CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com redação final
Sessão: 237.1.53.O Hora: 14h30 Fase: PE
  Data: 12/09/2007

Sumário

Transcurso do cinqüentenário de falecimento do escritor José Lins do Rego. Encaminhamento de requerimento de indicação à Ministra-Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para a construção da Usina Termelétrica da Paraíba. Agradecimento ao Deputado Waldir Neves pela recepção à comitiva de Deputados em visita ao Município de Bonito, Estado de Mato Grosso do Sul.




O SR. RÔMULO GOUVEIA (PSDB-PB. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, ocupo a tribuna desta Casa para lembrar o cinqüentenário do falecimento do escritor paraibano José Lins do Rego, autor do livro Menino de Engenho, seu primeiro romance, e Fogo Morto, um marco na literatura regionalista nacional, dentre outras obras importantes.
José Lins do Rego Cavalcanti nasceu no Engenho Corredor, Município de Pilar, na Paraíba, no dia 3 de julho de 1901, filho de João do Rego Cavalcanti e de Amélia Lins Cavalcanti.
Passou toda a infância no Engenho Corredor, onde vivenciou as tranformações econômicas e sociais trazidas pela substituição dos antigos engenhos pelas modernas usinas de açúcar, mais tarde retratados em sua obra.
Fez seus estudos básicos em Itabaiana e depois em João Pessoa, na Paraíba, tendo entrado, em 1920, para a Faculdade de Direito do Recife, formando-se em 1923. É dessa época sua amizade com Gilberto Freyre e sua colaboração com a imprensa de Pernambuco, tendo também fundado um semanário chamado Dom Casmurro.
Após casar com D. Filomena Masa Lins do Rego, foi exercer as funções de promotor na cidade Munhuaçu-MG e logo após, em 1926, vai para Maceió-AL como fiscal de bancos, cargo que permanece até 1930.
É na capital de Alagoas que José Lins do Rego intensifica sua participação na imprensa e passa a integrar um grupo de escritores do qual faziam parte Graciliano Ramos, Raquel de Queiroz, Jorge de Lima, Aurélio Buarque e muitos outros importantes intelectuais da época. Integrou também o Grupo Regionalista do Nordeste.
O primeiro romance de José Lins do Rego, Menino de Engenho, foi publicado em 1932 e lhe rendeu o Prêmio da Fundação Graça Aranha. Essa obra virou filme em 1965, pelas mãos do cineasta Walter Lima Jr. Muda-se definitivamente para o Rio de Janeiro em 1935, onde exerceu a diplomacia e colaborou com diversos períodicos daquela cidade. Em 1943, publica seu romance maior Fogo Morto, síntese do ciclo do açúcar. No ano de 1944, em missão oficial, vai a Argentina e ao Uruguai, onde pronuncia várias conferências sobre literatura brasileira.
José Lins do Rego foi eleito em 1955 como membro da Academia Brasileira de Letras, passando a ocupar a Cadeira nº 25, na sucessão de Ataulfo de Paiva. Em 12 de setembro de 1956, vítima de complicações hepáticas, faleceuno Rio de Janeiro, no Hospital dos Servidores do Estado.
Quem melhor definiu José Lins do Rego foi ele próprio:
Dezembro de 1947.
Tenho quarenta e seis anos, moreno, cabelos pretos, com meia dúzia de fios brancos, um metro e 74 centímetros, casado, com três filhas e um genro, 86 quilos bem pesados, muita saúde e muito medo de morrer. Não gosto de trabalhar, não fumo, durmo com muitos sonhos, e já escrevi 11 romances. Se chove, tenho saudades do sol, se faz calor, tenho saudades da chuva. Vou ao futebol, e sofro como um pobre diabo. Jogo tênis, pessimamente, e daria tudo para ver meu clube campeão de tudo. Sou homem de paixões violentas. Temo os poderes de Deus, e fui devoto de Nossa Senhora da Conceição. Enfim, literato da cabeça aos pés, amigo de meus amigos e capaz de tudo se me pisarem nos calos. Perco então a cabeça e fico ridículo. Não sou mau pagador. Se tenho, pago, mas se não tenho, não pago, e não perco o sono por isso. Afinal de contas, sou um homem como os outros. E Deus queira que assim continue.
O Estado da Paraíba, através da Fundação Espaço Cultural José Lins do Rego, elaborou uma série de atividades culturais para reverenciar a memória de JoséLins do Rego, numa semana comemorativa que envolve música, cinema, teatro e literatura.
Assim, fica o registro do cinqüentenário da morte de José Lins do Rego, um dos maiores escritores paraibanos.
Sr. Presidente, aproveito a oportunidade para informar que estou dando entrada nesta Casa a requerimento de indicação à Ministra-Chefe da Casa Civil, Sra. Dilma Rousseff para, junto àempresa PETROBRAS, viabilizar a implantação do projeto da Usina Termelétrica da Paraíba.
Ao mesmo tempo, Sr. Presidente, em nome de um grupo de Deputados que esteve no Estado de Mato Grosso do Sul, quero agradecer ao Deputado Waldir Neves, do PSDB, a receptividade, o carinho com que recebeu todos nós naquele belo Estado, na cidade de Bonito.
Muito obrigado.


JOSÉ LINS DO REGO, ESCRITOR, ANIVERSÁRIO DE MORTE, CINQUENTENÁRIO, HOMENAGEM PÓSTUMA. CENTRAL TERMOELÉTRICA, PB, IMPLANTAÇÃO, DEFESA. WALDIR NEVES, DEPUTADO FEDERAL, AGRADECIMENTO.
oculta