CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sessão: 21.2025 Hora: 14:44 Fase: BC
Orador: Tadeu Veneri, PT-PR Data: 12/03/2025

O SR. TADEU VENERI (Bloco/PT - PR. Sem revisão do orador.) - Obrigado, Sr. Presidente.

Srs. Deputados, Sras. Deputadas, hoje, às 11 horas, nós tivemos aqui um ato para lembrar a morte brutal, há 7 anos, de Marielle Franco, que trabalhou a vida toda para que nós tivéssemos um país melhor, para que nós tivéssemos direitos para toda a população.

O Rio de Janeiro perde Marielle, e o Brasil ganha, na parte de história, aquilo que muitos vezes é escondido, aquilo que muitas vezes é deixado de lado, que é a memória de homens e mulheres que lutam todos os dias, para que nós não nos esqueçamos do que aconteceu no nosso País. Passados 7 anos, ainda não foi totalmente revelado o que aconteceu, mas nós sabemos que estão envolvidas pessoas bastante influentes do Rio de Janeiro.

E eu lamento dizer que esse não é um fato isolado. Lembramos ontem que, no dia 11 de maio de 1971, 1 mês e meio após o — entre aspas — "desaparecimento" de Rubens Paiva, o educador Anísio Teixeira, Patrono da Educação Pública Brasileira, também desaparecia. O seu corpo, sem terno e sapatos, foi encontrado no fosso de um elevador cujas vigas tinham 20 cm de distância entre uma e outra. E até hoje não explicaram como o corpo passou por ali. Além disso, o que chamou atenção foi que o corpo foi encontrado no dia 14 e o laudo foi emitido pelo serviço de segurança no dia 12. Ele foi encontrado morto, embora nunca tenha participado de qualquer ato que era designado como de esquerda. Ele foi torturado e morto, e ainda há quem defenda isso. Assim como havia, nos períodos mais trágicos, aqueles que defendiam a tortura, hoje ainda há quem a defenda.

Eu cito aqui o caso da Gilse Cosenza, uma mineira que morreu em 2017. Ela foi torturada por mais de 10 dias e, no final, foi torturada por 3 meses, de todas as formas que imaginarem. Mas o que é o mais bárbaro — e eu venho aqui hoje porque eu acho que a Marielle nos lembra de tudo isso — é que, não contentes com tudo que haviam feito a ela, Sr. Presidente, os torturadores disseram que fariam o mesmo com a sua filha Juliana, que à época tinha 6 meses. Queriam colocá-la numa banheira com gelo para ver quando que ela viraria picolé; queriam colocar fio elétrico nos seus ouvidos para ver se o seu miolo iria torrar. E essas pessoas que fizeram isso são, muitas vezes, defendidas por aqueles da extrema direita que estão aqui.

Por isso, Sr. Presidente, nós vamos dizer: "Anistia de jeito nenhum!"; "Tortura nunca mais!" E o Brasil precisa, sim, ter um Governo decente, um Governo que olhe por todos os brasileiros, que certamente é o Governo do Presidente Lula, que hoje lançou um projeto excelente para o nosso País e, mais do que isso, em um dia simbólico, que é o Dia Nacional Marielle Franco.

Obrigado, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados.

Eu peço, Sr. Presidente, que este pronunciamento seja divulgado no programa A Voz do Brasil.