CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com reda����o final
Sessão: 210.1.52.O Hora: 14:02 Fase: PE
Orador: CLAUDIO CAJADO, PFL-BA Data: 01/10/2003




O SR. CLAUDIO CAJADO (PFL-BA. Pronuncia o seguinte discurso.) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, em mais uma demonstração da fragilidade e da ineficiência da política econômica praticada pelo Governo Federal, os organismos de pesquisa registraram, na semana passada, o aumento da taxa de desemprego no País em agosto, mês em que sempre se registra a retomada de contratações por parte das empresas.
Ao contrário das expectativas do IBGE, o índice de desemprego voltou a um patamar recorde em agosto — mês tradicionalmente de melhoria — e fechou nos mesmos 13% de julho.
Tal resultado não surpreendeu a quem acompanha de perto a política que o Partido dos Trabalhadores pratica à frente do Governo Federal. O lastimável desempenho indicado pelo IBGE reflete o forte ajuste recessivo por que passou a economia do País, traduzido no corte dos investimentos públicos e na alta dos juros, fruto da continuidade da política econômica neoliberal, tão insistentemente combatida pelo PT quando Oposição.
Agora, no Governo, diante da clara falta de projeto alternativo, a única tábua de salvação que o PT encontrou para não perder o controle inflacionário, mesmo àcusta de grande sacrifício do povo brasileiro — aliás, fato que no passado efetivamente foi quem deu a vitória ao Presidente Lula —, é manter a política que gera cada vez mais o aumento do desemprego.
Tudo indica que 2003 seja o pior ano na história no que diz respeito à oferta de emprego e à renda do brasileiro!
A Região Metropolitana de Salvador, infelizmente, mereceu, mais uma vez, destaque negativo na Pesquisa Mensal de Emprego — PME, efetivada no estudo feito pelo IBGE. Em comparação com o mesmo mês do ano passado, a taxa de desemprego da Região Metropolitana de Salvador aumentou 3,2% em agosto, mais do que em Recife (3,1%), do que em Porto Alegre (2%) e do que em São Paulo (1,8%).
Paradoxalmente, a pesquisa mostrou que a renda média do brasileiro aumentou pela primeira vez no ano: 1,5% em relação a julho. Também nesse item Salvador se destacou: com 6,3% de aumento, foi a Capital em que a renda mais cresceu.
No entanto, Sr. Presidente, essa aparente contradição, longe de ser uma boa notícia, revela, na verdade, a face mais injusta dessa crise. O crescimento da renda pode estar sendo causado pelo corte nos postos de trabalho de menor remuneração. Como o número de postos de baixos salários diminui, a média naturalmente se eleva, mas sem que haja aumento do volume total dos vencimentos. Portanto, não ocorre nenhum ganho salarial! Pelo contrário, o trabalhador de baixa renda, o mais humilde, o mais necessitado é quem está sentindo na pele o dissabor do aumento da taxa de desemprego no País.
A crise pode ser mais profunda do que os números mostram, porque neste período do ano a economia deveria estar passando por um aquecimento sazonal e não pela recessão vista por todos a olhos nus.
Por conseguinte, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho conclamar os nobres pares desta Casa para, juntos, não apenas cobrarmos uma atitude mais responsável do Governo Federal no cumprimento de sua promessa de campanha de gerar 10 milhões de empregos, mas também, e principalmente, no sentido de estudarmos opções para enfrentar a crise de desemprego que assola cada vez mais o sofrido trabalhador brasileiro.
Defendemos, a título de alternativa para as Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do País, a permanência ou dos incentivos fiscais para atração de investimentos e conseqüente abertura de postos de trabalho, ou a manutenção de fundo de desenvolvimento exclusivo para as regiões excluídas, apesar dos nossos protestos no que se refere à reforma tributária.
Sr. Presidente, esta Casa não pode se calar diante do crescente desemprego. Compete a todos nós nos manter unidos e protestar com veemência desta tribuna, exigindo que o Governo Federal adote uma política que venha ao encontro do que prometeu em campanha, ou seja, a geração de 10 milhões de empregos.
Sr. Presidente, também aproveito a oportunidade para fazer menção muita grata para mim: o transcurso do Dia do Vereador.
Na condição de ex-Vereador, sinto-me feliz de prestar essa justa homenagem aos edis de todo o País. Como nós, Parlamentares, eles têm a obrigação não apenas de defender o povo brasileiro, mas, acima de tudo, no Legislativo municipal — e eu o fiz no exercício da vereança —, de bem desempenhar a nobre função de Vereador na fiscalização dos atos doExecutivo e, principalmente, de representar honrosamente aqueles que neles confiaram.
Portanto, Sr. Presidente, neste momento parabenizo os milhares de Vereadores deste País, cujo trabalho em busca de uma vida melhor para as respectivas comunidades muitas vezes não éreconhecido.
Deixo, então, meus cumprimentos aos Vereadores pelo transcurso do seu dia, acompanhado do desejo de possam, cada vez mais, enaltecer a representação popular.