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O SR. CHICO ALENCAR (Bloco/PSOL - RJ. Sem revisão do orador.) - Não se trata de etnia, raça, mas de culturas e povos. Não existe a história dos mamelucos ou dos cafuzos. No Brasil, os povos originários são povos indígenas, com sua história, sua terra, sua vida, sua língua, seus costumes. Eles estão dentro da sociedade multirracial brasileira, mas têm a sua especificidade.
Essa proposta do Poder Executivo de uma universidade indígena multicêntrica se opõe à imposição cultural dominante eurocêntrica, que fazia, inclusive como na infância de muitos aqui, com que qualquer programa estranho, diferente falava-se: "É programa de índio". No carnaval, gente pulando, se diz: "Índio quer apito", ou seja, uma folclorização e uma continuada edulcorada opressão. Hoje, nós estivemos aqui com os indígenas do Tapajós. Eles defendem seu território e defendem sua vida contra um erro do Governo Lula, sim, que explora a soja ali acima dos interesses daquela população. Então, eles nos deram, sem ter universidade, uma lição de vida, de ecologia, de consciência da terra. Mais do que hidrovia, eles querem rios, água, proteção, semente, floresta em pé, que é vida.
A universidade indígena chega em boa hora — 2027. Ela começa aqui em Brasília e vai se espalhando. Onde houver culturas indígenas a serem preservadas e estudadas, a Universidade Indígena vai cumprir o seu papel. Ainda bem que não ouvi ninguém dizer aqui "Ah, mas já tem cursos de antropologia nas universidades tradicionais". Ela vai valorizar um saber único, específico, com o qual nós ditos civilizados temos muito o que aprender.
A universidade é para todos, é para o Brasil, é para a nossa raiz, é para o povo brasileiro. Muito bem! Temos que aprová-la e ajudar a construí-la. Eu gostaria muito, se tiver vida e tempo, de ser aluno da Universidade Indígena do Brasil.