CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com redação final
Sessão: 393.1.55.O Hora: 18:42 Fase: OD
Orador: ROBERTO ALVES Data: 15/12/2015


O SR. ROBERTO ALVES
(Bloco/PRB-SP. Pronunciamento encaminhado pelo orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, estamos vivendo dias de grande dificuldade neste Parlamento. As relações pessoais começam a se sobrepor ao bem comum, e o que foi ontem parece não servir para o hoje.
No referente ao processo de impeachment em exercício, confesso que nos últimos dias tenho estudado muito sobre o tema e que
, no dia de hoje, acredito ser extremamente importante debater sobre o assunto e colher o máximo de informação possível. Tenho avaliado cada item para consolidar a minha posição no que tange ao meu voto.
A Presidente Dilma Rousseff foi a primeira mulher a presidir esta Nação. Teve uma história de superação frente a grandes adversidades
, e sua trajetória no Governo do Presidente Lula a credenciou para ser eleita e reeleita Presidente do Brasil, uma Nação democrática.
Agora, no que se refere ao processo de impeachment
, o aceite por parte de nosso Presidente vem no sentido de dar acolhimento à denúncia procedida por alguns brasileiros, entre eles o ex-Deputado Federal Hélio Bicudo, de que a Presidente atrasou de forma proposital o repasse de dinheiro para bancos — públicos e também privados — e autarquias, como o INSS, no episódio que foi batizado de pedaladas fiscais.
Na análise do Governo, a manobra é legitima
, e o objetivo do Tesouro e do Ministério da Fazenda era melhorar, mesmo que temporariamente, as contas federais. Ao deixar de transferir o dinheiro, o Governo apresentava todos os meses despesas menores do que elas deveriam ser na prática e, assim, o mercado financeiro e especialistas em contas públicas mantinham sua credibilidade na gestão pública federal.
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, não devemos permitir que nenhum malfeito, seja na administração pública, seja na iniciativa privada, seja passado à luz da história de maneira impune.
Como representante do povo paulista, que em sua grande maioria, 64,31% de seus eleitores, no segundo turno não optaram pela Dilma, tenho o dever ainda maior, de forma a demonstrar que foi tomada pela consciência da postura proba que é necessária na administração pública e não por revanchismo ou clamor daquele ou deste setor da sociedade.
Se as pedaladas, enfim, forem caracterizadas como crime de responsabilidade, este Plenário dará a resposta adequada. O que não podemos permitir é que se estabeleça um tribunal de inquisição, onde
, de forma rasteira e distante do bem comum, revanchistas, por ocasião da derrota nas urnas, queiram a todo custo exercer o poder que emana da vontade popular.
Aproveito, Sr. Presidente, para dizer à população que todos os meus atos serão compartilhados na análise deste pedido de impeachment
, que já começou com diversos atropelos e está inclusive paralisado por conta de uma liminar concedida pelo Supremo Tribunal Federal. Mas que a justiça realmente seja feita, sempre em prol do bem comum.
Como representantes do povo, precisamos dar exemplo em qualquer passo público ou privado. É o que estamos tentando
, na defesa da soberania de nosso País, no progresso responsável e na conduta ilibada como bandeira para a gestão pública.
Precisamos manter a calma, acirrar os ânimos e defender a democracia e o que for respaldado pela Constituição. Que Deus abençoe o Brasil.