CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com reda����o final
Sessão: 290.2.53.O Hora: 15:00 Fase: PE
Orador: NELSON BORNIER, PMDB-RJ Data: 25/11/2008


O SR. NELSON BORNIER
(Bloco/PMDB-RJ. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, assomo a esta tribuna para falar acerca um segmento da sociedade que já não sabe para quem apelar diante da corrida desenfreada do custo de vida. Esse segmento é a classe média, Sr. Presidente, que faz o papel do marisco no embate das ondas do mar contra o rochedo.
Tudo arrebenta nas costas da classe média, condenada a desaparecer das estatísticas, por sempre arcar com os autos e baixos da economia nacional, onde só uma pequena parcela se beneficia e o resto se limita a compor os números da densidade demográfica nacional.
Constantemente, os organismos encarregados de avaliar o desempenho da economia do País anunciam que a inflação está dentro do previsto para o mês.
Causa espécie, Sr. Presidente, a maneira como se falta à verdade neste País exibindo números maquiados que não condizem com a realidade e com o dia a dia da população.
Como se não bastasse o descompasso entre os números oficiais e o bolso de cada cidadão brasileiro, estamos diante de perspectivas sombrias, tendentes a elevar ainda mais os preços de tudo, energia elétrica, das telecomunicações, dos combustíveis, etc.
Ora, Sr. Presidente, nem precisa ter bola de cristal para antever o reflexo negativo do aumento do custo de vida no país.
De nada adianta dizer que não temos inflação, porque isso não é verdade. A classe média é sempre a mais prejudicada porque não pode prescindir do concurso do automóvel, das telecomunicações e de tantos outros componentes da chamada modernidade que nem sempre estão ao alcance dos menos favorecidos.
Apenas para exemplificar, Sr. Presidente, citaríamos a cesta básica que teve um aumento considerável com relação ao ano passado. Por seu turno, o trabalhador gasta para poder comprá-la pelo menos 60% do salário mínimo líquido.
Nas cidades de Florianópolis, Porto Alegre e Brasília, a alta dos preços recrudesceu de maneira violenta. No Rio de Janeiro, a situação também não é diferente. O carioca não escapou da alta dos preços dos produtos básicos. E, como desculpa, afirma-se que o principal motivo da elevação dos preços de alguns alimentos é devido a entressafra prolongada.
Diante de tudo isso, Sr. Presidente, fica difícil admitir que esses aumentos não estivessem em cogitação no período anterior às últimas eleições nacionais.
Decididamente, o brasileiro não tem o que comemorar. Ano que vem, não será diferente, a menos que o Governo reveja essa política de submissão aos interesses externos que tanto compromete a soberania nacional.
Era o que tinha a dizer.