CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sessão: 191.4.51.O Hora: 14h8 Fase: PE
  Data: 30/10/2002

Sumário

Agradecimento ao eleitorado fluminense pela recondução do orador à Casa e pela eleição de Flávio Bolsonaro para Deputado Estadual. Repúdio à determinação a militares da ativa, pelo Comandante do Exército Brasileiro, general Gleuber Vieira, de não-participação nas recentes eleições realizadas no País. Expectativa de sucesso do Governo Luiz Inácio Lula da Silva.

O SR. JAIR BOLSONARO (PPB-RJ. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, prezado companheiro Themístocles Sampaio, com satisfação retorno a esta Casa — graças a Deus — para mandato de mais quatro anos, já que fui aprovado no vestibular da reeleição, um dos mais difíceis do País.  
Tenho a honra de dizer que um de meus filhos, Flávio Bolsonaro, com 21 anos, foi eleito Deputado Estadual no Rio de Janeiro, com 32 mil votos. Fui o Vereador mais jovem da História do Brasil e agora um filho meu é também o mais jovem Deputado Estadual.
Homem calejado e velho companheiro de dificuldades, V.Exa. bem sabe, Sr. Presidente, que tive de enfrentar campanha difamatória na Internet e nas ruas. Cartazes foram afixados por todo o Estado divulgando que eu votei a favor da extinção do 13º salário, do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, das férias, da licença-gestante etc. Esses direitos estão garantidos na Constituição, em seu art. 7º, e são considerados cláusulas pétreas. Logo, não há como se votar tais questões.
Infelizmente, Sr. Presidente, campanhas difamatórias ainda são feitas no País em proveito de alguns. Consegui superar o problema porque meus eleitores não são ignorantes, nem acreditaram em tal falácia.
Aproveito para registrar que, lamentavelmente, o Comandante do Exército, general Gleuber Vieira, por decisão própria, determinou que os 11 mil militares da ativa que participaram da segurança nas eleições não votassem.
O general fez isso com o objetivo de me prejudicar e de, ao diminuir a votação em Lula, ajudar Serra a conquistar mais votos no segundo turno. Graças a Deus, para mim e para meu filho esses votos não se fizeram imprescindíveis.
Sr. Presidente, o militar passou, apanhando, os oito anos de Governo Fernando Henrique Cardoso — V.Exa. é testemunha —, e na hora da eleição teve cassado o seu sagrado direito ao voto. Isso é crime, e, por ocasião de uma reforma política, temos de deixar bem claro que o militar é obrigado a votar como outro cidadão qualquer, ou então vamos abolir o voto obrigatório para todos.
No final de setembro, o general Gleuber, proferindo, na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, no Rio de Janeiro, palestra endereçada a mais de 200 oficiais superiores, disse claramente que as candidaturas de origem militar só prejudicavam o Exército Brasileiro em Brasília. Ora, isso é lamentável! Não vou fazer discurso semelhante ao que fez o Deputado Cabo Júlio, a quem dou toda a razão, mas não podemos concordar com uma ingratidão como essa. Sou aqui um dos maiores defensores do Exército Brasileiro. Cabe lembrar que Marinha e Aeronáutica, que também mantiveram unidades de prontidão, adotaram o sistema de rodízio, e todos puderam votar.
Às vezes fica esquecido o trabalho do grande goleiro, mas nunca deixam de exaltar o do artilheiro. Apesar de eu ser de artilharia, nos últimos dois anos não consegui aprovar nesta Casa nada de importante para a classe que represento.
O que consegui, e que reputo fundamental, foi impedir a votação da medida provisória elaborada pelo Dr. Geraldo Quintão — esse símbolo da incompetência — para estabelecer nova remuneração para os militares das Forças Armadas. Os colegas sabem que trabalhamos diuturnamente para que a votação não acontecesse. Sabíamos que, se ela se verificasse no corrente ano, teria seu texto integralmente aprovado. Nosso trabalho foi hercúleo para inviabilizar a votação, de modo que ela ficasse para o futuro Governo — contanto que não fosse de José Serra, é lógico.
Creio ser desnecessário dizer que o voto dos militares no segundo turno não foi para Serra, mas para Lula, na esperança de que o futuro Governo crie uma transição para a implantação da nefasta mudança que tramita nesta Casa como medida provisória. Buscaremos, se não reverter o que perdemos, ao menos assegurar uma transição. O militar não quer nada além disso.
Sr. Presidente, mais uma vez lamento a atitude tomada pelo Comando do Exército durante as eleições no Rio de Janeiro. Além de mim, foram prejudicados vários sargentos, cabos e coronéis da ativa que gastaram na campanha dinheiro do próprio bolso e foram boicotados nas urnas por uma decisão inconseqüente do nosso querido Comandante do Exército, o general Gleuber Vieira.
Agradeço aos eleitores que votaram em mim e em meu filho. Nossa luta continua nesta Casa. Se Deus quiser, teremos mais sucesso no Governo Lula, que espero reverta as injustiças do Governo Fernando Henrique Cardoso.
É o registro que eu tinha a fazer.



COMANDANTE, EXÉRCITO, CRÍTICA. GERALDO QUINTÃO, MINISTRO DE ESTADO, MINISTÉRIO DA DEFESA, MEDIDA PROVISÓRIA, REMUNERAÇÃO, MILITAR, CRÍTICA. EXPECTATIVA, ATUAÇÃO,LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA, CANDIDATO ELEITO, PRESIDENTE DA REPÚBLICA.
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