CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com redação final
Sessão: 386.1.55.O Hora: 15:06 Fase: PE
Orador: MARCONDES GADELHA Data: 09/12/2015




O SR. PRESIDENTE (Alberto Fraga) - Concedo a palavra ao Deputado Marcondes Gadelha.
O SR. MARCONDES GADELHA (Bloco/PSC-PB. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, de volta às lides parlamentares, após um hiato prolongado, quero, primeiramente, consignar o meu respeito a esta Casa, à instituição legislativa em geral e aos seus elevados propósitos.
Historicamente, Sr. Presidente, o Congresso Nacional tem sido a referência mais significativa da prevalência dos valores democráticos neste País. E há de ser sempre assim.
Sei que assumo o mandato em um momento agônico da nacionalidade, com o acolhimento do pedido de impeachmentcontra a Presidenta da República. Nada obstante, Sr. Presidente, eu espero que a vida administrativa continue fluindo normalmente, até porque, na vida real, as necessidades continuam ingentes e não dão trégua.
Neste momento, por exemplo, uma seca impiedosa se abate sobre o Nordeste, com efeitos desastrosos, uma seca que se arrasta há 4 anos, com a perspectiva ominosa de mais 1 ano com chuvas abaixo da média. É a pior seca em 1 século, e qualquer silêncio sobre esse assunto chega a ser criminoso.
Pior do que o silêncio, Sr. Presidente, é a omissão, a indisposição para agir, ou agir em sentido contrário, que é o que parece que o Governo está fazendo.
Senão, vejamos. Essa seca impõe dois tipos de responsabilidade: uma de médio prazo, que é antecipar a conclusão das obras de transposição de águas do Rio São Francisco; e a outra de curtíssimo prazo, que é prover água aqui e agora para o abastecimento humano, porque todos os mananciais estão esgotados. E a incerteza do futuro gera um sentimento que evolui da aflição para o pânico generalizado.
A transposição estava prometida para 2008, Sr. Presidente. Estamos com 7 anos de atraso. Até parece que no Semiárido cada um de nós matou um gato e pegou 7 anos de atraso.
O SR. PRESIDENTE (Alberto Fraga) - Deputado Marcondes Gadelha, peço queconclua, porque temos que iniciar o Grande Expediente, e alguns colegas querem falar.
O SR. MARCONDES GADELHA - Como dizia, até parece que cada um de nós no Semiárido matou um gato e pegou 7 anos de atraso.
Alega-se falta de recursos. Mas, agora mesmo, homologamos um déficit fiscal de 120 bilhões de reais, recursos que sumiram, e ninguém sabe por qual ralo. Cento e vinte bilhões de reais dariam para fazer 15 obras de transposição de águas do Rio São Francisco. Tudo isso, mais do que um paradoxo, configura, na verdade, uma punhalada nas costas do povo nordestino, que sempre votou em candidatos do sistema; que sempre foi uma caça guardada do PT.
Sr. Presidente, pior do que isso, mais delicado e mais urgente, é a necessidade de se prover água imediatamente para o abastecimento humano. A cidade de Campina Grande está com racionamento no abastecimento de água — são 4 dias sem água —, e a minha cidade, Souza, está com todos os mananciais esgotados. A única perspectiva que temos é a abertura de poços artesianos. Mas o Governo que contribuiu para esta crise corta agora recursos do Ministério da Integração Nacional.
Voltarei a este assunto, Sr. Presidente.
Obrigado pela sua atenção.