CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sem redação final
Sessão: 371.3.54.O Hora: 19h56 Fase: OD
  Data: 12/11/2013


PRONUNCIAMENTOS ENCAMINHADOS À MESA PARA PUBLICAÇÃO


O SR. PLÍNIO VALÉRIO (PSDB-AM. Pronunciamento encaminhado pelo orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, é pelo menos curiosa e estranha a iniciativa do Governo de mandar visitar o Uruguai, nos próximos dias, uma delegação oficial, composta de autoridades federais e do Estado do Rio Grande do Sul, para, segundo informam os jornais, alertar as autoridades de Montevidéu a respeito do projeto de lei que legaliza a venda e o cultivo de maconha, que está para ser votado este mês naquele país. O Brasil estaria preocupado — e, por isso, tentando se meter em um assunto que só interessa ao povo uruguaio — com as consequências do projeto para o país de Mujica e os outros os países da região.
Para começar, é um evidente disparate essa intromissão indébita em assuntos internos do Uruguai. A Presidente Dilma Rousseff deveria ter pensado duas vezes antes de tomar decisão tão mal inspirada
, ela que tem falado tanto, ultimamente, em soberania, por conta de achar que está sendo espionada pelo governo americano.
Não é, de forma alguma, o caso de ser favorável ou contrário à legalização da maconha. Vale lembrar que, do ponto de vista do Brasil, mergulhado em uma pandemia de crack e em uma guerra, tão inútil quanto malsucedida, contra uma praga que já contaminou toda a sociedade, não dá para perceber em que aspecto a venda de maconha no Uruguai, por acaso, poderia piorar ainda mais a situação. E muito menos que tipo de orientação o Brasil poderia dar, nesse aspecto, ao governo de Pepe Mujica. O Brasil, que está perdendo a batalha contra a droga, por falta de uma política realista e eficaz, não tem a mínima condição de ensinar qualquer coisa, nessa área, ao Uruguai. Há uma série de assuntos, como corrupção, tráfico de drogas, violência, situação carcerária, procedimento legal para conter o avanço da droga, etc., em que o Brasil não está em condições de dar lições a ninguém
, muito especialmente ao povo uruguaio, que tem cultura e qualidade de vida, para ficar apenas em dois aspectos, muitíssimo superiores às que nós temos aqui.