CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com redação final
Sessão: 257.3.52.O Hora: 14h44 Fase: PE
  Data: 21/09/2005

Sumário

Repúdio à depredação, por populares, de prédios e de viaturas de órgãos públicos no Município em Goianésia do Pará, sob alegada falta de segurança. Exigência aos órgãos competentes de identificação e punição dos culpados.




O
SR. ZEQUINHA MARINHO (PSC-PA. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras, Deputadas, Srs. Deputados, além de lamentar a ocorrência dos fatos, venho a esta tribuna pedir enérgicas providências para a identificação dos culpados pela onda descontrolada de violência que atingiu neste final de semana o pacato Município de Goianésia do Pará, situado às margens da PA-150, no sudeste do meu Estado.
Segundo as notícias, tudo teria começado quando populares quiseram linchar alguém acusado de estupros que estariam sendo praticados há 2 meses naquele Município sem que as autoridades policiais pudessem identificar o autor. A partir da destruição da Delegacia, o quebra-quebra se alastrou de forma incontrolável.
A ira popular contabilizou 11 prédios e 25 veículos, a maioria pertencentes ao Estado e ao Município, totalmente destruídos por incêndios criminosos. Revoltada, uma turba de cerca de 2 mil pessoas, conforme números levantados pelos Serviços de Inteligência tanto da Polícia Civil quanto da Polícia Militar, transformaram as principais ruas da cidade em verdadeiro campo de batalha.
Sob gritos de guerra, os populares cobraram maior segurança pública para o Município. Falta de segurança seria o principal motivo da revolta popular, mas há quem acredite em retaliação política com o objetivo de atingir a administração do Prefeito Itamar Cardoso, que estava aqui em Brasília quando foi informado do que estava acontecendo.
A casa do Prefeito foi totalmente queimada. Só parte das paredes restaram em pé. Também foram destruídas a garagem da residência e a serraria do Prefeito. Os ocupantes da residência tiveram que fugir, para evitar serem vítimas de violência física. Centenas de toras de madeira estocadas foram queimadas.
Após destruir a Delegacia de Polícia, a multidão seguiu para a Secretaria de Saúde, bem próxima. Além de tocar fogo no prédio, houve saque de medicamentos. A próxima parada foi o quartel da guarnição da Polícia Militar, cujo prédio também foi todo destruído. Uma camionete Toyota do Exército, guardada na garagem do quartel PM, foi igualmente destruída. Do prédio, só ficou em pé a fachada. Os próximos alvos foram a Câmara de Vereadores e a Secretaria de Educação do Município, local em que o prejuízo também foi muito grande. Junto com parte do prédio, foram destruídos documentos de alunos, históricos escolares, provas e a história da escola. O depósito foi alcançado pelas chamas e os produtos destinados à merenda escolar foram danificados. Mas ainda houve tempo para a prática de saques de gêneros alimentícios. O fogão destinado ao preparo da merenda, assim como uma obsoleta máquina de escrever Olivetti, usada para controlar o estoque da mercadoria, também sucumbiram.
Da Secretaria de Saúde a turba se dividiu, Enquanto uma parte foi para a casa do Prefeito Itamar Cardoso, outra seguiu para a sede da Prefeitura. O que aconteceu ali não foi diferente do ocorrido nos outros locais.
O prédio da Secretaria de Obras e o anexo, onde ficavam a garagem e a oficina, viraram cinzas. Estavam na garagem 3 caçambas, duas ambulâncias, um ônibus escolar, uma camionete Toyota da Fundação Nacional de Saúde, 2 tratores, entre outros veículos. Todos foram atingidos pelas chamas. Outro ônibus que estava na porta da Prefeitura foi totalmente queimado, assim como o prédio do Executivo Municipal. Um caminhão-baúda Prefeitura, estacionado ao lado, também não escapou. Próximo à Prefeitura ficava o Fórum, onde igualmente funcionava o Cartório Eleitoral. Foi outro alvo dos manifestantes.
O prédio do Hospital Municipal, com dezenas de doentes internados, teve que ser evacuado. O hospital só não sofreu a ação da turba porque o dia tinha começado a amanhecer e os primeiros reforços policiais chegavam àcidade, vindos de Tucuruí, Jacundá, Breu Branco e Tailândia, Municípios maiores e próximos a Goianésia. Também seguiu para Goianésia um contingente da Polícia Civil de Marabá, sob o comando do delegado Edvaldo Machado.
Versão dá conta que há cerca de 2 meses surgiu em Goianésia a história de que um indivíduo, ainda não identificado, teria cometido uma série de estupros no Município. As vítimas preferidas seriam jovens e menores, caso ainda não confirmado pela Polícia. No sábado, houve o desaparecimento da menor T.C.L., 5 anos de idade, uma deficiente mental, surda e muda. Ela é filha de Simone Cristina e pai não declarado, e mora na rua Jandaia, nº 187, Bairro da Floresta. Ela foi vista pela última vez em companhia de um homem moreno, estatura mediana, sendo arrastada para dentro de um matagal. O sumiço da garota logo se espalhou pela cidade, levando todos a pensar que se tratava de mais uma ação do estuprador ainda não identificado.
A área onde viram o homem entrar com a criança foi toda revirada, mas ninguém foi encontrado até à tarde de ontem. Há a possibilidade, assim acreditam algumas pessoas ouvidas pela imprensa, de que, depois de violentada, a menor possa ter sido morta e o seu corpo desovado em outro local.
Até o final da tarde de domingo, já tinham sido presos cerca de 20 homens, suspeitos de terem liderados a rebelião. Os nomes não foram fornecidos, mas o delegado Waldir Freire informou que pessoas identificadas como Nilton e Fernando seriam os principais líderes do vandalismo. Para o delegado, tudo indica que o pandemônio teve mesmo motivação política, visando atingir a administração do Prefeito Itamar Cardoso. Nilton e Fernandes seriam adversários políticos de Itamar.
Sem quartel e sem delegacia, as Polícias Militar e Civil estão sediadas em uma das escolas da cidade. É onde estão também detidos os suspeitos. A Polícia recuperou, na casa de alguns dos presos, aparelhos de fax, CPUs e monitores de computadores, além de medicamentos. Esse fato aumenta ainda mais a suspeita contra os que já estão recolhidos. Alguns foram autuados em flagrante.
Nesta oportunidade, manifestamos nossa solidariedade ao Prefeito da cidade e às famílias ordeiras e de bem pelo sofrimento, constrangimento e dificuldades por que estão passando.
Ontem, o Prefeito Itamar Cardoso esteve em Brasília tentando reunir-se com diversas autoridades. Neste momento, S.Exa. busca encontrar-se com o Governador do Estado, pleiteando recursos para começar a reconstruir os prédios públicos e reestruturar a história documental do Município.
Por outro lado, queremos também manifestar a nossa indignação com esse tipo de acontecimento que sófaz desgastar a imagem do Estado do Pará nos meios de comunicação de massa. Infelizmente, ainda convivemos com pessoas que se aproveitam de algumas situações para provocar prejuízos e desmoralizações, como éo caso do ocorrido no Município de Goianésia do Pará.
O problema não teve origem só a falta de resposta da Polícia à prática de crimes de estupro, mas, acima de tudo, teve motivação política. Determinados grupos de pessoas nunca aceitaram a vitória do Prefeito Itamar Cardoso nas eleições do ano passado e, aproveitando-se dessa circunstância, provocaram tremendo tumulto na cidade, cometendo crimes de toda a ordem, destruindo prédios e veículos públicos, veículos públicos, enfim, causando um prejuízo sem tamanho ao Município.
Daqui, mais uma vez, fazemos um apelo ao Governo do Estado, como também à Polícia Federal — porque a verdade é que houve crime de natureza federal —para que investiguem a fundo o ocorrido, identifiquem os culpados e todos aqueles que incentivaram a prática dos crimes ali cometidos. Não acredito que apenas a ira por parte de algumas pessoas tenha originado tudo que ali aconteceu. Dezessete pessoas já foram presas e estão sendo levadas para a Capital do Estado, mas eu acredito que muitas outras ainda serão identificadas, indiciadas e punidas. Elas se aproveitaram da situação para saquear, para furtar computadores das repartições públicas, produtos destinados à merenda escolar e medicamentos.
Sr. Presidente, solicito a V.Exa. que faça divulgar, nos meios de comunicação de Casa, este pronunciamento em que manifestamos repúdio a esse acontecimento e cobramos das autoridades competentes a rigorosa apuração dos fatos e punição de todos aqueles envolvidos nessa grande baderna, nesse crime cometido contra a ordem pública no Município de Goianésia do Pará.


DEPREDAÇÃO, PATRIMÔNIO PÚBLICO, POPULAÇÃO, MUNICÍPIO, GOIANÉSIA DO PARÁ, PA, REPÚDIO, AUTORIDADE LOCAL, APURAÇÃO, RESPONSÁVEL, PUNIÇÃO, REIVINDICAÇÃO.
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