CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sessão: 150.2025 Hora: 09:44 Fase: BC
Orador: Jorge Solla, PT-BA Data: 14/08/2025

O SR. JORGE SOLLA (Bloco/PT - BA. Sem revisão do orador.) - Obrigado, Presidente Benedita da Silva.

Depois do porta-voz do partido do hospício, a gente precisa resgatar, pelo menos um pouco, a capacidade de traduzir a realidade.

Podemos esperar o quê? Quem acha que a Terra é plana e que vacina mata vai achar que Trump é democrata, vai achar que Trump ama o Brasil. Essa é a turma que fica se enrolando na bandeira do Brasil, dizendo que é patriota. Essa é a turma que diz que é contra a pedofilia, mas é a favor de as redes sociais propagarem pedofilia. Essa é a turma que é contra a regulação das redes sociais. Vamos esperar o que dessas pessoas? Não há o que esperar — não há.

O que aconteceu ontem, Deputada Benedita, se não fosse trágico, seria cômico: o Governo dos Estados Unidos cassou o visto de dois funcionários públicos do Brasil — dois funcionários públicos! — que coordenaram o Programa Mais Médicos. Eu liguei para um deles hoje e o parabenizei, porque essa medida é o atestado do sucesso daquele programa. Nós tivemos 10 mil médicos cubanos no Brasil salvando vidas, cuidando de crianças, de gestantes, de idosos, de enfermos. Esses profissionais da melhor qualidade não só prestaram um grande serviço à população brasileira, como também ajudaram a formar novos profissionais.

Felizmente, hoje, em tão pouco tempo — nós estamos falando de cerca de 8 anos, 10 anos —, a gente não precisa mais trazer nenhum médico de fora para o Brasil. Formamos novos profissionais, criamos oportunidades de assistência, de contratação. Depois de 6 anos da tragédia que nós vivemos no Brasil, após o golpe que tirou a Presidenta Dilma, nós reconstruímos todas as políticas públicas, entre elas, com destaque, o Sistema Único de Saúde.

Tentaram dar um golpe novamente, em 2022. É bom lembrar o rol de crimes de Bolsonaro. Não foi cometido somente um crime, não. Ele perdeu a reeleição e tentou dar um golpe de Estado. Esse é um crime de alta relevância. Não é qualquer bandido que tenta dar um golpe de Estado. Quem faz isso não é ladrão de galinha, não! Para tentar dar um golpe de Estado, deve haver oportunidade e forças para fazê-lo. Tentou dar um golpe de Estado. Tentou assassinar o Presidente eleito, o Vice-Presidente eleito e um Ministro do Supremo Tribunal. Tentativa de assassinato não é crime de ladrão de galinha!

Ele é réu confesso de um crime de traição. Ele disse publicamente: "Passei as informações para o Governo Trump". Um ex-Presidente da República tem acesso às informações mais sigilosas do País, tem acesso às informações mais estratégicas do País. Ele teve a cara de pau, Deputada Benedita, de dizer publicamente numa entrevista: "Passei todas as informações para o Presidente Trump e para a sua equipe". Traição! Se esse cidadão fosse americano, estaria preso e, se não pegasse prisão perpétua, pegaria pena de morte. Felizmente para ele, no Brasil não há pena de morte nem prisão perpétua. É a sorte dele!

Ele deve pegar pelo menos 40 anos de cadeia. Ele acha que bandido bom é bandido morto. A sorte dele é não ter conseguido aprovar a prisão perpétua e a pena de morte no nosso País. Não há, no Brasil, outro bandido que tenha cometido, na sequência, três crimes de alta relevância: tentativa de golpe de Estado, tentativa de assassinato do Presidente eleito e alta traição, passando informações sigilosas classificadas para uma potência estrangeira, para um Governo estrangeiro. São três crimes de altíssima relevância!

É um criminoso e, com certeza, não vai escapar da Justiça! A sorte dele é que, no Brasil, bandido bom é bandido preso, é bandido custodiado pelo Estado. O Estado vai cuidar da saúde dele, vai dar comida para ele, vai dar teto para ele. Bandido bom não é bandido morto, não.

O Bolsonaro é o maior bandido que este País já teve. Repito: tentativa de golpe de Estado, tentativa de assassinato do Presidente eleito e alta traição à Pátria, passando informações sigilosas.

Peço, Presidente, que seja divulgada no programa A Voz do Brasil a nossa manifestação.