CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sessão: 276.2018 Hora: 21h20 Fase: BC
  Data: 19/12/2018

Sumário

Artigos Somos o que fazemos, de autoria do orador, publicado pelo jornal O Globo, e A despedida do historiador, de Bernardo Mello Franco. Votos de feliz Natal e próspero Ano-Novo aos Parlamentares e servidores da Casa.

 O SR. CHICO ALENCAR (PSOL - RJ. Como Líder. Sem revisão do orador.) - Obrigado, Sr. Presidente.
Antes de pedir a palavra, eu fiquei pensando: "Mas eu já me despedi". Então, eu me lembrei de um grande seresteiro, nascido no Rio de Janeiro, chamado Sílvio Caldas, compositor de grandes canções românticas, como Chão de Estrelas. O Sílvio fez show de despedida por cinco vezes. (Riso.) Não será o meu caso, nem será esta propriamente uma fala de despedida, embora seja a última neste plenário como Deputado Federal, muito provavelmente, nesta existência tão dadivosa, graças a Deus, e tão sofrida também.
Mas quero apenas pedir que sejam transcritos nos Anais da Casa um artigo meu - olha o ego aí -, que foi publicado no jornal O Globo de ontem, intitulado Somos o que fazemos, e um artigo que especialmente me comoveu, de Bernardo Mello Franco, intitulado A despedida do historiador. Eu fui professor do pai dele, o Afrânio.
A minha irmã, que mora em Goiânia, a minha única irmã, a Maria Amélia, falou: "Avisa lá para o Bernardo que não é a despedida do historiador, é a do Deputado". É evidente que o historiador, enquanto tiver razão, consciência e lucidez, vai continuar tentando analisar os processos históricos, mas não ia eu, depois dessa verdadeira homenagem de carinho que Bernardo me fez, querer contestar o título do artigo. É uma despedida de historiador talvez, porque quase sempre na minha vida faço referência ao processo histórico que levou até uma situação determinada.
Então, ficam esses dois registros aqui. Gosto muito disto, dos Anais da Câmara. A nossa Taquigrafia, em notas, é exemplar, é dedicada e nos decifra, é a nossa mais perfeita tradução. Sem eles, sem elas - trata-se de um departamento predominantemente feminino -, nós nada seríamos.
Quero agradecer aos inúmeros servidores da Casa, além dos colegas Parlamentares, que têm me abraçado e, ao desejar um Natal de luz e de paz e um ano-novo feliz, o que vai ser difícil, têm dito que farei falta aqui. Ninguém é insubstituível, a não ser para os filhos, quando são muito pequenininhos. Depois a vida segue, e vamos percebendo a nossa pequenez, a nossa fragilidade, a poeirinha cósmica que somos. De qualquer maneira, vivemos aqui uma grande jornada - como em toda grande jornada, com coisas bonitas e tristes.
Aí me ocorre - e encerro com isto - o grande Fernando Pessoa, falando da epopeia portuguesa que nos constituiu. Somos este encontro conflitado de conquistadores portugueses, negros africanos escravizados e povos nativos indígenas, muito ameaçados pelo que se anuncia aí. Mas Fernando, falando da epopeia portuguesa, disse, no poema chamado Mar português, algumas coisas muito atuais e que são também meu sentimento, mal me comparando com qualquer desbravador:
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Desejo um Natal de muita grandeza para todos nós e que não esqueçamos que o aniversariante do dia é um menininho frágil que nasceu na periferia de Belém e que não tinha senão um estábulo para ser acolhido. Mas o amor venceu essa precariedade.
Vamos em frente!
Muito obrigado.(Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (André Amaral. Bloco/PROS - PB) - Deputado Chico Alencar, esta Casa perde sem V.Exa. aqui.

DOCUMENTO ENCAMINHADO PELO SR. DEPUTADO CHICO ALENCAR.


Matéria referida:

- Somos o que Fazemos e A Despedida do Historiador 



CHICO ALENCAR, DEPUTADO FEDERAL, REGISTRO, ARTIGO DE JORNAL, ATUAÇÃO PARLAMENTAR, TÉRMINO DE MANDATO.
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