CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com redação final
Sessão: 393.1.55.O Hora: 15:02 Fase: PE
Orador: CABO SABINO Data: 15/12/2015




O SR. PRESIDENTE (Delegado Edson Moreira) - Concedo a palavra ao Deputado Cabo Sabino. S.Exa. dispõe de 5 minutos.
O SR. CABO SABINO (Bloco/PR-CE. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, internautas que nos acompanham através do site da Câmara dos Deputados, telespectadores da TV Câmara, assessores, todas as pessoas que estão conosco, hoje, aqui, quero dizer que cheguei a este Parlamento pela primeira vez neste ano de 2015.
Quando começamos o ano legislativo, foi um momento de muita alegria e felicidade. Até o fim do nosso primeiro semestre nesta Casa, a mídia repercutia o trabalho da Casa. Por onde nós andávamos, éramos, muitas vezes, interrogados pelas pessoas sobre o andamento de tal projeto, sobre projetos que estavam adormecidos nos porões desta Casa há 21 anos, sobre projetos que não haviam sido colocados em votação e estavam sendo colocados.
Ao final de 6 meses, fez-se um apanhado e constatou-se que nunca se trabalhou tanto como nesta Legislatura, quando comparada a legislaturas passadas.
Então, as folhas dos jornais traziam o lado positivo de um Parlamento que trabalhava e lutava, e, mesmo com muitas pautas-bombas, votavam-se e traziam-se ao plenário pautas de interesse do povo.
Mas hoje, atualmente, dos últimos 6 meses para cá, este Parlamento tem sido alvo não de notícias positivas. As mídias e os jornais são preenchidos exatamente por motivos e por ações que denigrem este Parlamento. A que nós temos assistido nesses últimos meses? A população nos cobra: Até quando? Qual é o cenário que vai mudar este Parlamento?
A nossa Carta Magna, Sr. Presidente, dispõe que os Poderes são independentes e harmônicos entre si, mas eu não tenho visto essa independência toda. Até parece que neste País nós só temos um Poder: o Poder Judiciário. Aí pesa para a população que o Parlamento parece ser o demônio da história, e o Judiciário, os anjinhos.
Eu não quero entrar no mérito aqui se A, B, C é ou não é bandido, e deixo claro que eu não sou a favor de bandido. Vinte e três anos eu passei na polícia, e o que eu fiz foi combater bandidos. Mas este Parlamento, bem como o Senado, tem aberto espaço para que o Judiciário comece a tomar para si atribuições que são deste Parlamento.
Nós soubemos que, na manhã de hoje, a Diretoria-Geral desta Casa foi fechada por policiais federais. Isso é uma vergonha para este Parlamento! Isso é uma vergonha para cada um dos 513 Deputados que aqui estão!
Até que ponto nós vamos suportar isso? Qual é a perspectiva para o povo brasileiro através do Parlamento federal? Quando caminhamos 30 passos, o Presidente do Senado está sob investigação. Quando caminhamos 500 metros, a Presidente da República está com pedido de impeachment. Qual é a perspectiva da política brasileira? Onde nós vamos parar?
Será que nós vamos caminhar para o fechamento do Parlamento e vamos ficar só com o Poder Judiciário neste País? Será que nós vamos sempre aceitar tudo o que vem do Judiciário e não vamos nos impor como Parlamento, que épara se impor conforme dispõe a Constituição Federal? Vamos sempre baixar a cabeça e dizer Sim, senhor;sim, senhora? Vai ser sempre assim?
É esse o Parlamento que nós pregamos para as pessoas, quando pedimos voto nas ruas? É assim que vai ser? Eu tenho visto a Constituição ser resgada. O que nós temos visto aqui é que hoje nós somos procurados, nós somos o alvo.
Sinceramente, eu acho que neste Parlamento há homens sérios e mulheres sérias. Eles são a maioria ou quase a totalidade, para nós darmos um basta a determinadas ações.
Quem é bandido tem realmente que ser preso lá na sua casa, ou onde quer que seja. Agora, invadir esta Casa, entrar aqui, fechar a Diretoria-Geral, entrar em gabinetes de Deputados, botar o povo para fora? Sinceramente, eu acho que nós chegamos a um momento insuportável. Nós não podemos aceitar isso.
Muito obrigado.