CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com reda����o final
Sessão: 253.1.52.O Hora: 09:52 Fase: BC
Orador: EDUARDO SCIARRA, PFL-PR Data: 06/11/2003




O
SR. PRESIDENTE (Dr. Hélio) – Concedo a palavra ao nobre Deputado Eduardo Sciarra.
O SR. EDUARDO SCIARRA (PFL- PR. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, cidadãos radiouvintes, telespectadores e visitantes virtuais do sistema de comunicação social da Câmara dos Deputados, a produção agrícola, o agronegócio, a família rural e a própria credibilidade econômica do Paraná e do Porto de Paranaguá estão ameaçados por mais um desmando inconseqüente e marqueteiro do Governador do Estado. Sua decisão de proibir a comercialização, o transporte e a manipulação portuária da soja transgênica no Paraná só serve para fortalecer campanha de desorientação movida pelo obscurantismo ecológico. E, além de mergulhar em um horizonte de insegurança e incerteza os produtores e as cooperativas do nosso e de outros Estados, afugenta as indústrias produtoras de óleo de soja com o fantasma do desabastecimento e, repito, lança descrédito sobre o Porto de Paranaguá, que hoje rivaliza com o de Santos em termos de volume e valor de exportações do complexo-soja para o mundo inteiro.
Como é do seu feitio, o Sr. Governador do Paraná agiu pensando apenas em atrair o brilho fugaz dos holofotes da mídia, sem nenhuma preocupação com o futuro do nosso Estado e o bem-estar da família rural paranaense.
Nosso Estado, até hoje, deu um testemunho potente e vibrante da possibilidade de se compatibilizar a pequena ou média propriedade familiar com a mais moderna tecnologia e os melhores métodos gerenciais do agribusiness em benefício da prosperidade geral.
No intuito de preservar e ampliar esse patrimônio coletivo, defendendo a liberdade de escolha de produtores e consumidores, numerosas associações e entidades, sob a égide da federação da agricultura do Estado do Paraná, vêm advogando o estabelecimento de regras legais que permitam a qualquer interessado rastrear a origem dos gêneros agrícolas colocados no mercado. Existem nichos legítimos e igualmente lucrativos para produtos transgênicos, não-transgênicos e orgânicos (esses últimos cultivados sem utilização de fertilizantes e defensivos químicos). Normas claras e seguras de rastreabilidade são a solução para o problema, ao passo que os surtos autopromocionais do Governador só servem para confundir e mistificar a opinião pública e convencer os produtores e as cooperativas paranaenses e seus homólogos de outros Estados, que escoam sua produção através de nossas estradas e do Porto de Paranaguá, de que o Paraná não é mais um Estado sério, porque sujeito a imprevisibilidade de um governante, especialista na criação de factóides.
Nada mais eloqüente na descrição dessa trágica farsa que o recente comentário do cineasta e jornalista Arnaldo Jabor na Rádio CBN. Abro aspas para ele: No mundo inteiro, a soja serve para produzir alimento, remédios e proteína. No brasil, ela serve para promover o marketing de governadores. O retrato do Governador do Paraná, se exibindo diante do MST, com uma cesta de legumes na cabeça, parecendo a Carmem Miranda, travando sua heróica luta contra os transgênicos e sublime [...] a soja virou um produto ideológico do PMDB para promover o Governador, ajudado por seu irmão, que toma conta do Porto de Paranaguá, outro Requião, em um explícito nepotismo de cais [...] a imprensa deveria perguntar quanto está custando para o Brasil esse heroísmo que mantém paradas no porto 63.000 toneladas, conclui Jabor.
Para terminar, informo que o meu Partido da Frente Liberal decidiu apresentar Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) ao Supremo Tribunal Federal contra o gesto irresponsável do Sr. Governador e em defesa da economia do nosso Estado, das nossas cooperativas de pequenos e médios produtores rurais familiares, da manutenção dos empregos e investimentos da indústria transformadora da soja no Paraná, e por último, mas não em último, da imagem de eficiência e modernidade duramente conquistada pelo Porto de Paranaguá.