CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com reda����o final
Sessão: 157.3.53.O Hora: 11:46 Fase: BC
Orador: FERNANDO FERRO, PT-PE Data: 24/06/2009




O SR. PRESIDENTE (Manato) - Concedo a palavra ao nobre Deputado Fernando Ferro, engenheiro elétrico filiado ao PT desde 1980, que tão bem exerce seu quarto mandato pelo PT de Pernambuco.
S.Exa. disporá de 3 minutos na tribuna.
O SR. FERNANDO FERRO (PT-PE. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, quero registrar participação em uma solenidade comovente e bonita que aconteceu no Presídio Aníbal Bruno, na cidade de Recife, Pernambuco. Ali, a convite do Sindicato dos Petroleiros, assisti à formatura de uma turma de 150 alunos, presidiários alfabetizados pelo Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos —MOVA, coordenado pelo Sindicato dos Petroleiros em nosso Estado.
Fiquei impressionado com os dados da população carcerária: 70% dos detidos no Presídio Aníbal Bruno, segundo me informaram, são analfabetos. E esta ação do Sindicato dos Petroleiros, com a aquiescência e o apoio da Direção do Presídio Aníbal Bruno, estádando oportunidade a esses jovens, na sua imensa maioria afrodescendentes pobres, que não tiveram oportunidade e que, portanto, são vítimas, em grande parte, de uma violência social que lhes negou o direito à educação.
Essa turma de alfabetizados ali expressava, por meio de algumas falas, o sentimento de gratidão e de descoberta pelo acesso às letras, pela possibilidade de ler.
Quero, portanto, parabenizar todas as professoras que participaram desse processo de resgate, de recuperação dessa população carcerária excluída e esquecida, que na sua imensa maioria constitui uma legião de abandonados sociais neste País. Este ato do Sindicato dos Petroleiros revela um sindicalismo comprometido com a cidadania.
Quero parabenizar o Presidente do Sindicato dos Petroleiros, Luiz Lourenzon, e o Diretor do Presídio Professor Aníbal Bruno, Coronel Severiano, um senhor de sensibilidade para com a situação daquela população carcerária, que ajuda a modificar aquele espaço, permitindo que ações como esta possam ser reproduzidas no Presídio Aníbal Bruno.
Espero que essa experiência que acontece no Presídio Aníbal Bruno seja reaplicada em outras unidades prisionais do nosso Estado e até do Brasil, para essa população que não tem direito sequer a ler, a conhecer nada.
Vi alguns detidos que desconhecem completamente os seus processos, o andamento dos seus inquéritos e não têm assistência jurídica. São esquecidos, abandonados completamente. Com essa possibilidade de alfabetização, que eles possam resgatar os direitos humanos mais elementares; que eles possam conquistar a cidadania, abrir os olhos, enfim. O direito à leitura é elementar para que possam conhecer seus direitos, para lhes permitir uma reintegração social quando dali saírem.
Portanto, fica a nossa manifestação de alegria e regozijo por participar desse evento.
Reitero meus parabéns à direção do Presídio Aníbal Bruno e àquelas mestras, professoras que, inclusive, através de uma bela poesia, puderam manifestar no momento a emoção que viviam com o resgate desses jovens presidiários que, alfabetizados, começam a ter reconhecimento, dar seus passos como cidadãos, a partir do direito mais elementar: o direito à leitura e à alfabetização.
Parabéns àqueles que fazem o MOVA e aos mestres que participam desse projeto!
Muito obrigado, Sr. Presidente.