CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com reda����o final
Sessão: 253.1.52.O Hora: 11:14 Fase: BC
Orador: EDUARDO VALVERDE, PT-RO Data: 06/11/2003




O
SR. EDUARDO VALVERDE (PT-RO. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, também declaro meu sentimento de pesar pelo recente falecimento da decana escritora Raquel de Queiroz, que exaltou nas suas obras a valentia e a firmeza do povo nordestino. Nas suas principais obras há um conteúdo social extremamente profundo, em face da sua militância nas correntes progressistas que tentavam, por meio da poesia, do conto, transformar a realidade nordestina.
Com relação àquela visão de país moderno, de país livre, de região democrática, em que a população pudesse vencer o coronelismo que sempre pautou a região nordestina, hoje podemos averiguar que o sonho de Raquel de Queiroz passa a tornar-se realidade quando a economia brasileira começa a dar sinais de reaquecimento para o desenvolvimento sustentado.
Indicativos apontados pelos principais institutos de pesquisa econômica mostram que a economia brasileira passa, a partir de agosto, a apresentar sinais positivos de crescimento, não o ocasional, episódico, mas o crescimento que aponta para a sustentabilidade, afirmando e confirmando que as políticas adotadas no começo do Governo, embora medidas firmes, eram necessárias para tirar o País de mais de 8 anos de letargia, quando a economia brasileira cresceu em média em torno de 2,5% ao ano, incapaz sequer de absorver o grande contigente de jovens que buscavam o mercado de trabalho como fonte de vida e de renda.
O pensamento poético e firme da escritora Raquel de Queiroz hoje nos dá o sentimento de que toda a sua luta, todo o seu instrumento de luta, que foi o conto e a poesia, para nós, políticos, principalmente para os setores progressistas da sociedade, que, como ela, lutou durante décadas para transformar este País, começa a tornar-se realidade. O atual cenário social e político permite que esses milhões de anônimos, registrados poeticamente nas obras de Raquel de Queiroz — as suas Marias Mouras, as suas três Marias, as Raimundas, que têm uma vida dura lavando roupas, enfrentando os canaviais, enfrentando as situações perversas da caatinga doNordeste —, possam sentir-se cidadãos brasileiros, ao romperem os grilhões e varrerem os coronéis do Nordeste.
Hoje, o Brasil, dentro de uma nova feição de país democrático, passa a colher essa nova etapa do nosso desenvolvimento e da nossa democracia, tornando-se um país voltado para todos os cidadãos.
Ainda temos de vencer resistências profundas, porque as elites do País permanecem vivas, ainda permanecem como foram estampadas nas obras de Jorge Amado, Rachel de Queiroz e tantos outros escritores que retratam a historiografia da elite brasileira. É necessário, dentro de uma nova visão, de uma nova ótica, recontar a nossa história,libertando os brasileiros para um novo viver, para um novo horizonte de um país capaz de dar a seus filhos o direito de serem cidadãos, de tornarem-se livres e poderem, eles próprios, apontar seus destinos.
Louvo Rachel de Queiroz. Perde o Brasil uma de suas maiores escritoras, que rompeu, inclusive, com o machismo que reinava na Academia Brasileira de Letras, tornando-se a primeira mulher a sentar-se na Cadeira de Imortal.
Finalizo, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, elogiando o Governo brasileiro em sua atitude firme e correta ao fechar acordo com o Fundo Monetário Internacional de igual para igual. Foi um acordo soberano, diferentemente do que até então tinha sido feito. O Brasil sempre se rendeu às exigências do Fundo Monetário Internacional, mas hoje, de maneira soberana, tratando de igual para igual, confirmando o caminho correto que hoje percorre nossa economia, sentou-se com o Fundo Monetário Internacional para fechar um acordo cujo protagonista não é mais o FMI, mas o Governo brasileiro.
Era o que tinha a dizer.