CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com reda����o final
Sessão: 210.1.52.O Hora: 14:16 Fase: PE
Orador: LAEL VARELLA, PFL-MG Data: 01/10/2003




O
SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra ao nobre Deputado Lael Varella.
O SR. LAEL VARELLA (PFL-MG. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, no meio de tantas notícias ruins, os produtores rurais são os que continuam nos trazendo boas novas. Alguns dias atrás, comentamos a supersafra agrícola de 2002/2003, cujo resultado nos coloca numa situação invejável no continente. Hoje, tratarei do setor algodoeiro que até há pouco tempo claudicava, mas que começa a virar o jogo e a ganhar inclusive o mercado externo, transformando o Brasil no 5º exportador mundial de fibra, além de prometer recorde de produção em 2004.
Se um agricultor de nossa região central, por exemplo, tentasse exportar algodão uns 5 anos atrás seria alvo de pilhéria, pois até então o algodão brasileiro não gozava de boa fama, em decorrência da baixa qualidade de suas fibras. Os produtores sequer conseguiam abastecer o mercado interno e o preço, por sua vez, não despertava ânimo, pois estava cotado 50% abaixo da média histórica.
Em recente reportagem publicada no jornal O Estado de S. Paulo, a jornalista Patrícia Campos Mello transcreve declaração do agricultor goiano Paulo Shimohira, na qual afirma que até fins da década de 90 ele não exportava nada, pois estava convicto de que nosso algodão não prestava, mas que hoje as coisas não são mais assim. Shimohira cultiva mais de 1.800 hectares de algodão no Município de Itumbiara e espera ampliar a área plantada para 2.570 hectares na próxima safra.
Exportando atualmente cerca de 40% de sua produção, Shimohira ressalta que o preço está ótimo e há muita demanda para a exportação e que – se quisesse – poderia exportar toda sua produção, pois não cessa de receber encomendas, tendo inclusive vendido antecipadamente a produção dos próximos 3 anos, o que nunca tinha acontecido nos mais de 20 anos que cultiva algodão.
E a jornalista ressalta que, de patinho feio do mercado mundial e importador de fibra, o Brasil se transformou num dos grandes exportadores de algodão do mundo, ocupando o 5ºlugar no ranking mundial, perdendo apenas para Estados Unidos, Usbequistão, Austrália e Grécia.
A virada do jogo deu-se a partir de 2001, quando a balança do algodão começou a registrar superávits. Segundo estimativas da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (ANEA), a previsão para o ano de 2004 éde que o Brasil atinja recordes históricos tanto na produção quanto na exportação de algodão.
Enquanto o Presidente da ANEA, Antônio Vidal Esteve, prevê para o próximo ano uma produção de 1,1 milhão de toneladas da fibra, o Diretor da Agência de Promoção de Exportações (APEX), Hélio Mauro França, chamou a atenção para a reviravolta do plantio e comercialização do algodão, mostrando que ela se deveu ao emprego de alta tecnologia, além do bom desempenho na promoção comercial, e, com isso, abriu mercados e deu exemplo de como é possível inverter uma balança comercial desfavorável.
Sr. Presidente, a melhoria da produção e abertura de mercado para o algodão brasileiro é resultado de muito suor e espírito empreendedor de nossos abnegados agricultores. A reportagem em questão cita o caso de Carlos Augustin, produtor da região de Serra da Petrovina, em Mato Grosso, que no último ano investiu cerca de R$ 16 milhões em sua lavoura de algodão, comprando novas áreas para plantio, adquirindo uma usina de beneficiamento, além de tratores e colheitadeiras.
Algodão dá muito mais dinheiro que soja, afirma ele. E promete aumentar a área plantada de algodão de 5 mil para 8 mil hectares no ano que vem. Se, por um lado, Augustin salientou que o cultivo do algodão dámuito mais trabalho e despesa que uma lavoura de soja, por outro, afirmou que, quando dá certo, a rentabilidade é quatro vezes superior. Neste ano, a produtividade média da lavoura de Augustin e de várias fazendas de algodão no Centro-Oeste chegou a 280/300 quilos por hectare, ainda inferior à média australiana, mas muito acima do rendimento americano.
Para Ivan Wedekin, Secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, o Brasil conseguiu tal posição de liderança graças ao investimento em tecnologia e também ao clima brasileiro, que nos permite colher atéduas safras anuais. Isso é reconhecido por Terry Townsend, Diretor-Executivo do International Cotton Advisory Committee (ICAC), ao afirmar que o Brasil sempre teve muito bom potencial para o algodão e que, ao usar tecnologia adequada para explorá-lo, a partir de 1995, os agricultores começaram a colher os frutos.
Sr. Presidente, apesar de certa propaganda derrotista, apesar da falta de crédito, apesar da falta de segurança diante da sanha do MST e dessa reforma agrária, o nosso produtor rural vem mostrando cada vez mais o seu lado empreendedor, vencendo obstáculos da natureza, da política e do mercado internacional. Nosso produtor sóprecisa de uma coisa: garantias do direito de propriedade, da livre iniciativa e, sobretudo, da ajuda de Deus com um clima favorável para alcançar safras cada vez maiores.
Tenho dito.