CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com reda����o final
Sessão: 210.1.52.O Hora: 15:36 Fase: PE
Orador: JOSÉ PIMENTEL, PT-CE Data: 01/10/2003




O
SR. JOSÉ PIMENTEL (PT-CE. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, os trabalhadores bancários de todo o País estão, mais uma vez, em plena campanha salarial. Trata-se de mobilização já histórica, entre todas as que são promovidas anualmente pelo movimento sindical brasileiro. As manifestações já vêm ocorrendo em todo o Brasil, desde o início de setembro, e têm demonstrado a disposição dos bancários de lutar por um bom acordo minimamente justo.
A categoria reivindica reajuste de 16,43%, referente ao ICV do último ano, mais 3,99%, a título de produtividade, e 0,42% de resíduo da campanha passada, totalizando 21,58%. No entanto, os donos dos bancos, como de costume, mostram-se intransigentes ao insistirem na proposta de 10% de reajuste salarial e no abono de R$ 1.320,00, o que, na avaliação dos bancários, nem sequer contempla metade da inflação do último período, que, segundo o INPC, calculado a pedido do Banco Central, é de 18,08%.
Depois de cancelar a reunião de negociações agendada para a semana passada, a FENABAN marcou para hoje, às 15 horas, em São Paulo, um novo encontro com os bancários para debater a campanha salarial deste ano. Após uma sucessão de impasses na mesa de negociação, a expectativa dos trabalhadores é de que os banqueiros apresentem um índice de reajuste melhor que os 10% oferecidos nas últimas rodadas. Dependendo do resultado dessa reunião, a categoria poderádecretar greve por tempo indeterminado. É preciso ressaltar que o comportamento dos banqueiros certamente não tem contribuído para dissipar essa ameaça.
Além do mais, vale a pena lembrar que os bancos são os principais beneficiários das elevadas taxas de juros da nossa economia e continuam superando, semestre após semestre, seus próprios recordes de lucratividade. As tarifas crescentes e as taxas escorchantes cobradas de empresários, agricultores e pessoas físicas nos empréstimos bancários continuam garantindo seus ganhos estratosféricos, enquanto milhares de empregos são eliminados no setor financeiro. Como se não bastasse, o cliente ainda é brindado com a má qualidade do atendimento nas agências.
A falta de compromisso dos banqueiros com a sociedade brasileira não é alvo de crítica apenas de sindicalistas. Até um dos maiores empresários do País, o insuspeito Antônio Ermírio de Moraes, do Grupo Votorantim, numa entrevista à Folha de S.Paulo, criticou a fome dos bancos pelos lucros. Ele diz que o setor financeiro lucra de 4 a 5 vezes mais que o setor produtivo e cobra altas taxas de juros para os poucos financiamentos.
O fato é que, diante do impasse nas negociações com os banqueiros, e mesmo antes de qualquer movimento mais amplo, os bancários prometem realizar amanhã uma paralisação de 24 horas.
A paralisação é para protestar contra a intransigência dos banqueiros e forçar os bancos públicos a cumprirem a convenção coletiva da FENABAN, pois, para os bancários dessas instituições, não houve nenhum avanço significativo nas negociações.
No que diz respeito aos bancos públicos, as dificuldades dos bancários em campanha salarial não têm sido muito diferentes. Com o Banco do Brasil, por exemplo, ocorrem negociações específicas desde o início do ano. Os principais temas em pauta serão: PLR e CCP. A Comissão de Empresa reivindica que a PLR siga os moldes acertados com a FENABAN, seja paga de imediato e não exclua nenhum funcionário do banco.
Por isso, os Deputados Federais Paulo Bernardo, Simplício Mário e eu enviamos ofício ao Ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho, abordando a questão da campanha salarial dos bancários. No documento, solicitamos ao Ministro uma audiência específica para tratar do tema. Uma vez que empresas importantes, como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste do Brasil e Banco da Amazônia, estão diretamente envolvidas na campanha dos bancários, entendemos ser de suma importância buscar entendimento entre os trabalhadores e o Governo no sentido de evitar o movimento grevista.
Muito obrigado.