CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com redação final
Sessão: 237.1.53.O Hora: 14h18 Fase: PE
  Data: 12/09/2007

Sumário

Falecimento da líder sindical Maria Ednalva Bezerra.




A SRA. FÁTIMA BEZERRA - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem.
O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Tem V.Exa. a palavra.
A SRA. FÁTIMA BEZERRA (PT-RN. Pela ordem. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, ontem de madrugada as mulheres trabalhadoras perderam a companheira, líder sindical e incansável defensora dos direitos das mulheres Maria Ednalva Bezerra, Secretária Nacional sobre a Mulher Trabalhadora da Central Única dos Trabalhadores —CUT. A companheira Ednalva, que estava internada desde a madrugada do dia 3 de setembro acometida de grave infecção provocada por meningite, faleceu às 21h do dia 10 de setembro.
Ednalva estava no Hospital Madre Teodora, na cidade de Campinas, interior de São Paulo. Segundo o diagnóstico dos médicos que acompanhavam o caso, o quadro era irreversível. O corpo será velado hoje, das 13h às 16h, no CETEC, Cemitério da Saudade de Campinas, em São Paulo, e o enterro acontecerá em Campina Grande, na Paraíba, onde ela nasceu e iniciou sua militância nos movimentos sindicais e populares. Recentemente tive o orgulho de participar da Marcha das Margaridas em sua companhia.
Sr. Presidente, a paraibana Maria Ednalva Bezerra de Lima, que nos deixa aos 47 anos, foi professora licenciada em Letras com especialização em Educação. Militante de esquerda desde muito jovem, participava da Associação do Magistério Público do Estado da Paraíba — AMPEP. Em 1984 teve participação ativa na organização da greve de 100 dias em seu Estado por melhores salários e condições nas escolas públicas. Após a criação do Sindicato, integrou seu Conselho Diretor no período de 1984 a 1990. Coordenou a Comissão Estadual de Mulheres da Central Única dos Trabalhadores do Estado da Paraíba de 1989 a 1994, tendo sido membro da Comissão Nacional sobre a Mulher Trabalhadora da CUT nos anos 1989 a 1997. Entre 1994 e 1997 exerceu o cargo de Secretária de Políticas Sociais da CUT/Paraíba. De 1997 a 2000 foi suplente da Direção Executiva Nacional da CUT e paralelamente coordenou o Núcleo Temático de Gênero, responsável por desenvolver subsídios e reflexões teóricas e metodológicas sobre capacitação em gênero para a política nacional de formação da CUT.
Ainda em 1997, Ednalva passou a coordenar a Comissão Nacional sobre a Mulher Trabalhadora da CUT, tarefa que exerceu até 2003. Nessa época, por ocasião do VIII Congresso Nacional da CUT, graças à organização e ao trabalho das mulheres no interior da Central, coordenado por ela, foi aprovada a resolução congressual criando a Secretaria Nacional sobre a Mulher Trabalhadora da CUT.
Primeira mulher eleita como membro efetivo da Direção Executiva da CUT Nacional desde 2001, Maria Ednalva assumiu o cargo de Secretária Nacional sobre a Mulher Trabalhadora da CUT, mandato que iria até 2009.
Além dessas atribuições, Maria Ednalva, como representante nacional pela CUT, foi membro do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República do Brasil, foi consultora do Coletivo de Mulheres, Educação, Intervenção e Ação Social — COLMEIAS, foi membro da Comissão Tripartite de Igualdade de Oportunidades e de Tratamento de Gênero e Raça no Trabalho, do Ministério do Trabalho e Emprego, representou a Secretaria Nacional sobre Mulher Trabalhadora nas Jornadas Brasileiras pelo Direito ao Aborto Legal e Seguro, integrou o Núcleo de Reflexão Feminista sobre o Mundo do Trabalho Produtivo e Reprodutivo e integrou e coordenou a Comissão de Mulheres da Coordenadoria das Centrais Sindicais do Cone Sul, que reúne entidades de trabalhadoras e trabalhadores do Brasil, do Uruguai, da Argentina, do Paraguai e do Chile.
De 2001 a 2005, Maria Ednalva foi vice-presidente do Comitê da Mulher Trabalhadora da Organização Regional Interamericana de Trabalhadores. Também desde 2001 integrava o Comitê Feminino da Confederação Internacional de Organizações Sindicais Livres. Integrou ainda a diretoria executiva da Central Sindical Internacional, como membro do Conselho Geral e do Comitê Feminino e vice-presidente.
Essas foram algumas das principais funções que a companheira Maria Ednalva Bezerra assumiu ao longo de sua caminhada de luta em defesa dos direitos das mulheres trabalhadoras, mas com certeza não expressam toda uma vida dedicada a essa questão.
Nós mulheres trabalhadoras sentiremos sua falta, Ednalva, mas seu exemplo de dedicação será seguido por todas nós que continuamos na luta pela igualdade de direitos.
Esta homenagem não é só da Deputada Fátima Bezerra, mas também da Câmara dos Deputados e do Congresso Nacional.


MARIA EDNALVA BEZERRA, SINDICALISTA, MORTE, HOMENAGEM PÓSTUMA.
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