CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com redação final
Sessão: 184.3.54.O Hora: 9h38 Fase: BC
  Data: 26/06/2013

Sumário

Homenagem à memória do líder da Revolta da Chibata, João Cândido Felisberto, o Almirante Negro, ao ensejo do transcurso de seu 133º aniversário natalício.




O SR. PRESIDENTE (Onofre Santo Agostini) - Concedo a palavra à Sra. Deputada Benedita da Silva.
A SRA. BENEDITA DA SILVA (PT-RJ. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, em tempos de protesto e de reafirmação de nossa cidadania, é bom citar um herói sem máscara. Durante seu percurso na luta contra as condições de trabalho e vida, João Cândido enfrentou todo um código de disciplina que justificava os maus-tratos. Na época, o recurso aos castigos físicos era tido como uma forma de pena prática e eficaz para a disciplina. Mas ele se revoltou e comandou uma profunda transformação a seu redor. Cândido liderou um movimento que, além de justo em suas reivindicações, era também muitíssimo organizado.
João Cândido foi internado como louco no Hospital dos Alienados, e, após se recuperar, em 1912, foi levado a julgamento com os companheiros da Marinha que sobreviveram à Revolta. Em ato heroico, João Cândido toma para si toda a responsabilidade pela Revolta da Chibata e pede a liberação de seus companheiros dejulgamento. Após 48 horas de debates, o Supremo Tribunal Militar absolve João e seus companheiros de todas as acusações.
João Cândido trabalhou como estivador, em cargas de peixe, na Praça XV, e viveu no Município de São João de Meriti, no Rio de Janeiro, onde se tornou fiel da Igreja Evangélica Metodista. Em 1969, foi levado ao Hospital Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, onde faleceu de câncer aos 89 anos de idade. Ainda hoje é um herói esquecido de muitos livros escolares, mas que teve um papel fundamental na luta por direitos no Brasil.
Sr. Presidente, peço que meu pronunciamento, a homenagem que faço ao Almirante Negro, seja divulgado na íntegra no programa A Voz do Brasil.
Aqui está o nosso Brasil em democracia nestes 133 anos de Almirante Negro!
O SR. PRESIDENTE (Onofre Santo Agostini) - O pedido de V.Exa. será atendido.

PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELA ORADORA
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, como bem lembra a música Mestre sala dos mares, de João Bosco e Aldir Blanc:
"Há muito tempo nas águas da Guanabara, o dragão do mar reapareceu na figura de um bravo feiticeiro, a quem a história não esqueceu".
Ontem, 24 de junho comemoramos 133 anos do nascimento de João Cândido Felisberto, dos oito filhos de um negro cativo numa grande propriedade gaúcha e que ingressou no Arsenal de Guerra do Rio Grande do Sul ainda muito jovem. homem,o jovem negro João Cândido, foi o líder da Revolta da Chibata.
Em tempos de protestos e reafirmação de nossa cidadania, é bom citar um herói sem máscara. Durante seu percurso na luta contra as condições de trabalho e vida, João Cândido enfrentou todo um código de disciplina que justificava os maus-tratos. Na época, o recurso aos castigos físicos era tido como uma forma de pena prática e eficaz para a disciplina. Mas ele se revoltou e comandou uma profunda transformação a seu redor. Cândido liderou um movimento que, além de justo em suas reivindicações, era também muitíssimo organizado. Após ficar confinado por seis meses, sobrevivendo de pão e água, João Cândido foi internado como louco no Hospital dos Alienados, e, após se recuperar, em 1912, foi levado a julgamento com os companheiros da Marinha que sobreviveram. Em ato heroico, João Cândido toma para si toda a responsabilidade pela Revolta da Chibata e pede a liberação de seus companheiros do julgamento. Após 48 horas de debates, o Supremo Tribunal Militar absolve João e seus companheiros de todas as acusações.
João Cândido trabalhou como estivador, em cargas de peixe, na Praça XV, e viveu no Município de São João de Meriti, no Rio de Janeiro, onde se tornou fiel da Igreja Evangélica Metodista. Em 1969, foi levado ao Hospital Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, onde faleceu de câncer aos 89 anos de idade. Ainda hoje é um herói esquecido de muitos livros escolares, mas que teve um papel fundamental na luta por direitos no Brasil.
Trinta e nove anos após sua morte, em 24 de julho de 2008, foi publicada no Diário Oficial da União, a Lei nº 11.756, que concede anistia ao líder da Revolta da Chibata e a seus companheiros. A ideia,que partiu do Senado Federal, foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 13 de maio de 2008, dia em que se comemorava a Abolição da Escravatura no Brasil. Em 7 de maio de 2010, a TRANSPETRO, a pedido do então Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, batizou com o nome de João Cândido Felisberto o primeiro navio do de Modernização e Expansão da Frota — o primeiro petroleiro produzido em estaleiro nacional após um intervalo de mais de 13 anos.
Em sua memória, Almirante Negro, aqui está o nosso Brasil, em democracia; não mais em revoltas violentas, mas em caminhadas de paz e sempre lutando por seus direitos. Nestes 133 anos, minha homenagem a seus descendentes, a seu exemplo de coragem e aseu legado de humanização do trabalho e da busca por justiça! 


JOÃO CANDIDO FELISBERTO, LÍDER, REVOLTA DA CHIBATA, HOMENAGEM PÓSTUMA.
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