CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com reda����o final
Sessão: 210.1.52.O Hora: 15:36 Fase: PE
Orador: INOCÊNCIO OLIVEIRA, PFL-PE Data: 01/10/2003




O
SR. INOCÊNCIO OLIVEIRA (PFL-PE. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o Brasil, cuja imagem do sambismo e do futebol foi, durante muitos anos, preponderante no exterior, começa a ser visto com outros olhos nos Estados Unidos e nos grandes centros comerciais do mundo, pela força do seu comércio e a penetração dos seus produtos.
No passado, era também o país das commodities tradicionais: café, açúcar, cacau, algodão, cera de carnaúba, minério de ferro. Hoje, a nossa pauta de exportação édas mais diversificadas: do suco da laranja e da soja aos aços finos, automóveis e eletrodomésticos, passando pelo café solúvel, máquinas e equipamentos, bijuterias, modas, calçados, automóveis, caminhões, tratores e utilitários e softwares, atingindo mais de 55 bilhões de dólares em 2000.
Considerando blocos econômicos (v. IBGE, Anuário Estatístico, 7-57, ano 2000), a União Européia é o nosso maior mercado consumidor (14,7 bilhões de dólares, aproximadamente), seguida dos Estados Unidos (13,36 bilhões de dólares, aproximadamente), da Ásia, com 6,3 bilhões de dólares, da ALADI (Associação Latino-Americana de Integração), com 12,8 bilhões de dólares, e do MERCOSUL, com 7,73 bilhões de dólares.
Este ano, o País deve encerrar a sua pauta de exportação com o registro da liderança mundial no campo da exportação de carne e soja. De janeiro a agosto último, o Brasil exportou 820 mil toneladas de carne bovina —45% a mais do que em igual período de 2002, segundo levantamento do jornal Valor (19, 20, 21 de setembro de 2003) —, assegurando o primeiro lugar nas exportações do setor. A própria Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) registrou o fato, simultaneamente com o anúncio de que o País caminha para ser o primeiro exportador mundial de soja. A decisão do Governo de permitir o plantio da soja transgênica, jánesta safra, animou os produtores do Rio Grande do Sul, do Paraná e de Mato Grosso.
Até dezembro próximo, projeções indicam que o Brasil poderá exportar 1,4 milhão de toneladas de carne bovina, ultrapassando a Austrália e os Estados Unidos. Em termos líquidos, as 820 mil toneladas de carne exportadas de janeiro a agosto de 2003 representaram 523,2 mil toneladas, proporcionando uma receita de 892,3 milhões de dólares.
Todavia, o País ainda não tem pleno acesso aos mercados que melhor pagam pelo beef, em função das restrições impostas nos Estados Unidos e na União Européia ao produto brasileiro, seja em forma de barreiras sanitárias, seja através das cotas de importação.
Esse tema foi abordado na recente reunião da OMC em Cancún, no México, quando o Brasil e outros países registraram suas reclamações pelo bloco G-21, como ficou conhecida a ação unificada dos países emergentes exportadores.
O complexo soja (grãos, óleo e farelo) obteve receitas de exportação da ordem de 5,43 bilhões de dólares nos primeiros 8 meses deste ano, sendo o principal responsável pelo superávit do setor primário.
A CNA aponta que até dezembro deste ano o complexo soja deverá exportar 8,15 bilhões de dólares, contra cerca de 6 bilhões em 2002.
Nessa perspectiva, o Brasil ultrapassará as exportações norte-americanas. Os números são significativos: o País exportará 22 milhões de toneladas de grãos, 13,5 milhões de toneladas de farelo e 2,3 milhões de toneladas de óleo de soja.
Os preços no mercado internacional — ao contrário do que vem ocorrendo com o açúcar — estão favoráveis e o clima de euforia se estende a todos os produtores. Daía necessidade de assegurar-se a paz no campo para que o Brasil possa manter a sua posição de crescente liderança no setor. E o Governo deve acompanhar os movimentos de invasão de terras, que podem atéser fomentados do exterior, com o objetivo de desestabilizar o próspero agronegócio brasileiro da soja e da carne.
Muito obrigado!
O Sr. Gonzaga Patriota, 1º Suplente de Secretário, deixa a cadeira da presidência, que é ocupada pelo Sr. Inocêncio Oliveira, 1º Vice-Presidente.