CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sessão: 199.2019 Hora: 19:00 Fase: EN
Orador: CARMEN ZANOTTO, CIDADANIA-SC Data: 16/07/2019

DISCURSO NA ÍNTEGRA ENCAMINHADO PELA SRA. DEPUTADA CARMEN ZANOTTO.


Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, realizamos na última quarta-feira, 11 de julho, na Comissão de Seguridade Social e Família, um seminário para debater políticas públicas para o câncer de cabeça e pescoço. Promovemos esse evento, nobres Deputados, justamente no Julho Verde. Neste ano, o tema escolhido é: O câncer tá na cara, mas às vezes você não vê.

O seminário também foi uma oportunidade para a coleta de sugestões para a proposta de revisão das Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas do Câncer de Cabeça e Pescoço do Ministério da Saúde, elaborada pelo Grupo de Trabalho Câncer de Cabeça e Pescoço (GTCCP), que conta com a participação de 19 sociedades médicas.

Câncer de cabeça e pescoço é o nome comum dos tumores que nascem na região das vias aerodigestivas, como amígdalas, boca, bochechas, faringe, gengivas, laringe e língua.

Apesar da incidência, o câncer de cabeça e pescoço ainda é pouco falado e é uma doença socialmente carregada de estigmas. Em muitos casos, há a necessidade de mutilação do paciente, e isso faz com que muitas pessoas se afastem do convívio social e sejam discriminadas pela sociedade.

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), os tumores de cabeça e pescoço são mais frequentes em homens na faixa dos 60 anos. Nos anos 1980 e 1990, 80% dos pacientes eram fumantes e alcoólatras acima de 50 anos. Nos últimos anos, no entanto, houve aumento considerável de jovens diagnosticados com o câncer.

Mesmo com a mudança de perfil do paciente, o diagnóstico continua tardio. De cada quatro casos de câncer de cabeça e pescoço, três são diagnosticados em estágios avançados, quando as chances de cura da doença são menores e há possibilidade de mutilação.

Os debates mostraram que o tema continua a merecer atenção especial da Casa e que precisamos avançar para melhorar o diagnóstico precoce e garantir o tratamento na rede pública de saúde. O nosso papel é fortalecer o diálogo com o Ministério da Saúde. Não podemos continuar a perder precocemente vidas porque não foi dada a opção de tratamento.

De acordo com o INCA, a estimativa prevista para 2018 era de 31.980 novos casos de câncer de cabeça e pescoço, sendo 14.700 novos casos de câncer de cavidade oral, outros 9.610 de tireoide e 7.670 de laringe.

Nobres Deputados, quero ainda deixar aqui registrado um dado alarmante: o cigarro é um dos principais fatores de risco para diversos tipos de câncer, e 80% dos diagnósticos de câncer de pulmão estão atrelados ao tabagismo.

Como Presidente da Frente Parlamentar Mista da Saúde, da Subcomissão Permanente da Saúde da Comissão de Seguridade Social e da Família, e integrante da Frente Parlamentar Mista em Prol da Luta contra o Câncer, manifestamos a nossa preocupação com o controle do tabagismo, porque só assim vamos reduzir as doenças, em especial o câncer de pulmão e o câncer de cabeça e pescoço.

É possível, sim, combater o câncer. Agora, como cidadãos, nós também precisamos fazer a nossa parte e combater os maus hábitos. Os fatores de risco do câncer de cabeça e garganta são: tabaco, álcool, HPV e falta de higiene bucal.

Precisamos, portanto, trabalhar muito a prevenção. Parece-me que é muito difícil ainda, no nosso País, essa compreensão de que estaremos evitando algumas causas de câncer, se mudarmos em nós alguns comportamentos.

Durante o seminário para debater as políticas públicas para o câncer de cabeça e pescoço, tivemos a participação de representantes do Ministério da Saúde; da Agência Nacional de Saúde Suplementar; da Associação de Câncer de Boca e Garganta (ACBG Brasil); da ACT Promoção da Saúde; da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC); da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP); da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (SBF); e da Associação Brasileira de Odontologia.

Gostaria de fazer aqui um agradecimento especial à Presidente da Associação de Câncer de Boca e Garganta (ACBG), a catarinense Melissa Ribeiro, uma grande lutadora em prol dos portadores de câncer de cabeça e pescoço e que representa com altivez o Estado de Santa Catarina na luta para ampliar o tratamento na rede pública.

O dia 27 de julho é o Dia Mundial de Prevenção ao Câncer de Cabeça e Pescoço. Desenvolvida nacionalmente pela Associação de Câncer de Boca e Garganta, a campanha busca alertar e conscientizar sobre os fatores de risco dos tumores que atingem a cavidade nasal (nasofaringe), a cavidade oral (orofaringe), a laringe e a hipofaringe.

A iniciativa deu origem ao Projeto de Lei nº 8.086, de 2017, do ex-Deputado Sinval Malheiros, do Podemos de São Paulo, para instituir o mês de julho como Mês Nacional de Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço.

A proposta já foi aprovada pela Câmara e atualmente tramita no Senado. Com a aprovação do projeto, os órgãos públicos poderão elaborar campanhas para incentivar a prevenção e o diagnóstico precoce. Diagnosticada a doença em estágio inicia, as chances de cura podem chegar a 80%.

Peço que o presente pronunciamento seja registrado nos Anais desta Casa e divulgado no programa A Voz do Brasil.