CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com reda����o final
Sessão: 164.3.53.O Hora: 15:28 Fase: PE
Orador: NELSON BORNIER, PMDB-RJ Data: 30/06/2009


O SR. NELSON BORNIER
(Bloco/PMDB-RJ. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o destino do lixo, que preocupa a humanidade por não haver encontrado, até agora, um local certo para sua destinação e reprocessamento pleno, continua e continuará por muito tempo sendo fator de inquietação entre aqueles que cuidam da preservação do meio ambiente.
Isso, Sr. Presidente, se levarmos em consideração que todos os dias uma carga de mais de 125 mil toneladas de rejeitos orgânicos e de material reciclável é despejada na natureza, pondo em risco a saúde das populações.
Esse volume vai parar nos lixões, onde apenas 20% são destinados adequadamente aos aterros sanitários. Tão grave é a situação que em boa hora começa a crescer no Congresso Nacional a ideia de criação de uma política para disciplinar o assunto e tirar o Brasil do atraso que se encontra.
Sem falar, naturalmente, na radioatividade transmitida por componentes eletrônicos jogados aleatoriamente nos entulhos sem o menor cuidado com os riscos que podem transmitir.
Estudo da Secretaria de Desenvolvimento Urbano da Presidência da República, mostra que os lixões, onde esses resíduos são lançados a céu aberto, são mais comuns nos municípios com menos de cem mil habitantes.
Nas grandes cidades, o uso é mais frequente no Nordeste, enquanto no Sudeste esse índice não passaria de 15%.
Sr. Presidente, há que se levar em consideração que as discussões sobre o fim dos lixões não envolve apenas preocupações ambientais. Milhares de famílias sobrevivem do que encontram no lixo. Estima-se que o Brasil tenha uma população da ordem de 55 mil catadores de lixo, dos quais 18 mil crianças e adolescentes. Essa gente vive exclusivamente dos produtos ditos recicláveis, como plástico e outros componente que a tecnologia brasileira ainda não se preocupou em reaproveitar.
Não faz muito, Sr. Presidente, a televisão exibiu, sem nenhuma cerimônia, gente dividindo restos do lixo com os urubus, num banquete macabro que afronta a dignidade de qualquer povo civilizado.
Se bem, Sr. Presidente, que em países como o Japão o lixo é reaproveitado em sua quase totalidade, proporcionando emprego à população de baixa renda e permitindo que volte ao uso comum muito daquilo que entre nós já não teria nenhum valor.
Lixo é coisa séria, Sr. Presidente, e não pode ficar sendo manipulado aleatoriamente. Portanto, entendo que o assunto precisa ser melhor estudado para que não venhamos a ter problemas futuros.
Era o que a tinha a dizer.