CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com redação final
Sessão: 393.1.55.O Hora: 14:52 Fase: PE
Orador: DANILO FORTE Data: 15/12/2015




O SR. PRESIDENTE (Delegado Edson Moreira) - Concedo a palavra ao Deputado Danilo Forte, por 5 minutos.
O SR. DANILO FORTE (PSB-CE. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, éum prazer voltar a esta tribuna num momento tão conturbado da vida nacional, num momento de tantos desencontros. Hoje, a nossa Casa encontra-se muito desmantelada com toda a operação que foi feita pela Polícia Federal, mas isso é também um símbolo do funcionamento das instituições. E uma instituição como a Câmara dos Deputados não pode faltar ou se negar à sua obrigação de debater aqui os grandes temas nacionais.
E eu venho a esta tribuna hoje para comemorar. Mesmo com tantas dificuldades, com tantos desencontros na economia, com o medo do retorno da carestia, que faz com que a população mais carente do País fique indignada com a possibilidade de entrar janeiro com o preço da gasolina a 4 reais, do gás de cozinha a 60 reais e com aumento dos impostos sendo aumentados, em âmbito municipal, estadual e federal, eu venho aqui com um motivo de alegria de todos nós, cearenses, que temos na fé uma esperança.
Essa esperança foi plantada e sedimentada por um jovem cearense nascido no Crato que conseguiu estudar e se formar na Diocese de Crato, que se transformou no maior mito da Igreja Católica e de todo o Nordeste brasileiro e que agora o Vaticano reconheceu pela sua obra, pelo seu êxito, pela sua capacidade de gerar milagres. Eu estou aqui fazendo uma referência e uma deferência especial ao perdão que a Igreja Católica, depois de 100 anos, concedeu a esse grande cearense, o Padre Cícero Romão Batista.
Para nós, o Padre Cícero é exatamente o emblema da nossa luta pela sobrevivência. O grande feito e o maior milagre dele, sem sombra de dúvida, foi ter constituído Juazeiro, hoje a Capital do Semiárido nordestino.
E esse Padre Cícero é reconhecido em todo o Nordeste brasileiro pela coragem que teve, diante das causas populares, de defender os mais pobres e os mais humildes, enfrentando inclusive as oligarquias que mandavam no Nordeste da época, como foi inclusive a sua contribuição para o fim da oligarquia dos Accioly, no Estado do Ceará. É essa valentia, essa coragem, que se somou à indignação de uma região que sempre foi preterida, que sempre foi colocada em segundo plano pelos governos centrais do Brasil, seja na época do Império, seja na da República antiga, na da República Nova e nos tempos modernos. É essa mesma região que clama hoje pelo reconhecimento da necessidade de se enfrentar a estiagem que nós estamos vivendo pelo quinto ano consecutivo.
E o que fez Padre Cícero 100 anos atrás? Fez apenas estimular a dignidade e canalizar a indignação dos produtores rurais, dos agricultores daquela época, que tiveram a coragem de dizer: Nós temos um líder, nós temos um santo homem que nos dirige no caminho da fé, da esperança e que nos dá força para que possamos exatamente dizer que o Nordeste existe e que o Nordeste precisa sobreviver.
E foi com a manufatura, com o ensinamento das aptidões daquela região e com sua vocação comercial e empresarial que o Cariri cearense tornou-se um verdadeiro oásis no meio do Semiárido nordestino, uma região pujante, uma região de crescimento, uma região de industrialização. Esse é o seu verdadeiro milagre.
E o seu maior milagre foi ter dado perspectiva a que essas pessoas pudessem entender que, a partir do seu esforço, a partir da canalização das suas preocupações, a partir da sua coragem de fazer o enfrentamento, elas podem ter melhoria na sua qualidade de vida. E foi isso que ele fez, com muita competência.
De novo, aproveito para comemorar aqui esse reconhecimento da Igreja Católica ao nosso grande santo, ao maior santo do Ceará, que é o Padre Cícero Romão Batista. E aproveito também para pedir a todos que continuem essa luta pela dignidade, porque hoje corremos o risco de o Governo Federal, diante das suas dificuldades econômicas, cortar o maior e mais importante programa social no que diz respeito à sobrevivência, àsubsistência da família nordestina, que é exatamente o Bolsa Família.
Esta Casa jamais pode aprovar um corte de 10 bilhões de reais nesse programa social, que é de fundamental importância, principalmente num momento como este em que Nordeste enfrenta o quinto ano consecutivo de seca. Nós temos que fazer esse enfrentamento. Nós temos que dizer não a essa atitude que deteriora a vida das pessoas simples e garante novamente o pagamento dos juros, sendo o Brasil o pagador da maior taxa de juros do mundo hoje.
No ano passado, o País pagou 311 bilhões de reais em juros. Este ano, já está pagando 480 bilhões de reais emjuros e nega 10 bilhões de reais para quem mais precisa neste momento de tanta aflição.
Essa é a mudança que nós precisamos fazer. Espero que a energia, a força e a coragem de Padre Cícero possam nos iluminar para que consigamos continuar na luta do povo nordestino.
Meu muito obrigado, Sr. Presidente.