CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com redação final
Sessão: 386.1.55.O Hora: 14:38 Fase: PE
Orador: PROFESSORA MARCIVANIA Data: 09/12/2015




O SR. PRESIDENTE (Carlos Manato) - Concedo a palavra à Deputada Professora Marcivania, sempre muito gentil com esta Presidência.
A SRA. PROFESSORA MARCIVANIA (PT-AP. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, eu queria só comentar aqui a fala do Deputado Pr. Marco Feliciano. A Oposição foi muito feliz em escolher o dia 13 de dezembro, quando se comemora a edição do Ato Institucional nº 5, o AI-5. Então, é uma bela confissão do que estão fazendo.
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, o Brasil vive um daqueles momentos determinantes de sua história política. Confrontam-se forças antagônicas, com projetos e compromissos claros, bem distintos e definidos. O pretenso acatamento de um dos pedidos de impeachment pelo Presidente desta Casa, no dia 2 de dezembro, representou apenas o ápice de um clima de intensa polarização que já vem de algum tempo e se intensificou com a reeleição da Presidenta Dilma.
Acima de tudo, vivenciamos uma turbulência promovida por setores que efetivamente não se conformam com a derrota nas urnas e querem, a qualquer preço, retomar o comando do País, mirando satisfazer os seus interesses pessoais e daqueles setores econômicos que representam.
O comportamento dos segmentos da Direita do Brasil, na Oposição, comparado ao dos setores de centro-esquerda na Argentina, ambos derrotados nos últimos pleitos eleitorais, é uma clara demonstração de como se comportam cada um desses grupos, do grau de compromisso que possuem com as instituições e com as respectivas democracias.
O que se observa aqui é que, para serem colocados de volta no poder, todos os meios são justificáveis. Não importa o risco que se impõe ao País, não importa quem são os possíveis aliados, não importam as incoerências que revelam, não importa o preço que a sociedade vem pagando e poderá vir a pagar; o que importa é saciar uma sede de poder.
Sabemos todos nós aqui nesta Casa o quão custoso tem sido para o Brasil processos como esses, marcados pela irresponsabilidade e pelo desinteresse nas grandes causas do País. Historicamente, governos que se pautaram pela implementação de políticas de inclusão social e que asseguraram decisivos direitos aos trabalhadores e às classes mais frágeis de nossa sociedade têm sido boicotados pela elite nacional, e as medidas e mecanismos utilizados para esse intento têm custado muito caro ao Brasil.
Já poderíamos ter uma realidade social e econômica muito mais resolvida nacionalmente, já poderíamos ser uma Nação muito mais desenvolvida neste momento, não fosse a interrupção abrupta, violenta e criminosa de governos que efetivamente buscavam esses objetivos.
O resultado tem sido o atraso, o sacrifício de milhões de vidas e a humilhação do Brasil diante de acordos e relações internacionais marcadamente desiguais e exploratórias, aos quais fomos submetidos pelas mesmas forças econômicas e políticas que agora tentam retomar o poder no Brasil, lançando mão de mais do mesmo, ou seja, medidas golpistas, ilegítimas e antidemocráticas.
O Brasil é outro país neste momento,porque vem diminuindo a sua desigualdade social, possui alternativas concretas de relações internacionais, vem aumentando a sua classe média, tirando milhões da pobreza, e, essencialmente, é imbuído de um projeto de nação que mira colocar o País numa posição de destaque entre as grandes nações desenvolvidas do planeta, e não submissa aos interesses das grandes nações que sempre nos exploraram economicamente.
Temos problemas a resolver, sim, há uma crise econômica a ser vencida, há vícios em instituições manifestados através de atos de corrupção e apadrinhamentos, há déficits em áreas sociais cruciais e há demandas por investimentos em áreas estratégicas que não podem mais esperar. Contudo, Srs. Parlamentares, já está evidente que os governos que efetivamente se mostram aptos a enfrentar esses grandes problemas são os que vêm sendo tocados por Lula e agora por Dilma. Uma simples e honesta ponderação de dados, com mínima panorâmica histórica, deixa isso muito evidente.
Fui uma das que defendeu e defendo uma postura aguerrida e de enfretamento por parte de meu partido e da Esquerda aos setores que ameaçam a democracia brasileira e o funcionamento desta Casa, utilizando-se de chantagens e do poder de que estão investidos para perfazer manobras, mirando atender aos seus interesses. Eu o fiz porque tenho clareza de que o nosso partido e a Esquerda não podem se furtar aos seus compromissos históricos e aos desafios que o momento político nos impõe. A depender de nossa ação política e dos seus desdobramentos, poderemos ter um País mais evoluído e fortalecido social, política e economicamente, ou então uma Nação que, mais uma vez, estaciona e recua no tempo.
Não somos qualquer partido. A Esquerda brasileira e seus ideais não são marginais em nossa sociedade. E a sociedade brasileira está mais amadurecida, ciente de que poderemos, sim, ser um grande País e que isso dependerá, única e exclusivamente, de todos nós.
Acima de tudo, estamos prontos para o bom combate, para a boa disputa política,e vamos defender a nossa democracia, as nossas instituições e os resultados positivos que o Brasil vem protagonizando de forma aguerrida e compromissada, seja neste Parlamento, seja nas ruas.
O Brasil e os brasileiros, temos certeza, não cederão diante de marchas desesperadas e abjetas, como as que vêm sendo protagonizadas aqui nesses últimos dias. O País merece mais e espera mais de todos nós.
Muito obrigada.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Manato) - Eu que agradeço a V.Exa., nobre Deputada.