CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com redação final
Sessão: 386.1.55.O Hora: 15:16 Fase: PE
Orador: SILAS FREIRE Data: 09/12/2015




O SR. PRESIDENTE (Alberto Fraga) - Concedo a palavra ao penúltimo orador deste período, o Deputado Silas Freire.
O SR. SILAS FREIRE (Bloco/PR-PI. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, estamos vivendo no País um momento de turbulência. Embora eu ache que a admissibilidade do processo de impeachment da Presidente tenha tido como combustível algo que não é legal, acho que qualquer homem público pode ser submetido a um processo de impeachment, tanto eu quanto a própria Presidente Dilma ou até o meu líder religioso, o Papa Francisco. Temos que ter cautela e, se encontrarmos culpabilidade, claro, julgarmos da maneira mais correta possível.
Mas eu fico me perguntando, Sr. PresidenteAlberto Fraga: o que eu digo para o povo da minha terra com esta Casa ainda sendo presidida pelo Deputado Eduardo Cunha?
Eu fico me perguntando o que eu vou dizer, amanhã, quando chegar a minha casa, aos meus filhos, que assistem todos os dias aos canais de televisão inflamados de denúncias contra o nosso Presidente. O que vou dizer a eles, Sr. Presidente, quando eles me perguntarem: Pai, tu ainda vais voltar àquela Casa para ser chefiado e comandado por aquele homem denunciado? Eu tenho três filhos menores. Eu sóqueria ter essa resposta.
Embora eu concorde que todos têm direito a defesa, o Presidente Eduardo Cunha não tem mais condição de presidir esta Casa, não tem mais condição de presidir estes trabalhos. Eu queria fazer um apelo a ele, no sentido de que se afastasse da Presidência, para que a coisa corresse com lisura e para que eu tivesse o que dizer aos meus filhos e ao povo da minha terra.
Eu repito aqui: impeachment é, sim, natural para o homem público. Eu não chamo o processo de impeachment de golpe, mas, num processo de impeachment, é preciso se ter cautela. E, se for merecido, podem me impedir. Se for merecido, temos que impedir o mais alto escalão, até a Presidente da República, mas temos que analisar o processo com cautela e com as mãos limpas.
Se for comprovado algo de errado que justifique o impeachment, eu tenho certeza de que este Brasil vai às ruas, e, indo o Brasil às ruas, esta Casa corresponderá. Mas a Direção desta Casa sob a Presidência de um Deputado com todas essas acusações, embora ainda não condenado, deixa esta Casa sob suspeita. Por isso, eu quero demonstrar a minha preocupação de continuarmos dirigidos pelo Deputado Eduardo Cunha.
Por outro lado, Sr. Presidente, quero registrar que nesta semana nós tivemos o imbróglio do Movimento Polícia Legal, da Polícia Militar do meu Estado. Quinze prisões foram decretadas. Lá estive na segunda-feira, negociando com o Governo do Estado, conversando com o Tribunal de Justiça, ao lado dos Deputados Rocha e Subtenente Gonzaga. Conseguimos sensibilizar o Governo para abrir uma negociação. Conseguimos também sensibilizar o Tribunal de Justiça para revogar as prisões que estavam decretadas dos 15 militares.
Tenho que voltar ainda hoje à noite para o Piauí. Há rumores de que prisões serão efetuadas agora, de forma administrativa, enquanto aqueles militares estavam reivindicando apenas melhores condições de trabalho e, acima de tudo, promoções efetivas, condignas para que quem não nascesse soldado morresse soldado.
Talvez eu não esteja aqui amanhã na sessão, porque estou indo ao meu Estado tentar intermediar esse acordo. Acho que o entendimento é o melhor caminho. E tenho a convicção de que o lugar de polícia é nas ruas e não na cadeia.
Os atosque tenham cometido, os excessos que possam ter cometido, tudo isso tem que ser apurado. Cada um que pegue, responsavelmente, administrativamente, a sua punição. Mas lugar de polícia é na rua, protegendo a sociedade, e não na cadeia.
Encerro esta minha fala, Sr. Presidente, pedindo ao País que não pare. Há pouco, um Deputado que me antecedeu lembrou: Nós do Nordeste estamos vivendo uma seca terrível e não podemos ficar atentos apenas aos problemas políticos. Temos que estar acordados para o sofrimento do povo do Semiárido do nosso País.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Alberto Fraga) - Muito obrigado.