CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sessão: 5.2026 Hora: 21:44 Fase: OD
Orador: Pedro Uczai, PT-SC Data: 10/02/2026

O SR. PEDRO UCZAI (Bloco/PT - SC. Como Líder. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Srs. Parlamentares, Sras. Parlamentares, nós estamos falando aqui de educação, um direito fundamental e constitucional. Nós estamos falando aqui de uma política pública que quer atingir culturas, tradições, valores, ancestralidade, ciência, conhecimento.

E por que não reconhecer esses conhecimentos nas diferentes experiências humanas dessas diferentes tradições dos povos originários, que têm diferentes experiências nas diferentes regiões do País, e transformar isso em academia? Por que negar esse direito? Por que a extrema direita é contra o acesso desses povos originários às diferentes experiências de conhecimento humano e inclusive das suas ancestralidades? Por que não querem reconhecer a possibilidade de professores oriundos dos povos originários trabalharem nessas instituições? O que é isso? É preconceito? Sim, é preconceito. Aliás, é muito mais que preconceito, é negação de direito, é negação de oportunidade, é negação da possibilidade de esses povos acessarem o ensino superior, uma universidade.

O Presidente Lula, ao longo de sua trajetória política — no seu primeiro mandato, no segundo mandato e neste terceiro mandato —, criou dezoito universidades federais que têm o maior reconhecimento da produção científica e tecnológica deste País — dezoito novas universidades, mais de quatrocentos campi de institutos federais de ciência, tecnologia e inovação! A extrema direita quer imbecis ignorantes. Como disse o Parlamentar que me antecedeu, a dissonância cognitiva está expressa no discurso da extrema direita nesta noite.

Deputada Célia Xakriabá, que V.Exa. sintetize essa experiência plural, diversa dos povos originários; que V.Exa. sintetize aqui, nesta noite, neste Parlamento, a possibilidade de reparação de uma injustiça histórica contra os povos tradicionais, contra os povos indígenas, contra os povos quilombolas, que é o direito de ter uma universidade pública como direito humano, como direito fundamental e histórico.

É lamentável ver a extrema direita não permitindo a ascensão dos povos originários à própria universidade. Cota, sim, é reparação histórica, mas também é reparação histórica haver uma universidade que reconheça professores concursados dessas tradições, porque têm ciência, têm tecnologia. Uma das melhores experiências de resposta para a agricultura do mundo vem dos povos originários, não só do Brasil, mas também da Costa Rica. Um suíço, Ernst Götsch, compra 500 hectares na Bahia e vai beber na ancestralidade de produzir agricultura sintrópica, que é a melhor experiência de resposta para proteção ambiental, produção econômica, produção social e cultural.

Portanto, com a biodiversidade deste planeta, com a biodiversidade dos povos originários, que são os grandes protetores da própria natureza deste planeta, essa universidade vai ter vitalidade, vai ter muito futuro.

Parabéns ao Presidente Lula, que está criando vinte universidades públicas neste País. Este é que é o futuro do País. Um país desenvolvido é o que reconhece as diferentes experiências culturais tradicionais deste país chamado Brasil.

Por isso, a nossa bancada do Partido dos Trabalhadores está aqui, muito à vontade, Deputada Célia, para votar, com toda a força, o reconhecimento — junto com a Universidade do Esporte, com a universidade na área da matemática, com a universidade dos povos indígenas, dos povos originários — de um direito humano.

É lamentável essa elite que não tolera a ascensão social do nosso povo brasileiro. É lamentável essa extrema direita que não consegue construir um argumento que não seja eivado de preconceito, rancor e ódio pelo povo que quer ascender a partir do seu conhecimento, da sua ancestralidade, da sua ciência, da sua tecnologia e da sua inovação.

Vivam as universidades públicas brasileiras! Neste Parlamento, nascem hoje, por maioria, duas novas universidades públicas. Viva a sociedade brasileira! Viva a universidade pública!