CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com reda����o final
Sessão: 253.1.52.O Hora: 12:02 Fase: BC
Orador: VIGNATTI, PT-SC Data: 06/11/2003




O SR. VIGNATTI (PT-SC. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, os indicadores econômicos divulgados nos últimos dias apontam que o Brasil retoma o ritmo de crescimento.
Pesquisa do IBGE mostra recuperação da atividade industrial, apontando um crescimento de 4,3% em setembro e de 6,9% no trimestre. O crescimento deste mês confirma o ritmo de alta que em julho já assinalava o índice positivo de 0,4%.
Contribuíram para a retomada o bom desempenho setorial da indústria de eletrodomésticos, produtos farmacêuticos, automóveis, máquinas agrícolas, móveis e insumos industriais.
A retomada do crescimento da indústria sinaliza o efeito cascata que vai ocorrer em outras áreas da economia. Sempre que a indústria apresenta crescimento, ele se reflete em outros setores num processe de reprodução em cadeia. Atémesmo a agricultura passa a melhorar com a compra de maquinário. Deste modo, o comércio acaba vendendo mais e os serviços são impulsionados.
Outra constatação que revela otimismo é o resultado positivo da balança comercial brasileira. Depois de 10 anos acumulando índices negativos, a conta corrente do Brasil passa a ter saldo positivo, apontando, em setembro 2003, a sobra 3,6 bilhões de dólares.
É preciso recordar que, em 1998, o País chegou a acumular um saldo negativo na ordem de 33 bilhões de dólares, o que equivalia a 4,3% do Produto Interno Bruto, o índice mais baixo dos últimos 30 anos.
O resultado do balanço de pagamentos representa a diferença entre o saldo comercial e os gastos com serviços e pagamento dos juros da dívida externa. É a reserva de recursos que possibilita tornar o País menos dependente dos credores estrangeiros.
Contribui para essa situação o resultado das exportações, especialmente para mercados anteriormente não explorados, como o da China. A China tornou-se o segundo maior importador de produtos brasileiros, sobretudo de soja e de minério de ferro, cujas exportações cresceram 74% no último ano.
A boa cotação dos produtos no mercado internacional possibilitou um acréscimo de 21% ao valor das exportações nos 9 primeiros meses de 2003.
O Governo estima que o saldo da balança comercial no final do ano será de US$ 22 bilhões, o que proporcionará ao País situação mais confortável em relação ao exterior.
Às vésperas da eleição de 2002, a realidade econômica indicava um futuro sombrio para o País. Os indicadores revelavam uma situação de queda do PIB que havia alcançado 7,33% no primeiro semestre do ano. Os dados mostravam que o Governo gastava mais, as famílias menos e o País importava mais do que exportava, situação bem diferente da atual.
O Produto Interno Bruto em 2002 teve taxa de crescimento real positiva em 1,52%, representando US$ 450.882 milhões.
Ao mesmo tempo em que a euforia toma conta de nossa economia, anunciando que o País está saindo da recessão, alguns fatores preocupam. Entre eles, as demandas agregadas que o crescimento pode gerar. Rápido crescimento da produção industrial vai demandar mais matéria-prima das indústrias química e petroquímica, mais energia para impulsionar as máquinas e mais estradas para escoamento da produção. Esses setores trabalham no limite da produção e, em alguns casos, como o da química, acumulam carências. No caso do transporte e energia, houve falta de investimentos dos últimos Governos e teremos de correr contra o tempo para tentar suprir a necessária infra-estrutura que dásuporte a uma retomada brusca do crescimento econômico. É previsível que, se a economia crescer a galope, ficará difícil suprir o parque industrial com a energia necessária. O setor foi privatizado e há dúvidas se osinvestimentos feitos garantem o atendimento da demanda necessária para impulsionar a economia.
Mas, sob todos os pontos de vista, ver o País saindo do atoleiro é gratificante para uma nação que precisa se firmar no cenário internacional.
Era o que tinha a dizer.
Muito obrigado.