CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com redação final
Sessão: 237.1.53.O Hora: 14h32 Fase: PE
  Data: 12/09/2007

Sumário

Transcurso dos 34 anos do golpe militar ocorrido no Chile.




O SR. ARNALDO JARDIM (PPS-SP. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, há 34 anos, também num 11 de setembro, os povos amantes da democracia recebiam, com indignação, a notícia de que os militares chilenos derrubaram o Governo de Allende.
Com o golpe, de uma virulência até então desconhecida mesmo para os padrões latino-americanos, o país amigo era lançado à vala comum das ditaduras que assolavam nossa América. Basta lembrar que, aqui no Brasil, vivíamos os anos de chumbo do regime militar, com Médici ocupando o Palácio do Planalto.
Sentia-se, como não poderia deixar de ser, um profundo desalento. Allende carregava, como sua mais vibrante bandeira de lutas, a idéia de que o socialismo poderia chegar ao poder dentro das estritas disposições democráticas, constitucionais, ou seja, pela decisão livre de um povo, devidamente expressa nas urnas. Era a idéia dos que defendiam a convivência pacífica entre os 2 sistemas protagonistas de uma guerra fria, que já durava, então, quase 30 anos e que, por ser fria, não eramenos cruel, menos injusta e devastadora que as demais guerras.
Assim não entendiam os militares chilenos, apoiados e estimulados pelos americanos, estes incapazes de admitir que existe e que pode existir a paz entre os contrários, a igualdade de direitos dentro da diversidade ideológica e que a paz era — como, aliás, continua sendo — o objetivo de todos nós que vivemos dentro da fraternidade humana. Assim, qualquer palavra, qualquer ação discordante em Cuba, na Nicarágua e, por fim, no Chile, nada mais seria que a intromissão de Moscou nos negócios das Américas, o que, vale observar, somente poderia ser feito pela política ianque. Era como dizer que nosso destino não poderia ser decidido no Kremlin, mas na Casa Branca, o que dá no mesmo, já que a questão da soberania de cada país jamais fora considerada.
Uma política assim tão caolha não poderia prosperar. Assim, pertinaz e tenazmente, nossa gente foi fazendo o rearranjo de forças democráticas, permitindo que prevalecessem os ideais comuns de liberdade e justiça, para que se institucionalizasse a democracia e pudéssemos, juntos, reconstruir a grande jornada da liberdade em cada país.
Com as dificuldades reconhecidas, o Chile assumiu uma modernização econômica e social que lhe permite exibir índices magníficos não apenas de crescimento, mas de um desenvolvimento voltado aos interesses daquela grande Nação. O povo chileno, também como o povo brasileiro, abandonou os subterrâneos da liberdade e retornou à luz clara de nosso sol para reconstruirmos uma nação dilacerada pelos muitos anos de repressão e arbítrio.
O 11 de setembro é uma data tristemente marcada no calendário dos povos amantes da paz e da fraternidade. Também nesse dia, há6 anos, a insanidade de um fundamentalismo religioso inteiramente desligado das questões que a humanidade enfrenta e procura resolver, como um todo, fez com que ataques terroristas liquidassem com a vida de milhares e milhares de cidadãos americanos ou residentes nos Estados Unidos.
Pela televisão assistimos a cenas de horror, assombro, desencanto, medo e sobretudo de condenação a esse agir despropositado e de comprovada alienação frente aos anseios do ser humano. É que as discordâncias, as dissidências não se podem transformar em ódio, sob pena de impedirem o diálogo e, com isso, fazer com que não se chegue a solução alguma. Demais, o ódio é um sentimento mesquinho e amesquinhador e sua morada, por isso mesmo, não pode ser o coração do homem, porque ali, exatamente ali florescem nossos amores e nossos quereres, nossa idéia de luz e amplidão, nossa concepção de espaço livre onde todos possam caminhar, ombro a ombro, desfilando ao som de um hino, o da fraternidade humana. Para isso, aliás, fomos feitos.
Temos, portanto, a obrigação de condenar um terrorismo sem fronteiras, mas também sem bandeiras, já que é, de si, a negação mesma dos princípios fundamentais que, século após século, amalgamaram o ser e o agir humanos.

Muito obrigado.


GOLPE DE ESTADO, REGIME MILITAR, PAÍS ESTRANGEIRO, CHILE, ANIVERSÁRIO, HISTÓRIA, AVALIAÇÃO.
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