CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com redação final
Sessão: 386.1.55.O Hora: 17:32 Fase: GE
Orador: BENEDITA DA SILVA Data: 09/12/2015





:;Gravado por Silvia (5842) em 14/12/2015 09:32:10;: O SR. PRESIDENTE (Gilberto Nascimento) - Concedo a palavra àDeputada Benedita da Silva.
A SRA. BENEDITA DA SILVA (PT-RJ. Pela ordem. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, desde ontem, nós estamos ouvindo a Oposição falar que os pobres não aguentam mais, que a população brasileira não quer mais a Presidenta e que nós estamos matando o povo de fome.
Há uma contradição, porque quem tirou mais de 36 milhões de pessoas da miséria foi o Governo da Presidenta Dilma, depois do Presidente Luís Inácio Lula da Silva.
Quer dizer que não é um golpe quererfazer o impedimento da Presidenta Dilma, que, superando todas as dificuldades que a conjuntura exige, continua com seus programas sociais? Querem dar um golpe no Bolsa Família, porque não entendem que o programa é a maior transferência de renda feita para essas pessoas que aqui a Oposição diz estar defendendo.
Essas pessoas, antes de Lula e antes da Presidenta Dilma, não tinham uma transferência de renda que pudesse garantir com dignidade a sua alimentação. Não havia o PRONATEC para que ele, o pobre, pudesse estudar e ter uma profissão. Eles querem dar um golpe, verdadeiramente, na transposição do Rio São Francisco, que vai ajudar quem? O Nordeste. Eles não entendem que, quando nós falamos que querem dar um golpe, não éapenas na personalidade, na figura central deste País, que é a Presidenta Dilma. Ela é responsável, sim, por colocar a economia no eixo, para fazer a inclusão e o desenvolvimento, mas com uma Oposição consequente, com uma Oposição responsável.
Portanto é golpe, sim, o que nós vimos ontem aqui, o que acabamos de ver agora no Conselho de Ética. Então vem dizer que isso é ético? Vem falar de moral, de ética para nós? É muito fácil falar em nome dos pobres, mas eu quero ver os pobres se manifestando, olhando para este Congresso e vendo que nada mais está fazendo a Oposição senão tirar a possibilidade da continuidade dos programas que os pode inserir.
Sr. Presidente, eu peço a V.Exa. tolerância, para que eu leia O Valioso Tempo dos Maduros. Mário de Andrade expressa este momento:
Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.
As primeiras ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniõesonde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário-geral do coral. As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa.
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana, que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade.
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade.
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!
Sr. Presidente, muito obrigada.