CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com reda����o final
Sessão: 124.2.52.O Hora: 16:36 Fase: GE
Orador: NILSON MOURÃO, PT-AC Data: 15/06/2004




O
SR. PRESIDENTE (Manato) - Concedo a palavra, pela ordem, ao nobre Deputado Nilson Mourão.
O SR. NILSON MOURÃO (PT-AC. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, estive na abertura da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento, em que estavam representantes de mais de 190 países. Contou ainda com a presença do Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan, do Presidente Lula, do Ministro Celso Amorim, das Relações Exteriores, dos Presidentes das Repúblicas da Bolívia, do Paraguai e do Uruguai, e de boa parte de Parlamentares brasileiros.
Fiquei impressionado, Sr. Presidente, com a desenvoltura, clareza e determinação do Embaixador Rubens Ricúpero, Secretário-Geral da UNCTAD. Ele fez intervenções de qualidade e muito contribuiu com o sucesso da Conferência das Nações Unidas.
Poderia dizer aos Srs. Deputados que há consenso no sentido de que as regras que orientam o comércio mundial precisam ser profundamente modificadas. Não é mais possível conviver com regras que submetem a maioria do mundo à União Européia e aos Estados Unidos. As regras que determinam e orientam o comércio mundial têm lógica e base injusta. Fazem com que somente poucos países enriqueçam cada vez mais, dando às suas populações padrão de vida mais elevado e concentrando riqueza no Hemisfério Norte do planeta, mas, ao contrário, pobreza, desemprego, desigualdades sociais e regionais nos países pobres.
Milhões de seres humanos hoje estão desempregados, não têm acesso à educação; vivem na pobreza, na miséria, excluídos socialmente. Grande parte disso é resultado de políticas injustas nas relações comerciais entre o Norte e o Sul. Daí por que o Presidente Lula teve a clareza de dizer, nesse Fórum das Nações Unidas, que é necessário modificar a geografia do comércio mundial e ampliá-lo entre as nações pobres e emergentes, estabelecendo o que se chamou na Conferência relação Sul/Sul.
Existem muitos países emergentes com economias fortes, capacidade industrial elevada e um mercado consumidor de bilhões de seres humanos. Com a presença da China, esse caminho será próspero e poderá levar à adoção de novas regras no comércio mundial. O Brasil, a China, a Índia, a África do Sul, o México e a Argentina, junto com outros países pobres e excluídos, poderão modificar o cenário do nosso planeta.
Nossa força está na solidariedade entre esses povos e nações. Este foi o recado central do Presidente Lula na Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento. Além dessa tese, S.Exa. desenvolveu outra, também muito importante: a de que, talvez, seja necessário um novo Plano Marshall — aquele que levou os Estados Unidos e outros países a investirem em empréstimos para retirar a Europa da situação devastadora resultante da II Guerra Mundial.
O momento é outro, a situação é outra, mas a calamidade e a exclusão social de nações com bilhões de seres humanos não pode continuar. Daí por que são absolutamente necessárias novas regras para o comércio mundial.
Era o que tinha a dizer.