CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sessão: 225.4.51.O Hora: 14h18 Fase: PE
  Data: 04/12/2002

Sumário

Inconveniência da indicação do Embaixador José Viegas para o cargo de Ministro da Defesa.

O SR. JAIR BOLSONARO (PPB-RJ. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Deputado Marçal Filho, a criação do Ministério da Defesa foi um desastre, não pela sua criação — V.Exa. foi o Relator daquela proposta —, mas pelo perfil das pessoas que têm ocupado a sua direção.
Há aproximadamente trinta dias começamos a notar a movimentação do Embaixador José Viegas, em Moscou, a fim de buscar apoio na área militar para sua possível indicação para o Ministério da Defesa. Vale lembrar que o PT e o PCdoB têm excelentes nomes para ocupar esse Ministério. Em que pese a certo desentendimento que tenho com colega do PT, reconheço sua competência e não seria oposição nesta Casa, em hipótese alguma, ao trabalho de S.Exa., porque muito tem de ser feito.
O Embaixador Viegas vem telefonando para oficiais-generais de quatro estrelas da ativa, para saber se eles têm algo contra seu nome. É natural. Se ligasse para qualquer um de nós, para mim ou para V.Exa., eu diria que nada tenho contra o nome dele. Mas traduzir esse telefonema como apoio é uma distância muito grande.
Também há aproximadamente trinta dias, o Presidente Lula queria um encontro com os três comandantes das Forças. O comandante do Exército, Gen. Gleuber Vieira, como porta-voz dos demais comandantes, em nome da ética e da lealdade a Fernando Henrique Cardoso, negou-se a encontrar com Lula.
Agora, depois do sinal verde do atual Presidente da República, o Gen. Gleuber e os dois comandantes das outras Forças terão um encontro com Lula no próximo sábado, juntamente com o Embaixador Viegas, ocasião em que a tal lista de apoio será apresentada.
Vale lembrar um fato ao Presidente Lula: por ocasião do primeiro turno, o Gen. Gleuber proibiu que 11 mil militares da ativa votassem, forçando-nos a ter um segundo turno, já que a massa dos militares da ativa votaria em Lula. Será que o Ministério da Defesa está na cota de Fernando Henrique Cardoso?
O fato mais curioso: o irmão do ex-Ministro Clóvis é amigo do Embaixador Viegas, que também é representante da Rossoboro Export russa. Sabemos que lá se vende tudo através da respectiva máfia. Não estou acusando ninguém de pertencer à máfia ou de com ela negociar, mas parece que, com a indicação do Embaixador Viegas, a equipe do ex-Ministro Clóvis seria mantida no Ministério da Defesa. Sendo assim, estaríamos dando sobrevida não ao Ministério da Defesa, por cuja criação V.Exa. trabalhou, mas ao ministério dos negócios e das negociatas.
Não quero ver o meu, o seu, o nosso Presidente nomear para a Pasta da Defesa pessoas que têm pouco conhecimento do passado. Vale lembrar que, como Embaixador no Peru, nosso querido Viegas apoiou Fujimori até o último momento. Mais grave ainda: usou o nome do Brasil para tentar conseguir asilo para Montesinos, mesmo depois daquele escândalo das fitas.
Na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, à qual V.Exa. já pertenceu, em reunião realizada dia 19 de junho, Lula afirmou: "Acho que as Forças Armadas Brasileiras há alguns anos vêm sendo tratadas como instituição de segunda categoria". E arrematou: "Nossas Forças Armadas precisam ser tratadas com mais respeito".
Modestamente, Jair Bolsonaro concorda com as palavras do Lula. Inclusive, não quero ser Oposição, mas também não quero ser Situação.
Apelo ao nosso Presidente Lula, a quem respeito e admiro por seu passado e sua conquista, para que escolha um dos membros do PT, do PCdoB ou um oficial-general de quatro estrelas para ocupar o Ministério da Defesa, a fim de que possamos ter esperança nesse Ministério da Defesa, o mais importante em qualquer país sério do mundo.
Não queremos que o descaso se perpetue com a nomeação desse Embaixador, tendo em vista o breve currículo que apresentei.



LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA, PRESIDENTE DA REPÚBLICA, INDICAÇÃO, JOSÉ VIEGAS, EMBAIXADOR, MINISTRO DE ESTADO, MINISTÉRIO DA DEFESA, CRÍTICA.
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