CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com reda����o final
Sessão: 206.2.52.O Hora: 14:40 Fase: BC
Orador: FERNANDO CORUJA, PPS-SC Data: 06/10/2004




O SR. FERNANDO CORUJA (PPS-SC. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, também gostaria de me reportar à greve dos bancários.
Nosso velho PCB, hoje PPS, traz a marca das lutas do comunismo, da antiga teoria marxista, da luta de classes contra a superestrutura do poder. Mas percebemos que, mesmo nos países governados pelos socialistas, existe hoje um absoluto poder do sistema financeiro sobre o povo. A greve dos bancários mostra muito bem essa situação.
Quando digo poder econômico não me refiro aos ricos ou às elites tradicionais, mas ao sistema financeiro como um todo. Não é à toa que existe em todos os países um predomínio do modelo liberal. Até o Brasil, que possui hoje um Governo de esquerda, o qual apoiamos, não conseguiu fugir desse modelo.
O companheiro Nazareno Fonteles, ex-Secretário de Saúde do Piauí, falou há pouco sobre o superávit primário. A greve dos bancários demonstra bem isso. Os bancos no País lucram como nunca! O modelo de relacionamento capital/trabalho, aquela dicotomia clássica, avança claramente, favorecendo o capital. No caso dos bancos, as máquinas estão substituindo o emprego das pessoas. E o que ocorre? Os bancos têm lucros estratosféricos, mas resistem repassar uma pequena parcela de seus ganhos para o trabalho.
Trata-se, pois, de uma greve legítima. Esses trabalhadores estão parados há 22 dias. E o poder econômico, o Sistema Financeiro Nacional, calcado no poder que detém, de certa forma obtido por meio do Congresso Nacional, subjuga o poder político, que se encontra fragilizado.
Ouvimos vários discursos hoje sobre essa greve. Há 15 anos, estaríamos dizendo que se trata de uma greve nacional, que já dura 22 dias. Mas hoje o assunto é dito en passant.
É preciso que o Congresso Nacional comece a falar abertamente sobre este assunto, para que se inicie uma negociação entre o sindicato patronal e o dos trabalhadores. E o Sistema Financeiro Nacional, que detém o superávit primário, precisa abrir mão dos seus lucros. Para onde vai a carga tributária brasileira, que se aproxima dos 38% do PIB? Não vai para o investimento, mas para as mãos dos banqueiros, que têm lucros estratosféricos e ainda querem esmagar sua classe trabalhadora!
É importante que esta Casa proteste, que se manifeste, que esteja do lado do trabalhador e pressione os banqueiros para que reabram as negociações com os seus trabalhadores.
Registro minha solidariedade com os bancários em greve. Entendo que ela deve continuar e ser radicalizada, porque é uma maneira de se contrapor a esse modelo diante do qual todos estamos descontentes.
Era o que tinha a dizer.