intensificar esses intercâmbios.
Estou totalmente de acordo com algo que o senhor disse em relação a pessoas menos favorecidas e à integração do esporte como inclusiva. Nem todos os países têm a mesma capacidade econômica, o mesmo nível de instalações, mas, sim, seria bom haver programas conjuntos, de tal forma que nessas áreas, com o esporte, possamos ir caminhando com instalações, meios, professores e infraestrutura, para que todos tenham as mesmas oportunidades. Esse é um caminho lento, diário, mas é preciso fazê-lo. É um caminho pelo qual o esporte caminha para conseguir a integração. E não vejo nada senão o esporte para fazer isso.
Concordo com o senhor em relação ao tema da formação. É muito importante a formação de professores. A Espanha sempre teve a clareza da importância da formação de treinadores. Toda federação, nos três níveis, tem que emitir o mesmo número de horas e as mesmas assinaturas. Desde os professores das crianças até o alto nível há a preocupação de que haja formação desses professores.
Está sendo buscada uma mudança que ainda não foi conseguida em 100%, mas é sempre a federação. E o Governo, anos atrás, emitiu um projeto para, quando o treinador tiver capacitação universitária, homologar o título de formação profissional. Isso está dando mais problemas do que o previsto. Por quê? Porque na Espanha as federações, a formação dos treinadores é como a de um atleta. Ele leva isso no sangue. E o êxito é justamente por isso.
A exigência é muito maior do que em outros países: muitas horas, muitos dias, muito tempo de estudo, muita formação. As pessoas pensam que o êxito vem no alto nível. É verdade. Mas é preciso trilhar todo o caminho, e os atletas começam do começo. O mau treinador não conseguirá que uma criança pratique bem o esporte, ou pior: ele a fará se distanciar do esporte. Então, a formação nas primeiras idades é tão importante quanto no alto nível.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Deputado João Derly) - Obrigado, Deputado.
Deputada Flávia.
A SRA. DEPUTADA FLÁVIA MORAIS - Já para encerrar, Deputado Derly, eu queria parabenizá-lo pela iniciativa desta audiência. Acho que ela é muito importante para nós. Quero reforçar a ideia do Deputado Afonso Hamm. Mas, apesar de muito preciosa, é um tempo muito curto para que a gente possa trocar todas as experiências que a gente poderia ter se nós tivéssemos uma ação contínua, um intercâmbio contínuo para que a gente pudesse estabelecer uma troca maior entre os dois países.
Quanto à questão da formação, a gente até perguntou sobre isso. A nossa preocupação é grande. Acredito que a Copa foi importante para o Brasil. Mas eu, pessoalmente, como professora de Educação Física, falo que a Olimpíada vai ser mais importante ainda, porque, além de tudo, ela diversifica as modalidades esportivas em nosso País, dá visibilidade de outras modalidades esportivas. Porque o Brasil é conhecido como o país do futebol. O futebol é importante, muitos gostam de futebol, mas nós, como formadores, entendemos a importância de diversificar as modalidades. As Olimpíadas trazem essa diversificação para o Brasil também.
Com isso, nós acreditamos que poderemos despertar o esporte brasileiro para outras modalidades. Daí a importância de nós discutirmos e reforçarmos, cada vez mais, a realização das Olimpíadas em nosso País, com organização. Que os Jogos deixem realmente um legado maior do que as obras que vão ser feitas e que despertem em nossos jovens, bem como nos gestores nos Municípios e nos Estados, a importância da prática da atividade física para o desenvolvimento humano de forma diversificada.
Muito obrigada pela presença. E parabéns, Deputado João Derly, pela iniciativa!
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Deputado João Derly) - Obrigado, Deputada.
Primeiramente, eu gostaria de agradecer ao Presidente do Comitê Olímpico Espanhol, Sr. Alejandro Blanco, a presença e por gastar um tempo conosco. Ficamos gratos, primeiro, porque soubemos por intermédio de amigos que V.Sa. viria ao Brasil e, segundo, por aceitar o nosso convite e nos dar uma aula sobre como funciona o esporte na Espanha.
Ouvimos aqui coisas pertinentes que nos permitirão trabalhar em prol do esporte em nosso País e que nos tiraram algumas dúvidas referentes às Olimpíadas. Ainda temos muito mais coisas para aprofundar. Eu mesmo teria algumas perguntas, mas vou guardá-las para outro momento.
Hoje de manhã, estivemos com o Ministro George Hilton, que nos propôs fazer uma visita a Barcelona justamente para conhecer um pouco desse legado, aprofundar um pouco mais o conhecimento e estreitar um pouco mais a relação.
Havia aqui um requerimento que foi retirado de pauta para uma visita técnica a Londres. Se o senhor puder nos fazer um convite, poderemos estender; além de Londres, poderemos também visitar Barcelona. Acho que nos acrescentaria muito, Parlamentares que lutamos em prol do esporte.
Fica, então, este pedido: se o senhor puder nos fazer esse convite, para, in loco, irmos conhecer o legado olímpico, ouvir um pouco mais não só de V.Sa., mas do Governo espanhol e aprender um pouco mais sobre gestão esportiva pós-Olimpíada, que é, acho, o que justifica um grande evento em nosso País, o legado.
Ao finalizar os debates, passo a palavra ao expositor, se quiser fazer considerações finais.
O SR. ALEJANDRO BLANCO BRAVO (Intervenção em espanhol. Tradução simultânea.) - Muito obrigado.
Eu não sei o que para V.Exas. significou esta exposição. Para mim, significou muito. Lamento que tenha sido pouco tempo para compartilharmos tantas inquietações.
O Deputado João é uma das grandes figuras mundiais de toda a história esportiva. S.Exa. disse uma coisa que eu não entendi: primeiro, convidado já está. É preciso determinar a data para ir a Londres e coordenar com Barcelona, para que os autênticos organizadores dos Jogos possam explicar esses dados. Já tem data para Londres? Então me diga qual será a data de Londres, para, antes ou depois de Londres, irem a Barcelona. Eu vou falar com o Prefeito e com os responsáveis pela candidatura. Eles podem explicar todos os dados com muito mais rigor e por mais de 20 minutos. Convidado V.Exa. já está.
Para mim foi uma grande honra ter essa entrevista com o Ministro e com o Chefe de Gabinete. Eu acredito que podemos iniciar um novo caminho em que as duas partes, os dois países, saiam amplamente beneficiados.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Deputado João Derly) - Obrigado.
Antes de finalizarmos os trabalhos, quero agradecer a todos pela presença.
Nada mais havendo a tratar, encerro os trabalhos, convocando os Srs. Parlamentares para reunião de audiência pública a ser realizada amanhã, dia 9, às 10 horas, no Plenário 5, com a presença do Ministro do Esporte, Sr. George Hilton dos Santos Cecílio, que debaterá os planos, programas e projetos do Ministério para os próximos anos, bem como um balanço dos preparativos dos Jogos Olímpicos de 2016 e trazer informações a respeito da Lei de Incentivo ao Esporte.
Está encerrada esta audiência pública.