CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sessão: 22.2023 Hora: 14:48 Fase: BC
Orador: Tadeu Veneri, PT-PR Data: 14/03/2023

O SR. TADEU VENERI (Bloco/PT - PR. Sem revisão do orador.) - Obrigado.

Sr. Presidente, Srs. Deputados, Sras. Deputadas, como já foi dito aqui pelo Deputado Chico Alencar, há 5 anos houve o trágico dia da morte de Marielle Franco e do seu motorista Anderson.

Nós nos perguntamos até hoje: Quem matou? Por que matou? Quem foi o mandante?

Deputado Pedro Uczai, eu sei que aqui há diferenças, há divergência de opinião, há divergência de encaminhamento, há divergência inclusive com relação ao dia 14 de março. Aliás, no Paraná, nós aprovamos o dia 14 de março como o Dia Nacional de Combate à Violência Política contra as Mulheres.

Nós podemos ter homenagem a todas as mulheres — é legítimo. Eu ouvi há pouco que se pretende fazer homenagem a uma mulher que salvou crianças durante um incêndio. É legítimo que o façam. Reconhecermos esse ato de uma pessoa salvar crianças de uma creche, mas ele não desqualifica o fato de querermos homenagear a Marielle. O contrário também não seria legítimo.

Uma coisa não tem nada ver com a outra. Apresentem o dia que querem, façam as homenagens que querem, mas não desqualifique uma mulher que morreu lutando. Não se pode ser baixo a ponto de, depois da morte de uma pessoa, não reconhecer que ela morreu por questões políticas; não reconhecer que, até hoje, os mandantes dessa morte não foram, pelo menos oficialmente, nem reconhecidos nem identificados tampouco punidos.

Não dá para desqualificar a imagem de Marielle Franco: uma mulher negra que construiu a sua vida na periferia do Rio de Janeiro, nos morros do Rio de Janeiro; uma mulher que trouxe a nós a esperança de vermos as mulheres de luta chegando a postos que antes eram inimagináveis.

Aqui nós queremos, sim, fazer uma homenagem à Marielle Franco e ao seu motorista. Não se trata de qualquer pessoa. O motivo não foi uma gripe, não foi um processo qualquer, Deputada Benedita da Silva. Ela morreu por estar na luta. As mulheres de luta têm que ser respeitadas. Aquelas que lutaram por elas e por nós têm que ser respeitadas. Não podemos aceitar que homens que não lutaram e não lutam façam um discurso para desqualificar aquilo que nós temos como sendo um grande respeito a todas as pessoas, mas àquelas que lutam e que estão do nosso lado também.

Faço aqui um apelo: se querem apresentar outras pessoas, apresentem, mas não usem a memória de outras pessoas para desqualificar aquelas que deram a sua vida para que nós pudéssemos estar aqui.

Aqui fica o registro.

Marielle Franco e Anderson vivem!

Sr. Presidente, peço que autorize a divulgação do meu pronunciamento no programa A Voz do Brasil.

Obrigado, Sr. Presidente.