CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com reda����o final
Sessão: 253.1.52.O Hora: 11:20 Fase: BC
Orador: REINALDO BETÃO, PL-RJ Data: 06/11/2003




O SR. REINALDO BETÃO (Bloco/PL-RJ. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, nobres colegas Parlamentares, subo a esta tribuna hoje com muita alegria e entusiasmo para parabenizar as Fundações Ataulfo de Paiva e FIOCRUZ e em especial a Governadora Rosinha Garotinho pelo reinício das obras da fábrica de vacina BCG localizada na Baixada Fluminense, especificamente no Distrito Industrial de Xerém, Duque de Caxias, Estado do Rio de Janeiro, região de maior incidência de tuberculose do País.
Essa fábrica tem um potencial fantástico, possui mais de 1.500 metros quadrados de instalações modernas e sofisticadas, salas para manipulação de vírus e equipamentos de última geração. E estava com suas atividades paralisadas há mais de 3 anos.
Em funcionamento, essa fábrica tem condições de produzir 60 milhões de doses de vacina por ano, sendo que o Brasil necessita de apenas 15 milhões. O restante seria exportado para países onde a doença tem se tornado mais intensa, especialmente na África, na Ásia e na América Latina. O mundo necessita de 200 milhões de doses por ano. O Brasil exportaria um produto de alto valor agregado e de grande impacto social. Seríamos o segundo produtor do mundo dessa vacina.
Outro ponto positivo a que faço menção, e que repercute muito no desenvolvimento econômico e social do nosso Brasil, é que sua operação poderá gerar 500 empregos qualificados. Isso éexcelente, Sr. Presidente, principalmente num momento como este, em que o País enfrenta sérios problemas de desemprego.
Pelo exposto, Sr. Presidente, a retomada das obras de tão importante fábrica como a da vacina BCG, em Xerém, representa enorme progresso para o País, e é, portanto, digna de ser parabenizada a parceria realizada entre as Fundações Ataulfo de Paiva e FIOCRUZ, instituições de excelência nas áreas da ciência e tecnologia em saúde, bem como produção de vacinas e medicamentos.
Destaco ainda o empenho irrestrito do Sr. Eduardo Eugênio, Presidente da FIRJAN; do próprio Ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, que estava presente, e da Governadora do Estado do Rio de Janeiro, Rosinha Garotinho, que corajosamente retiraram o projeto da gaveta e tornaram realidade o reinício das obras.
Sr. Presidente, apesar de estar febril, com atestado médico, não poderia deixar de vir a esta tribuna manifestar meu contentamento com o reinício das fábricas de vacinas BCG, em Xerém, Duque de Caxias, distrito industrial da Baixada Fluminense.
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, quero ainda manifestar minha indignação com a situação caótica em que vive a saúde pública no meu Estado do Rio de Janeiro.
Fiquei perplexo com a matéria veiculada no último dia 2, domingo, no programa Fantástico, exibido pela TV Globo. O descaso, tanto com o ser humano quanto com o dinheiro, o desrespeito e a ineficiência são fatos rotineiros encontrados diariamente no Hospital Estadual Albert Schweitzer, em Realengo, Zona Oeste.
A reportagem denotou com bastante clareza, Sr. Presidente, qual é a visão e a importância dadas à saúde pelo Governo do Estado. Certamente, a mais negativa possível. Rostos assustados, filas por toda parte, doentes atendidos precariamente em corredores esburacados. Uma calamidade.
Outro exemplo de omissão das autoridades cariocas está logo na entrada do setor de emergência. A triagem éfeita por um guarda, que indaga ao paciente os seus sintomas. A pessoa só é atendida se estiver muito mal, quase morrendo.
Foi mostrado também que a fachada do hospital está suja e com infiltrações; falta vagas nas enfermarias; os pacientes passam dias em macas estreitíssimas nos corredores abafados; os parentes équem fazem o trabalho que deveria ser dos profissionais de saúde; os frascos de soro ficam pendurados em pregos, nas paredes do corredor transformado em enfermaria; instalações elétricas
estão expostas; não há extintores de incêndio; a sujeira está por todo lado; dos quatro elevadores, apenas um funciona, em péssimas condições. Enfim, tudo é improvisado e o tratamento é desumano.
Outro absurdo, Sr. Presidente, é que os defuntos são transportados no mesmo elevador em que são levados outros materiais utilizados em cirurgias, além de comida e lixo hospitalar.
É lamentável, Sr. Presidente, que a população, sufocada com tanta carga tributária, esteja refém da falta de gestão do Estado.
Era o que tinha a dizer, Sr. Presidente.
Muito obrigado.