CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com reda����o final
Sessão: 164.3.53.O Hora: 15:28 Fase: PE
Orador: INOCÊNCIO OLIVEIRA, PR-PE Data: 30/06/2009


O SR. INOCÊNCIO OLIVEIRA
(PR-PE. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, quando o escritor Marcos Vinicios Vilaça assumiu, nos anos 60, a presidência da Academia Pernambucana de Letras, Gilberto Freyre, que se considerava inacadêmico, mas não anti-acadêmico, escreveu em artigo de jornal sobre o conterrâneo: "Tão jovem e tão presidente!" A trajetória intelectual e profissional de Marcos Vinicios Vilaça tem sido um acúmulo de vitórias e sucessos, quer no ambiente literário-acadêmico do Brasil, quer nos círculos profissionais, como exemplar funcionário público (acabou de receber do Presidente da República a Medalha dos 50 anos de Serviço Público ao Brasil), extrapolando sua atividade de escritor para o mundo da língua portuguesa na África e Portugal. E diria o poeta maior da língua: "E se mais mundo houvera, lá chegara...".
Na Academia Pernambucana de Letras, ele foi presidente por 2 vezes; na Academia Brasileira de Letras, também por 2 vezes, e ali sucedeu a Mauro Mota, realizando uma notável obra de modernização e atualização do acervo bibliográfico, aproximando a entidade dos meios universitários, atraindo estudantes com a organização de cursos de língua e literatura e criando laços entre as várias Academias de Letras dos países que falam a língua portuguesa, além de reforçar as ligações com a Academia de Ciências de Lisboa - da qual ele e o Senador e escritor José Sarney são sócios - que tem uma função semelhante à Academia Brasileira de Letras.
Além de escritor, Marcos Vinicios Vilaça é sociólogo, um dos discípulos queridos de Gilberto Freyre, com quem colaborou no antigo Instituo Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, e autor de livro hoje traduzido para vários idiomas sobre o fenômeno do coronelismo no Nordeste do Brasil. Em Coronel, Coronéis, de parceria com o economista Roberto Cavalcanti de Albuquerque, Marcos Vinicios Vilaça traça os perfis de alguns "coronéis" e analisa o autoritarismo intrínseco ao modelo de ocupação do sertão do Nordeste e os estigmas da herança escravocrata. É um ensaio de Sociologia que se prolonga em pesquisa séria de antropologia cultural e economia rural, saudado pela crítica nacional e internacional como uma das melhores análises do poder e mando político na região, que, apesar dos seus defeitos e distorções, conseguiu manter a estabilidade de uma economia agrária e sustentou durante mais de 3 séculos populações desassistidas pelo Estado centralizado, na Colônia, no Império e na República Velha, nas Capitais. Ou no litoral brasileiro, segundo a imagem de Frei Vicente do Salvador, "arranhando o mar como caranguejos".
Marcos Vinicios Vilaça deixa, hoje, pela compulsória, as suas funções de Ministro do Tribunal de Contas da União, esse órgão auxiliar do Poder Legislativo que tantos serviços tem prestado à Nação. Deixa o TCU depois de ter sido seu Presidente por 2 vezes e no qual revelou sua face de jurista, em interface com o Executivo e o próprio Legislativo. Ali publicou a síntese de seus pareceres, o primeiro deles lançado, também, em Portugal, com o sugestivo título Itinerário na Corte.
Foi mais longe: criou a Associação dos Tribunais (Cortes de Contas) dos países de língua portuguesa e estendeu suas ligações à América Hispânica, sendo autor do ensaio analítico Controle Externo y Mercosur, conferência lida no Paraguai, em 1996. É dele, também, a plaqueta A Ética e os Poderes das Entidades Fiscalizadoras Superiores.
Não esqueçamos sua passagem pela Secretaria Nacional de Cultura e o currículo de suas atividades em Pernambuco, nos Governos Paulo Guerra e Eraldo Gueiros, e, também, sua belíssima passagem como diretor da Caixa Econômica Federal.
O Brasil não pode perder a contribuição da sua experiência e do seu talento de homem de letras e administrador, agora que atinge a maturidade plena e ainda muito poderá fazer - aqui ou no exterior - pelo nosso País. Hoje completa 70 anos de profícua existência. É um dos mais brilhantes escritores da língua portuguesa na atualidade e um orador extraordinário, que encanta e emociona quem o ouve.
Muito obrigado.
A Sra. Angela Amin, § 2º do art. 18 do Regimento Interno, deixa a cadeira da presidência, que é ocupada pelo Sr. Inocêncio Oliveira, 2º Secretário.