CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com reda����o final
Sessão: 157.3.53.O Hora: 10:56 Fase: BC
Orador: JUTAHY JUNIOR, PSDB-BA Data: 24/06/2009




O SR. JUTAHY JUNIOR (PSDB-BA. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, quando o Presidente Lula cita que Napoleão visitou a China, sendo que Napoleão nunca foi à China, isso não tem consequência. Quando o Presidente Lula cita que a crise não vai atravessar o Atlântico, saindo dos Estados Unidos para chegar ao Brasil, também está errado, porque não é preciso atravessar o Atlântico, obviamente, dos Estados Unidos para o Brasil. Mas isso também não tem nenhuma consequência. Quando o Presidente Lula chama o tsunami de maremoto e diz que a não-preservação da natureza gera tsunamis, quando sabemos que são as placas tectônicas, que nada têm a ver com a preservação ecológica que geram tsunamis, isso também é um fora, é uma leviandade, mas não gera consequência alguma em relação à vida das pessoas.
Mas quando o Presidente Lula informa que a fraude eleitoral no Irã, registrada de forma absolutamente clara por todos os meios de comunicação, é simplesmente uma grita, como se fosse uma torcida que perdeu o jogo, comparando Corinthians e Palmeiras, aí, sim, há consequências graves na vida do povo iraniano e, sobretudo, na política externa brasileira, que deve ter consequências para as futuras gerações.
É indefensável a forma como o Presidente Lula, reiteradas vezes, defende o Presidente — vou ler aqui, porque é um nome bastante complicado —Mahmoud Ahmadinejad. Quando a pessoa não sabe, lê, para não cometer equívocos. E quando não sabe, aprende. Mas quando a pessoa pratica, repetidas vezes, uma posição de descaso para as consequências dos seus atos, observamos o que está acontecendo com o Brasil em relação ao Irã. Esse Presidente negou a existência do holocausto, o maior crime já cometido contra a humanidade: 6 milhões de judeus exterminados na 2ªGuerra Mundial; esse Presidente defende o bombardeio e a extinção de Israel; esse Presidente ameaça a paz na região com um programa nuclear de altíssimo risco.
Observamos, agora, gerações novas, que desejam maior liberdade no Irã, sendo massacradas. O Brasil foi a única democracia consolidada no mundo que defendeu a lisura do pleito. Nem os teocratas coniventes com a fraude aceitaram, de início, não avaliar o resultado daquela eleição.
Por isso, Sr. Presidente, venho a esta tribuna condenar o Governo brasileiro e o Presidente Lula pelas reiteradas manifestações em defesa de uma posição que o Brasil jamais poderia aceitar pacificamente. Ao contrário, deveríamos nos juntar às democracias ocidentais condenando esse processo de diminuição das liberdades no Irã.