CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sessão: 018.1.54.O Hora: 11h45 Fase: HO
  Data: 22/2/2011

Sumário

Transcurso do 90º aniversário de fundação do jornal Folha de S.Paulo.

O SR. PAULO TEIXEIRA (PT-SP. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sras. Deputadas, Srs. Deputados, Senadora Marta Suplicy, na pessoa de quem cumprimento os membros da Mesa, senhoras e senhores, comemoramos no último sábado os 90 anos da Folha de S.Paulo. A trajetória do jornal paulista é inseparável da história do jornalismo brasileiro. O jornal trouxe grandes inovações, aprendendo e ensinando com grandes profissionais.
Destaco o papel da Folha nas grandes mobilizações sociais que marcaram a campanha das Diretas Já, que contou com outros meios de comunicação, os quais, em diferentes graus, engajaram-se no apoio às mobilizações que dariam fim ao regime militar.
Destaco, portanto, a participação da Folha na campanha das Diretas Já, mas registro também sua trajetória ao longo do processo de abertura do regime militar, compreendido entre 1975 e 1985. A ascensão de Cláudio Abramo ao posto de Editor-Chefe do jornal, em 1975, transformou a história da Folha, do ponto de vista gráfico e jornalístico. O jornal então tornou-se uma referência num momento de abertura do País, embora em 1977 tivesse de se ajustar às circunstâncias, mas sem perder de vista o modelo que se mostrava vitorioso. Foi esse modelo, de jornal plural e democrático, comprometido com a democracia, que tornou a Folha uma referência naquela quadra histórica.
Quero aproveitar para lembrar o papel de Octávio Frias de Oliveira, o Seu Frias, que se tomou um dos mais importantes empresários da comunicação do Brasil e transformou a Folha em um jornal dos mais influentes do País. Frias foi proprietário do Grupo Folha da Manhã, responsável por editar a Folha de S.Paulo, o jornal Agora, o Universo Online - UOL, o Instituto Datafolha, a Editora Publifolha, a Gráfica Plural e o jornal Valor Econômico, em parceria com as Organizações Globo.
Otávio Frias faleceu em 29 de abril de 2007.
Num momento em que as novas mídias alteram o modo de operar dos conglomerados de comunicação e que a tecnologia aponta um novo rumo na forma de interagir do cidadão com os meios de comunicação, cabe registrar a digitalização de todo o acervo da Folha e de todos os outros que antecederam, a Folha da Manhã e a Folha da Noite.
Essa digitalização, por enquanto colocada à disposição dos internautas gratuitamente, suscita uma reflexão sobre a importância do acesso à comunicação num momento em que se intensifica a discussão sobre os desafios da própria mídia diante das novas tecnologias, que geralmente têm um componente pluralista e democrático e um grande potencial para abalar opções autoritárias.
As novas tecnologias estão alterando as práticas tradicionais do jornalismo. Elas supõem interação com os consumidores de notícias, permitem cada vez mais iniciativas dos simples cidadãos e a pulverização das plataformas de comunicação. Labora, portanto, em erro quem trabalha com a ideia de monopólio de comunicação.
Lembro também, aqui, as palavras da Presidenta Dilma Rousseff, pronunciadas ontem à noite, em evento comemorativo aos 90 anos do jornal. Uma imprensa livre, plural e investigativa é imprescindível na democracia. A multiplicidade de pontos de vista e a abordagem investigativa dos grandes temas de interesse nacional constituem requisitos indispensáveis para o pleno usufruto da democracia e o amadurecimento da consciência cívica de uma sociedade.
Disse ela:
"Um governo que não sabe escutar nas críticas dos jornais a voz dos eleitores não consegue ter um compromisso real com a democracia. Porque a democracia exige o contraditório e a vigilância sobre os governantes (...).
Ao comemorar o aniversário de 90 anos da Folha de S.Paulo, um grande jornal brasileiro, o que estamos celebrando é também a existência dessas liberdades no Brasil".

O exercício do ofício da imprensa no Brasil nem sempre foi fácil. Daí a importância da democracia, que garante a liberdade de expressão e opinião. Hoje, vivemos plena liberdade de imprensa. Na maior parte do tempo, nossa imprensa padeceu de censura, perseguições, com mártires como Vladimir Herzog.
Por isso, num cenário como o de hoje, de plena liberdade, temos mais um motivo para aplaudir a Folha de S.Paulo. Mas isso não deve obscurecer o fato de que, em mais de um momento, divergimos deste jornal, quando ele resolveu assumir projetos que colidiam com aqueles que nós defendemos em nossa sociedade.
Lembro ainda a passagem de um artigo da Presidenta Dilma Rousseff, publicado, no domingo, na Folha de S.Paulo:
"Estamos fazendo as escolhas certas: o Brasil combina a redução efetiva das desigualdades sociais com a sua inserção como uma potência ambiental, econômica e cultural. Um país capaz de escolher seu rumo e de construir o seu futuro, com o esforço e o talento de todos os seus cidadãos."
A imprensa tem um papel importante neste processo se souber canalizar as suas energias para ajudar na formação do povo brasileiro, na construção de um País democrático, plural, sem abrir mão da sua independência.
O Sr. Newton Lima - Sr. Presidente, permita-me um aparte para complementar a fala do Líder. Estivemos juntos, ontem à noite, numa cerimônia, na Sala São Paulo, de muita relevância política para o nosso País, com a presença da Senadora Marta Suplicy e de Sérgio Dávila, a quem cumprimento em nome da bancada do Partido dos Trabalhadores. Quero agradecer, em primeiro lugar, o fato de, naquela cerimônia, após todas as falas ecumênicas dos líderes religiosos, termos sido brindados com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, sob a regência de Isaac Karabtchevsky, com a Sinfonia nº 6, de Villa-Lobos, que emocionou a todos. Quero dizer, complementarmente à fala do nosso Líder, da importância da Folha de S.Paulo, instrumento de comunicação que procura o equilíbrio entre as diversas posições na sociedade. Desde que a Folha de S.Paulo inaugurou a seção Outro Lado, temos observado a oportunidade do contraditório. É fundamental a Folha de S.Paulo continuar trabalhando nessa mesma linha para que todas as opiniões, pontos e contrapontos possam ser colocados para a opinião pública para uma reflexão a cada dia muito mais abalizada. Eu quero agradecer, até porque tive a oportunidade como educador e Prefeito, por ter ocupado a página 3, na seção Tendências e Debates, que me parece absolutamente essencial para o contraponto dos temas de relevância nacional. Peço ao Sérgio Dávila a reconsideração sobre os Cadernos Regionais. Como eu sou do interior da cidade de São Paulo, permita-me, neste momento, dizer da importância da Folha Ribeirão, até para a formação de opinião numa grande região do Estado de São Paulo. E penso que Cadernos Regionais revitalizados serão fundamentais para essa trajetória de 90 anos, tão rica da Folha de S.Paulo, fortalecendo a democracia e certamente nos ajudando no desenvolvimento econômico e social do povo brasileiro e de outras regiões do nosso Estado e do País. Muito obrigado.
O SR. PAULO TEIXEIRA - Concluo parabenizando os jornalistas da Folha de S.Paulo que cobrem este Parlamento, como também a Sra. Maria Cristina Frias e o Sr. Sérgio Dávila, Editor-Executivo do jornal Folha de S.Paulo.
Muito obrigado. (Palmas.)



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