CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sessão: 287.2.54.O Hora: 10:36 Fase: OD
Orador: JAIR BOLSONARO, PP-RJ Data: 1/11/2012

O SR. JAIR BOLSONARO (PP-RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, a história diz que todos os países que deram as costas para as suas Forças Armadas simplesmente deixaram de existir ou existem, como alguns países da África, apenas vegetando.
Há 5 anos venho denunciando da tribuna da Câmara um caso que tem a ver com a evasão de policiais e praças das Forças Armadas. Por duas vezes, por ocasião de entrega de espada em Resende, eu entreguei o relatório daquela época ao então Presidente Lula.
Eu creio que, se esse documento chegar às mãos da Presidenta Dilma Rousseff, ela apenas irá sorrir e irá falar que estamos no caminho certo, porque o nosso objetivo é realmente desgastar as Forças Armadas.
Mas, olhem só, até outubro agora, nos 10 primeiros meses deste ano, o número de evasões de oficiais das Forças Armadas bateu o número inacreditável de 203, Deputado Miro Teixeira. Duzentos e três capitães e tenentes, no corrente ano, foram demitidos das Forças Armadas, a maioria em razão de concurso público. Esse número é maior do que o que será formado este ano na Academia das Forças Aéreas; é maior do que o que será formado este ano na Escola Naval; e equivale à metade do que será formado este ano pela Academia Militar das Agulhas Negras.
Se 203 saíram, com toda a certeza temos um universo muito grande entre esses jovens tenentes e capitães que prestaram concursos e não lograram êxito. Então, está mais do que patente que a carreira deixou de ser atrativa. Tanto é que, se isso fosse verdade, teríamos filhos de Parlamentares cadetes. Mas não temos. Assim como filhos de empresários, de grandes comerciantes, de Ministros, de Governadores... Porque essa é uma carreira completamente abandonada à própria sorte. Eu não sei até como os Comandantes estão conseguindo administrar essa tamanha insatisfação.
Por que eu digo isso? Porque, de vez em quando, nas conversas que temos, eles se reportam, Deputado Miro Teixeira, à Medida Provisória nº 2.215, que trata da nossa remuneração e que, agora, em dezembro, completa 12 anos, sem que tenha sido votada. E nós chegamos a tal ponto, por essa MP não ser votada, que mesmo aquele militar que porventura queira recorrer à Justiça contra uma perda ou algo que ache injusto, o juiz simplesmente não decide porque isso é de uma medida provisória.
Os agentes da Polícia Federal fizeram uma greve de poucas semanas e, pelo que sei, negociaram com o Governo a equiparação da carreira típica de Estado com a de nível superior, o que é bastante justo. Hoje em dia, na ANCINE, por exemplo, o salário de início de carreira é de 13 mil reais, enquanto um Agente da Polícia Federal está recebendo 7.500 mil reais.
Ora, Deputado Miro, um garoto que se forma agora, dia 1º de dezembro, em Resende, receberá, bruto, 6.400 mil reais. Por mais patriota que seja, daqui a pouco ele terá uma família, e, em que pese o fato de eles serem muito bem formados nas academias militares - inclusive, em Resende, uma grande parte sai com curso de paraquedista ou de guerra na selva -, vivendo num país capitalista, falará mais alto sua situação familiar.
E, quando a Presidente anuncia um aumento de 30% em 3 anos, ela sinaliza para a tropa que vamos continuar nesse estado, sem dar motivação alguma, sobrando, como único caminho, a evasão. E essa evasão tem que ser contida, não com medidas drásticas, mas com medidas de reconhecimento do papel das Forças Armadas, o que, infelizmente, neste Governo do PT, não estamos tendo.
Muito obrigado, Sr. Presidente.